Presos do IPA querem dinheiro levado pelos assaltantes
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Os 600 reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru não digeriram muito bem o roubo dos R$ 30 mil pertencentes a eles e que estavam no presídio, na semana passada. O dinheiro foi levado por cinco assaltantes. Ontem, os reeducandos retornaram do indulto da Páscoa, se revoltaram com a situação e exigiram uma solução. Os reeducandos querem o dinheiro, fruto do trabalho diário deles.
A situação não chegou a ficar muito tensa, mas os reeducandos se recusaram a trabalhar. Ficaram no prédio aguardando uma resolução por parte da diretoria. Só a cozinha funcionou. No período da tarde, os reeducandos voltaram a protestar e a Polícia Militar chegou a deslocar-se para o IPA, mas o movimento foi pacífico e não foi preciso nenhuma intervenção da polícia.
O diretor interino, Wilson Elorza Jr., disse que passou o problema para a Secretaria da Administração Penitenciária.
"Eu não tenho como resolver o problema. Não tenho dotação orçamentária para repor este dinheiro", disse ele.
De acordo com o diretor, os presos estão preocupados porque daqui a 15 dias eles terão nova saída temporária e estão sem dinheiro. "No Dia das Mães eles têm uma saída temporária e estão sem dinheiro, embora tenham trabalhado para isso", explicou.
Elorza Jr. acredita que a situação possa ser contornada, uma vez que a população carcerária está dividida. "Uma parte deles entende a situação e sabe que eu não tenho como resolver. Outra, insiste em receber o dinheiro", ressaltou o diretor. Em média, segundo ele, os presos recebem R$ 120,00.
"Tem mais de 500 que trabalham fora do presídio. Mas tem aqueles que participam do rateio. Quer dizer, trabalham na cozinha, faxina, e que são pagos com uma porcentagem do salário daqueles que trabalham fora. Todos eles ficaram sem receber", lembrou Erloza Jr.
O diretor lembrou que é considerado falta grave o reeducando não trabalhar. "No regime semi-aberto, os presos têm que trabalhar. Se não trabalharem, podem ter a saída do Dia das Mães suspensa ou, ainda, retornarem ao regime fechado", afirmou Erloza Jr.
Elorza Jr. não acredita que tenha de tomar atitudes mais sérias com os presos. "Espero não ter que suspender as visitas. Eu acho que eles vão entender a situação."
Indulto
Dos 550 presos do IPA que foram beneficiados com o Indulto de Páscoa, 37 não se apresentaram até o final do prazo, terça-feira. Os reeducandos passam a ser considerados foragidos da Justiça e se recapturados, terão que cumprir o restante da pena em regime fechado.