Famema discute um novo currículo de Enfermagem
A construção do próprio conhecimento torna o aluno mais crítico e mais consciente do seu papel de agente social na comunidade. A discussão sobre o currículo do curso de enfermagem está em âmbito nacional. É o momento de saber como os profissionais de mais de 100 escolas de graduação em enfermagem no País estão sendo formados e se estão atendendo às necessidades da área.
No último Congresso Brasileiro de Enfermagem realizado em outubro de 99 foi formulado um documento apontando as mudanças necessárias como a contextualização do ensino, a adoção de metodologia ativa de ensino, o trabalho em equipe e a integração ensino-serviço-comunidade.
A Faculdade de Medicina de Marília (Famema) já iniciou a mudança curricular introduzindo o Método Problematização e está no terceiro ano de implementação. Essa mudança foi apresentada através de trabalhos de alunos no congresso e volta a discutir o tema no 4º SENADEn
(Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem no Brasil) que será realizado de 25 a 28 de abril em Fortaleza pela ABEn (Associação Brasileira de Enfermagem).
O evento tem por objetivo discutir as tendências e perspectivas político-pedagógicas da enfermagem. A idéia
é fazer um amplo debate sobre os aspectos da nova Lei de Diretrizes e
Bases da Educação.
O curso de Enfermagem da Famema participa das discussões em uma mesa redonda sobre análise crítica do currículo de enfermagem, abordando a integralidade e interdisciplinaridade no novo currículo adotado pela instituição.
"Vamos destacar como tem sido a formação dos alunos dentro do Método Problematização", informou a coordenadora do curso de enfermagem da Famema, Mara Quaglio Chirelli.
Para ela a Enfermagem está rediscutindo a formação de novos profissionais e o currículo de Marília
é uma das propostas, um caminho a ser seguido. Mara informou que no primeiro e segundo ano da problematização os alunos trabalharam junto à comunidade.
No primeiro ano estudaram diagnósticos de saúde, cuidados às famílias e urgência e emergência, no segundo ano partiram para avaliação do estado de saúde dentro do ciclo vital e cuidados à criança, adulto e mulher. No terceiro ano os alunos iniciam com intervenção na área hospitalar.
As enfermeiras, docentes da Famema, Elizabete Takeda e Shirlene Pavelqueires disseram que a contextualização do paciente vista no novo currículo exige que o profissional conheça o papel dele como agente social, e atue não só no cuidado ao paciente, mas com propostas de prevenção, de melhorias, de mudanças. "O profissional fica mais crítico e mais criativo, aprende a fazer propostas de melhorias, de solução", afirma Shirlene.
Segundo Elizabete, há um constante aprendizado. "O currículo proporciona a idéia de que o conhecimento tem que ser construído o tempo todo".
O trabalho sobre o novo currículo apresentado no congresso brasileiro, feito pelas alunas do 3º ano de enfermagem Juliana Gonçalves Herculian, Thaís Erika Peron Giaxa, Tatiana Stanzani e Kelly Cristina Encide Vasconcelos registra a experiência da primeira turma, descreve a visão do aluno quanto ao papel do professor como facilitador, da responsabilidade do aluno em construir seu próprio conhecimento, as estratégias de ensino e faz uma comparação com o método tradicional. "Percebemos que através da integração de disciplinas, proporcionamos um atendimento global do paciente. Vendo o indivíduo em todo seu contexto, o atendimento também será diferente", explica Juliana.
A intenção é formar um profissional com visão mais crítica, mais humanizada. "Já percebemos essa diferença em nosso modo de pensar e agir", afirma Thaís.