Tucanos vão definir coligação no voto
Texto: Nélson Gonçalves
Partido desistiu de candidatura própria, mas coligação com Tuga ou Tobias será decidida no voto, pelo diretório municipal
À medida da passagem do calendário eleitoral os partidos vão fechando posições, ainda que meio na marra e sem consenso, visando a participação nas eleições municipais deste ano. Neste quadro, um dos partidos que pode pender na balança das composições
é o PSDB. Curiosamente ou não, os tucanos definiram que vão decidir pela coligação com um dos candidatos a prefeito que saíram do próprio partido. O PSDB vai votar no próximo dia 6 de maio se apóia Tuga Angerami (PSB) ou Pedro Tobias (PSDB).
Seja qual for a escolha do diretório municipal do PSDB, o partido vai para a eleição municipal deste ano sem conseguir unidade, o que já aconteceu nos pleitos anteriores. O vice-presidente da legenda, Natan Chaves, diz que tentou chegar a um consenso, mas não houve acordo. O resultado era esperado. Até porque correntes diferentes do partido defendem candidatos distintos. Uma parte está com o ex-deputado federal Tuga Angerami, outra está com Pedro Tobias.
Desta forma, 39 membros do diretório municipal estão convocados para decidir em qual palanque eleitoral os tucanos vão subir na eleição municipal de 2000. O partido tem um poucos que ainda apoiavam a candidatura própria e grupos diferentes que querem Tuga ou Pedro Tobias o novo prefeito de Bauru. A pesquisa eleitoral do JC-Auriverde veio com um balde de água fria na insistência pela candidatura própria. As chances de Spíndola são muito pequenas, sobretudo concorrendo com candidatos que vão de Pedro Tobias (PDT) e Tuga Angerami (PSDB) à Tidei de Lima (PMDB) e Nilson Costa (PPS). Na verdade, a manutenção do nome de Spíndola como pré-candidato era um artifício para ganhar tempo. Seria estranho e inviável imaginar uma minoria dos tucanos defendendo o vereador como candidato e a maioria dividida entre Tobias e Tuga.
Por outro lado, a bancada de vereadores não declarou apoio formal a ninguém, mas se sabe que Edmundo Albuquerque, Rubens Spíndola e Antonio Carlos Garmes tem maior simpatia por Pedro Tobias. Edmundo guarda dissabores da relação com Tuga, mas indica que aceita a escolha do partido em nome de um "projeto para a cidade". Toninho Garmes tem relação de gratidão com Tobias, que o ajudou a entrar na vida pública. Natan Chaves já declarou seu apoio ao deputado estadual. Já nomes como Élio Busch, Nelson Fio, Ricardão e outros apóiam Tuga Angerami.
O único consenso conquistado pelo partido é que seja qual for o candidato a prefeito, o PSDB exige a indicação do vice. Resta saber se o partido vai impor algum nome ou deixará a critério da negociação política o segundo nome da chapa para a eleição majoritária. A questão ainda depende de outras composições políticas.
Na coligação Bauru XXI, por exemplo, o PC do B abriu mão de indicar o vice-prefeito (Geraldo Bérgamo ou Majô Jandreice), esperando atrair o PT. O PT parece esperar definição dos outros, enquanto convive com a divisão interna. Parte do partido defende a coligação com Tuga. Outra parte conversa, nos bastidores, com Pedro Tobias, mas parece alimentar a candidatura própria. O PDT parece torcer para que o PT lance candidato próprio, numa tentativa de isolar Tuga na composição do tempo do programa eleitoral.
De outro lado, o PTB também permanece na estratégia de valorizar o passe. Assim como o PT está mais perto do PSB (se não optar pela candidatura própria), o PTB está com o namoro eleitoral mais longo. O partido já chegou a se reunir junto com o PDT, mas aguarda uma definição. Petebistas como Caio Coube e Ricardo Carrijo não escondem a intenção de estar junto com Pedro Tobias nesta eleição.
Nesse jogo de estratégias e conversações, o PSDB, mesmo dividido, tem um grande trunfo nestas negociações: o tempo na televisão. O partido, para alguns, leva o ônus de carregar críticas, sobretudo na área social, aos atuais mandatários (Covas e FHC). Entretanto, como eleição municipal é muito caseira, os temas nacionais não vão gerar peso na decisão em torno de uma aliança. O que vale na hora dos tucanos sentarem
à mesa são os nove minutos (4,5 minutos em cada período) na tv. E este tempo, por enquanto, todos precisam. Certo é que, no próximo sábado (se nada for alterado), o PSDB de Bauru vai definir a composição com um dos dois fortes candidatos à prefeito, conforme as pesquisas recentes, formando, seja qual for a decisão, uma aliança com condições de decidir quem será o próximo chefe do Poder Executivo.