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Equipamento agrícola

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Produtor cria enleiradeira mecânica de café

Texto: Márcia Buzalaf

Demorou 20 anos, mas o produtor agrícola de Bauru, Paulo Matsui, lança, esta semana, a enleiradeira de café Dragão Sol 2000, na Agrishow de Ribeirão Preto. A MaqCafé, empresa instalada na incubadora de empresas de Agudos, é quem está montando a máquina, que é inédita no mundo. Seu criador acredita que o esforço valeu a pena: a Dragão Sol 2000 recolhe os materiais orgânicos que ficam no chão das lavouras, separa os grãos de café e tritura folhas e galhos para serem usados como adubo orgânico.

Paulo Matsui, 58 anos, é cafeicultor desde 1972, mas foi em 1976 que ele começou a desenvolver os maquinários. Há dois anos, a Urso Branco, empresa de Jaú, lançou o primeiro projeto de Matsui, a Mac 6000. Esta máquina

é uma recolheitadeira que teve uma grande aceitação no mercado, servindo como complemento para a enleiradeira. Já foram vendidas 300 unidades deste modelo.

As invenções de Matsui trabalham todas com um sistema de aspersão. A Dragão Sol 2000, por exemplo, aspira as folhas, os galhos e os grãos de café que já foram derriçados e que geralmente são separados manualmente. As folhas e os galhos são triturados e depositados na borda dos pés de café, servindo como adubo orgânico para a lavoura.

A enleiradeira substitui o sistema convencional de recolheita do café, que envolve o recolhimento das sobras orgânicas com um rastelo e a junção deste material em montes, que são depois peneirados inúmeras vezes até que se separe os galhos e as folhas dos grãos de café. Segundo Matsui, esta operação é equivalente a 40% do custo da colheita do café.

A Dragão Sol 2000 funciona através de um sistema pneumático que faz a separação dos restos orgânicos por densidade. O material é separado através de câmaras de alta e de baixa pressão, que transportam o material orgânico e depois os separa. Depois, os galhos e folhas são triturados e realinhados, assim como os grãos de café.

O sistema de recolheita fica completo com a outra máquina agrícola criada por Matsui. A Mac 6000 recolhe os grãos de café enleirados e os ensaca. No processo convencional, manual ou semi-mecanizado, a perda é de aproximadamente 6% de toda a safra com a recolheita. "É o café que fica misturado com as folhas, que fica perdido na lavoura", explica Matsui. Ele estima que cada máquina reduza 10% do custo do sistema de colheita do café. "Esta redução pode se tornar um aumento do lucro líquido de 100%", estima.

O produtor ainda ressalta que a perda ocasiona outro problema na safra seguinte, que é o das brocas. Segundo Matsui, a broca chega a atingir 30% da produção do ano seguinte, o que pode ser evitado com o uso da máquina recolhedeira e da enleiradeira.

Praticidade

Nilton Rodrigues de Campos, 35 anos, funcionário da MaqCafé que vai trabalhar na montagem das máquinas, explica que a Dragão Sol 2000 é uma facilidade enorme para o produtor rural, principalmente para aquele que trabalha tradicionalmente e que amarga perdas atrás de perdas nas colheitas manuais.

"Além disso, a lavoura fica limpinha", conta Campos.

A Dragão Sol 2000 funciona com engate hidráulico, assim como um trator, com um sistema na tomada de força a 540 rpm, andando em uma velocidade entre 0,5 e 2,5 Km/h e tendo um rendimento de um a cinco hectares a cada 10 horas.

A enleiradeira custa em torno de R$ 18 mil e sua produção deve começar logo após o lançamento da máquina na Agrishow, no começo da próxima semana. Matsui afirma que, em 45 dias de trabalho, a máquina se pague.

A mecanização da lavoura é um processo que, na opinião do criador da máquina, pode facilitar e muito a produção de café. Matsui acredita que a mecanização das lavouras de café pode fazer com que o Brasil dobre, em cinco anos, seu volume de safra. A tipografia e o clima brasileiros são ideais para o uso de processos mecânicos na colheita. "Vê a Colômbia, por exemplo, ela é o segundo maior produtor do mundo, mas não pode mecanizar sua plantação por causa do relevo", explica Matsui.

Alguns produtores que usam a Mac 6000 já demonstraram o interesse em adquirir a Dragão Sol 2000. A partir de maio, a máquina já entra na produção em série. "O objetivo é fabricar uma máquina por dia", diz Matsui.

Os próximos lançamentos de Matsui são uma máquina de limpeza de terreiro, que deve auxiliar no processo final de colheita e separação do café.

Serviço

Informações sobre a máquina podem ser obtidas na MaqCafé, em Agudos. Telefone: (14) 262-4274.

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