Exportação cresce na região
Texto: Márcia Buzalaf
A emissão de guias de exportação pela regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) registrou um grande crescimento em janeiro, fevereiro e março. O total de produtos industrializados exportados no primeiro trimestre já é equivalente a mais de 50% do total de exportação registrado pelo Ciesp em 1999.
De acordo com dados do Ciesp sobre a emissão de certificados de origem (documento exigido para exportação), a exportação de produtos industrializados no primeiro trimestre deste ano cresceu 230%, passando de US$ 1,264 milhão em 99 para US$ 4,163 milhões neste ano. O Ciesp afirma que os setores da região que mais se destacaram no comércio exterior foram o gráfico, de plásticos, de baterias e alimentício.
Isso significa que o volume exportado nos primeiros três meses deste ano corresponde a mais de 50% do total comercializado para o exterior em 98, que somou US$ 8,222 milhões na região de Bauru.
O consultor do Ciesp e professor universitário, Carlos Roberto Sette, explica que o aumento das exportações
é decorrente da mudança estratégica das empresas, que viram o mercado interno retraído e tiveram que redirecionar seus produtos para a exportação.
A variação cambial também colaborou para o aumento do comércio externo. Segundo Sette, no ano passado, a oscilação do câmbio e a incerteza do mercado influenciaram na atividade das empresas. "A taxa de câmbio deste ano é inferior à média do ano passado. Este ano, na média, a taxa está abaixo do R$ 1,80", diz.
Sette afirma que, só em dezembro do ano passado, quando a exportação começou a mostrar recuperação, a região de Bauru vendeu para o exterior mais de US$ 1 milhão em produtos industrializados. A retomada do crescimento deve ficar ainda mais intensa nos próximos meses. Para o consultor, se a política econômica continuar assim, o fechamento das exportações de 2000 pode chegar a ser duas ou três vezes maior do que em 99.
Sette também acredita que as exportação foi mais facilitada com a instalação da Estação Aduaneira na cidade, que diminui o custo e aumenta a proximidade com o centro de desembaraços.
Mudança beneficia Eadi
A Estação Aduaneira Interior, administrada pela Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação S.A. (Cipagem), espera uma melhora ainda maior para o segundo trimestre do ano, quando algumas mudanças devem facilitar o trânsito aduaneiro para a região dentro da Eadi.
Wilson Batista Souto, 36 anos, vice-presidente da Cipagem, conta que os primeiros três meses deste ano não foram tão bons quanto o ano passado, mas que a exportação ainda deve ser desenvolvida nos próximos meses deste ano.
A expectativa de Souto é que a Eadi receba no próximo trimestre outras empresas de grande porte, principalmente da região de Marília, onde as exportações também estão sendo retomadas.
A partir de 1.º de junho, os Redex não-oficiais, também chamadas de áreas alfandegadas, precisarão de 48 horas de antecedência para a solicitação de despacho e deverão dispor a carga em seu local 12 horas antes de ser feito o despacho, sendo que esta carga estará obrigada a passar pelo canal vermelho, onde são vistoriados tanto a carga em si quanto a documentação dela.
Estas mudanças são válidas apenas dentro das eadis, ou seja, se o desembaraço for feito no porto ou no aeroporto, continuam as mesmas exigências. A estação aduaneira também ficou isenta do trânsito aduaneiro, que exige das eadis o transporte via caminhão credenciado.
Souto acredita que a alteração deve fazer com que o custo da exportação caia, já que a indústria poderá fazer o transporte até o local de partida da carga com seu próprio caminhão.
O presidente da Cipagem também destaca a agilidade que a estação aduaneira deve ganhar com todas as exigências impostas para a área alfandegada.