CPFL fecha atendimento em Bauru
Texto: Márcia Buzalaf
A partir de maio, qualquer reclamação para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) terá que ser feita por telefone e para uma central de atendimentos telefônicos, o call center. Depois de uma briga judicial que durou aproximadamente um ano, a empresa decidiu que vai fechar todas as centrais de atendimento nas regionais da CPFL, fazendo com que 31 atendentes tenham seu emprego na corda bamba.
Toda e qualquer reclamação ou informação que o consumidor quiser obter da CPFL terá que ser feito via telefone (0800-1010), para a central de atendimento telefônico em Campinas. Todo o Estado estará sendo atendido por esta central, que por força de uma liminar, deverá ter funcionários próprios da empresa. A CPFL briga até hoje para conseguir terceirizar o serviço.
O diretor do Sindicato dos Eletricitários em Campinas, com subsede em Bauru, Jesus Francisco Garcia, 44 anos, afirma que a medida é ruim tanto para os trabalhadores da empresa
- que não sabem ainda se perderão seu emprego ou se serão remanejados - quanto para os consumidores - que não terão o atendimento pessoal.
Antônio Augusto Pires, 46 anos, gerente da Central de Serviços do Cliente e responsável pelo projeto de implantação do call center, afirma que a empresa só optou por esta mudança porque acredita que a centralização vá melhorar o nível de atendimento e que esta medida tem sido adotada por vários setores da economia, como o bancário e o de telefonia.
A CPFL abriga, atualmente, 163 funcionários em todo o Estado responsáveis diretamente pelo atendimento ao público. Em Bauru, são 31 atendentes, entre funcionários da empresa e contratados por tempo determinado. Garcia afirma que o acordo coletivo da categoria garante que a empresa, primeiramente, tente remanejar os funcionários antes da demissão.
Até agora, nenhum funcionário recebeu o convite oficial para ser transferido, segundo o sindicato. Pires mostra que a CPFL não pretende incentivar a transferência de pessoas de Bauru para Campinas porque não sabe até quando a liminar que proíbe a terceirização do serviço vai permanecer. Pires ainda informa que a empresa está contratando pessoas para trabalharem no call center, em Campinas.
A ação contra a terceirização, segundo Garcia, é para manter o mínimo de comprometimento entre o funcionário e a empresa. O sindicato entrou com uma ação judicial visando bloquear a instalação do call center. Depois de julgado o pedido do sindicato e a resposta da CPFL, a justiça optou por manter o atendimento pelo telefone desde que a empresa se comprometa a ter funcionários próprios para este setor.
Pires afirma que a CPFL está investindo R$ 40 milhões nos próximos cinco anos para esta mudança. A transferência para Campinas começa no próximo dia 5. Segundo o sindicato, no dia 28, a região de Marília entra no sistema centralizado; no dia 6 de maio, serão transferidos dados de São José do Rio Preto e de Ribeirão Preto; e no dia 13, o atendimento de Bauru, Botucatu e Jaú.
Manifesto
O sindicato está iniciando uma série de manifestações contra as ações da CPFL, que tirou 30 mil pessoas da tarifa de baixa renda no começo deste mês, que vem promovendo reajustes sucessivos na tarifa (o próximo, de 6,98%, deverá ser cobrado na conta de maio) e, agora, para o corte do atendimento pessoal ao público.
O "barulho" que o sindicato quer fazer é para mexer com os políticos da região, que pouco estão fazendo para defender o acesso ao serviço de energia elétrica. No último final de semana, o sindicato foi a Botucatu reivindicar do prefeito e dos vereadores a criação de um conselho de energia. Em Bauru, também deverá ter uma manifestação para pressionar o poder público a criar o conselho na cidade.
"Pelo menos para o pessoal ter onde reclamar", defende.