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Altos e Centro

Redação
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Altos da Cidade: 70 anos de evolução

Pequenos bairros, como as vilas Altinópolis, Perroca, Nova Universitária, Nice, Ester, Silvia, Samaritana, Santa Isabel, Ferraz, Reis, e outras vilas e jardins, formam o Altos da Cidade. O bairro surgiu na década de 30, mas não parou de crescer até hoje.

A parte mais baixa do Altos da Cidade, próxima a ferrovia, surgiu na década de 30. É formada pelas vilas Santa Clara e Nova Santa Clara. A principal característica

é o grande número de residências. Nessa região, não há instalação de comércio. O principal problema é a manutenção de áreas livres próximas a rua Sorocabana.

A região próxima a avenida Nações Unidas é formada pelas vilas Altinópolis, Santa Tereza e outras, surgidas na década de 40. Essa região

é marcada pela expansão das atividades comerciais e de serviços, e tem uma tendência à verticalização.

Já a região mais central, começou sua formação na década de 50 vindo até 80. O comércio é grande, assim como a concentração de escolas.

Um dos problemas enfrentados pelo bairro

é a falta de continuidade das ruas. A rua Ferroviária, por exemplo, precisa ser interligada com a avenida Comendador José da Silva Martha. De acordo com o professor de Urbanismo na Faculdade de Arquitetura da Unesp, José Xaides de Sampaio Alves, essa interligação precisa ser feita porque melhoraria a circulação de todo o Altos da Cidade e valorizaria a região.

Outras ruas com problemas de continuidade são a Padre João, Aviador Gomes Ribeiro e Domingos Plete, além da falta de conexões com o Jardim Estoril.

"É preciso que se faça ainda a continuação da rua Padre João, sentido Nações Unidas. Esse projeto já existe e precisa ser colocado em prática", afirmou Xaides.

Para o professor, a falta de continuidade de vias geraram dois setores travados economicamente do Altos da Cidade, que são entre as ruas Maria José e Otávio Pinheiro Brisola e Saint Martin e Maria José. "Por outro lado, esses setores são propícios para um zoneamento específico de moradias, que preservam esse isolamento. E isso é bom", completou.

Santa Clara

As vilas Santa Clara e Nova Santa Clara, que formam a parte baixa do Altos da Cidade, enfrentam problemas de recapiamento de asfalto e de assoreamento do Rio Bauru.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores das vilas Santa Clara, Nova Santa Clara e Estoril III, Maury Campos Brito, todas as ruas dos bairros precisam ser recapeadas. Algumas precisam até ser asfaltadas, já que são de paralelepípedo.

"Pagamos o asfalto. Agora pagamos impostos para que se faça a manutenção dele. E não adianta essa operação tapa-buracos. Os asfaltos precisam ser recapeados", disse Brito

O assoreamento do rio Bauru também

é outra reclamação da Associação de Moradores. Brito afirmou que as casas próximas ao rio sofrem com pernilongos, baratas, aranhas, escorpiões e até cobra. Em dias de chuva forte, muitas casas são inundadas.

"Queremos que o leito do rio seja refeito. E o esgoto precisa ser captado e tratado para que os problemas não aumentem no futuro", completou.

A Associação está reivindicando ainda a construção de um núcleo de pré-escolas no bairro, numa área em que é usada como campo de futebol. "Fizemos um levantamento há três anos e verificamos que é grande o número de crianças moradoras do bairro com idades entre 3 e 6 anos. Essa população está aumentando e por isso precisamos de escolinhas aqui", explicou.

Junto com o núcleo de pré-escolas, segundo o projeto, seriam construídas ainda áreas de lazer para toda a população.

Comércio central x comércios

O comércio central compete atualmente com outros centros de comércio que vêm surgindo na cidade. Devido ao crescimento da cidade, a falta de um sistema viário de fácil acesso e o aumento contínuo das regiões periféricas de Bauru, estão surgindo espontaneamente e sem planejamento estratégico previsto, outros centros comerciais na cidade, além da própria expansão do centro comercial antigo.

Atualmente, existe um surgimento de novos corredores comerciais da cidade, como acontece no Mary Dota, nas avenidas Getúlio Vargas, Nossa Senhora de Fátima e Castelo Branco, na região do Jardim Marambá e dos parques Camélias e Flamboyant e no Jardim Bela Vista. Há também os corredores comerciais que estão

"nascendo", como na avenida Lúcio Luciano.

"São denominados corredores comerciais por se formarem em avenidas ou vias públicas", explicou o arquiteto José Xaides de Sampaio Alves.

O comércio de Bauru é dividido em Centro Histórico, Centro Expandido, Centro de Bairros, Corredores Comerciais e Centros Comerciais Fechados. O Centro Histórico é formado pelo triângulo Ferrovia, Rodrigues Alves e Nações Unidas, que tem como marco principal o Calçadão. O Centro Expandido atinge o Altos da Cidade, a Vila Antártica e o Higienópolis. Os chamados Centros de Bairros, são centros comerciais que surgem devido o aumento da população e acesso, como aconteceu no Mary Dota e na região do Parque Camélias. Os Corredores comerciais são comércios diversos que se espalham por todos os bairros. E os Centros comerciais fechados são os shoppings e hipermercados.

"É preciso considerar que a própria idéia de Centro em Bauru já mudou do ponto de vista urbanístico, pois houve uma expansão desse centro histórico e que continua. Assim, a região que vai da avenida Rodrigues Alves até a Duque já possui uma concentração de atividades comerciais e de serviços típicas de áreas centrais. Essa concentração já ultrapassou a Duque e avançou para o Altos da Cidade, se ramificando por corredores comerciais em outros bairros", afirmou.

O Centro Histórico de Bauru não representa mais o monopólio dessas atividades. Ao contrário, ele tem que competir com esses centros comerciais emergentes. Para atrair o público, o Centro Histórico teria que criar novos equipamentos, conforto e segurança, segundo Xaides.

"Para competir com os centros comerciais emergentes, o Centro Histórico precisa oferecer mais conforto e segurança diurna e noturna, porque hoje o Centro morre

à noite, o que gera muita insegurança para aquela região. Também precisa diversificar as atividades, introduzir e fomentar a entrada de novas moradias, criar áreas de lazer para crianças e idosos, valorizar a história e o patrimônio histórico do Centro, com a criação de um circuito histórico e cultural a partir do próprio prédio da Estação Ferroviária. A parte mais baixa do Centro, que vai da rua Presidente Kennedy até a Ferrovia, que hoje é uma área bastante deteriorada e até meio abandonada também precisa ser valorizada", disse.

Para o arquiteto, alterar as vias de transporte também ajudaria a valorizar a parte baixa do Centro. O trânsito de cargas pesadas e perigosas também precisa ser separado da avenida Rodrigues Alves.

"É preciso separar o trânsito de cargas pesadas e perigosas da Rodrigues, que é uma área truncada e que faz a ligação com toda a cidade. Para isso, é preciso criar alternativa de transporte coletivo urbano que desafogue a região central do trânsito só de passagem, criando uma artéria urbana formada principalmente pela Nuno de Assis, liberando a Rodrigues e a Duque", afirmou.

Região central "morre" à noite

A região central praticamente "morre" depois das 19 horas. É que a população fixa, que mora na região, é muito pequena e depois que o comércio fecha é difícil encontrar pessoas passeando pelo local.

Os moradores mais antigos reclamam que se sentem ameaçados e por isso não saem de casa à noite.

Os próprios comerciantes concordam com a pouca segurança na região.

"Mesmo com o policiamento feito pela Base Comunitária Central, os menores infratores não se intimidam e assaltam mesmo", disse a comerciante Renata Dias da Silva.

O casal Noris e Hilda Tâmbara moram no Centro há 53 anos. Antigamente, não encontravam nenhum problema ao sair de casa. Hoje, só atendem a porta através de uma grade da janela e não saem de casa depois das 19 horas.

"Hoje, o Centro morre à noite. Antigamente, as pessoas passeavam por ele. Até quando ainda tinham os cinemas aqui na Primeiro de Agosto (Cine Bauru, Cine Capri e Cine São Paulo), o movimento era grande e o perigo de ser assaltado não existia. Agora, nem saímos mais de casa. Não temos medo, porque nos acostumamos a não abrir o portão", afirmou Hilda.

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