Greve dos professores pode deixar 52 mil sem aula em Bauru
Texto: Ieda Rodrigues
Se a greve dos professores da rede estadual de ensino tiver índice alto de adesão, como espera o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), 52 mil estudantes podem ficar sem aula em Bauru (73 mil na região) a partir de hoje, por tempo indeterminado. A greve, por reajuste salarial, está programada para começar hoje, mas ontem à tarde seis das 48 escolas estaduais da cidade consultadas pelo JC informaram que a decisão de aderir ou não ao movimento seria tomada hoje pela manhã.
Diretores da Apeoesp, hoje pela manhã, como já estavam fazendo ontem à tarde, vão estar percorrendo as escolas para convocar os professores para a greve, segundo Regina Pacheco, conselheira do sindicato. Ela espera que entre 40 e 50% dos cerca de 2.500 professores de Bauru e região parem hoje, no primeiro dia de greve, e que a adesão vá aumentando até chegar a 100% da categoria.
Está marcada, para às 16 horas de amanhã, uma assembléia na subsede de Bauru da Apeoesp, para avaliar a greve. Na sexta-feira, uma outra assembléia, em São Paulo, irá decidir os rumos do movimento, contou Pacheco. Os professores, que estão sem aumento há seis anos, reivindicam 54% de reajuste, o que elevaria o piso de R$ 448,00 para R$ 755,00 (cinco salários mínimos), para uma jornada de 24 horas semanais.
A diretora regional de Ensino, Edinéa Sita Cucci, afirma que os professores já ganham cinco salários mínimos. Ela explicou que um professor de ensino básico (1.ª a 4.ª série), que trabalha 25 horas em classe e mais cinco horas nos plantões de dúvidas ganha R$ 640,00. Para ela, dentre as categorias do ensino, a reivindicação dos funcionários de escola é a mais justa.
As escolas Ernesto Monte, Azarias Leite, Ayrton Busch e Mercedes Paes Bueno consultadas ontem à tarde pelo JC informaram que a decisão pela greve ou não será tomada hoje pela manhã. Na escola Stela Machado a informação era de que parte dos professores já estava decidida a parar, mas a decisão final seria tomada hoje pela manhã. Na escola Carlos Gomes, a decisão seria tomada numa reunião ontem à noite.
Nenhuma das seis escolas havia dispensado seus alunos da aula de hoje. A escola Mercedes Paes Bueno convocou os pais para uma reunião, hoje, para tratar da greve. Edinéa Sita Cucci disse que a greve sendo deflagrada mesmo, haverá reposição de aula. Ela lembrou que o ano letivo só fecha com 200 dias de aula.
A reposição será feita aos sábados e nos dias de recesso de julho e final do ano, dependendo do número de dias de greve, de acordo com a dirigente de ensino. Ela disse que apesar da reposição, a greve causa prejuízo porque o índice de presença é inferior às aulas do calendário original.
Afuse desiste de participar da greve
O Sindicato dos Funcionários de Escola (Afuse) desistiu de participar da greve programada para começar hoje. Luiz Fileto, diretor estadual da entidade, disse que a decisão foi tomada porque a Secretaria Estadual de Educação, apesar de não ter anunciado reajuste salarial, aprovou uma das reivindicações dos funcionários de escola, a implantação do plano de cargos e salários.
A Afuse é uma das cinco entidades que, na sexta-feira passada, em São Paulo, decidiram pela greve a partir de hoje. As demais são: Apeoesp, Centro do Professorado Paulista (CPP), sindicatos dos Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), dos Supervisores de Ensino (Apase) e Associação dos Professores Aposentados (Apampesp).
Fileto acredita que, com a implantação do plano de cargos e salários, a categoria vai se adequar às faixas salariais. A dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, admitiu que os funcionários de escola é a categoria que mais está sofrendo com a defasagem salarial. Ela ressaltou que há bastante tempo não há novas contratações e, cada dia mais, principalmente devido à informatização das escolas, esses funcionários estão sendo mais exigidos.
Já a Udemo mantém a posição de participar da greve. Maria José de Oliveira Faustini, presidente da entidade, disse que os diretores vão fazer reunião, hoje, em suas escolas, com os pais e alunos, para explicar o motivo da greve e amanhã paralisam as atividades. Nenhum representante do CPP foi encontrado ontem à tarde para falar sobre a greve.
Greve pode afetar
* 52 mil alunos em 48 escolas em Bauru
* 73 mil alunos na região
* 2.500 professores na região
* 500 funcionários na região