Especialistas esperam eliminar hanseníase em até três anos
Texto: Ieda Rodrigues
Médicos especialistas em dermatologia que estão reunidos no Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru, participando de uma oficina de trabalho sobre hanseníase, esperam que daqui a três anos a doença esteja eliminada no Cone Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Argentina, Paraguai e Uruguai), estados e países com menor incidência da doença.
Durante o evento, organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde
(OPA/OMS), serão traçadas estratégias para, paulatinamente, ir reduzindo o número de casos de hanseníase. A principal estratégia que deve ser adotada é a realização de campanhas educativas, para que os pacientes procurem tratamento médico, de acordo com Marcos Virmond, diretor do Lauro de Souza Lima.
Virmond ressaltou que a hanseníase, atualmente, tem cura e é uma doença de fácil tratamento, diferente do que ocorria a 30 anos atrás, quando o paciente precisa ser internado. Hoje, se no início da doença, o paciente pode ser tratado no núcleo de saúde mais próximo de sua casa por um período que varia de seis meses a dois anos.
O número de casos da doença no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, se comparado com estados como Mato Grosso e Amazonas, é bem baixo. A Argentina, Uruguai e Paraguai também têm a doença sob controle e por isso, os especialistas acreditam na eliminação da hanseníase a médio prazo no Cone Sul.
No Brasil, segundo Virmond, existem cerca de 72 mil pessoas portadoras de hanseníase, número considerado ainda bastante alto. Desse total, 6,3 mil pacientes estão no Estado de São Paulo e 130 nos 40 municípios da área da Direção Regional de Saúde (DIR-10).
O Instituto Lauro de Souza Lima, o maior centro de pesquisa brasileiro nessa área, atende, por ano, entre 100 e 150 pessoas de todo o País com a doença quando ocorre complicações
-os casos simples são tratados ambulatorialmente. No Brasil, as campanhas educativas, segundo informou o diretor do Instituto Lauro de Souza Lima, deverão ser feitas pelas secretarias estaduais dos Estados envolvidos e pelo Ministério da Saúde.
A doença
A hanseníase é causada pelo bacilo de hansen e é uma doença característica de países pobres e subdesenvolvidos. A transmissão do bacilo, muitaz vezes, ocorre devido à falta de higiene. Se tratada a tempo, o portador não ficará com nenhuma lesão. No entanto, se o tratamento for tardio, a pessoa pode perder a sensibilidade nas mãos, pés e outras partes do corpo.