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Cirurgia peniana

Redação
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Tamanho do órgão não influencia no prazer

A principal indicação da cirurgia é para pacientes com micropênis, quando o órgão ereto não alcança 7,5 cm. O problema deve ser diagnosticado e corrigido na infância

"Dr. o meu pênis é muito pequeno". Paulo Palma, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, afirma ser esta uma das queixas mais freqüentes nos consultórios dos urologistas. "Temos dificuldade em convencer os pacientes de que eles são normais. A verdade é que a divulgação de fotos e vídeos pornográficos, nos quais aparecem homens 'superdotados', deixa dúvidas e causa ansiedade principalmente entre os adolescentes", aponta.

"A literatura médica registra um caso de um ator de filmes pornográficos, conhecido como Long Dong, cujo pênis media 45 centímetros em estado normal", lembra o cirurgião Lister de Lima Salgueiro. "Porém, este é um caso muito raro."

Por ser tão polêmico e por afligir uma boa porcentagem dos homens, o assunto foi o principal tema debatido no recente congresso da Sociedade Americana de Urologia, realizado nos Estados Unidos, e no qual Palma esteve presente. "Para desmistificar a questão, urologistas gaúchos e californianos realizaram separadamente estudos da medida do comprimento do pênis de adultos normais que concordaram em participar das pesquisas." O objetivo da pesquisa foi estabelecer o padrão de normalidade da população masculina.

Os resultados indicaram que o comprimento do pênis ereto dos brasileiros variou entre 12 e 16 centímetros, sendo o comprimento médio de 14,5 centímetros. "O resultado foi bem parecido com o levantamento feito com homens norte-americanos cujo tamanho peniano médio foi de 12,9 centímetros. Além disso foi demonstrado que não existe relação entre o tamanho do pênis flácido e ereto.

Palma observa que os especialistas da área recomendam a cirurgia para aumentar o tamanho do pênis apenas em casos cujo comprimento em ereção seja inferior a 7,5 centímetros.

"Isso porque, os resultados alcançados com a cirurgia são, no mínimo, muito modestos."

A indicação mais comum é para pacientes com quadro de micropênis, um problema que costuma se manifestar logo nos primeiros meses de vida. "O pênis tem aspecto normal, porém com dimensões muito reduzidas."

Caso as mães não verifiquem a anomalia nos primeiros anos da criança, o problema fica evidente quando o filho começa a conviver com amiguinhos na escola. "No convívio social, o menino se retrai, evita trocar de roupa nos vestiários das escolas e clubes, temendo brincadeiras e apelidos, podendo ter dificuldades no relacionamento afetivo tanto na adolescência quanto na vida adulta", indica o médico.

Tratamento precoce

Para estes casos, o tratamento, à base de substâncias hormonais, deve ser iniciado antes da puberdade. "O ideal mesmo é tratar na idade pré-escolar; depois da puberdade, não há mais o que fazer", explica. O tratamento consiste na utilização de um creme de testosterona, o hormônio masculino; ou na fase pré-púbere, com injeções intramusculares de gonadotrofinas. Estas indicações não têm efeito em homens adultos. "Os pais, ao constatarem o problema da criança, devem procurar um especialista abalizado, pois muitos pediatras ainda desconhecem este tipo de tratamento", ressalta Palma.

Em homens adultos, quando o pênis é micro, pode-se tentar uma cirurgia plástica. "Mas, normalmente, são homens que sofrem de algum problema mental e que, por isso, não são socialmente capazes de manter uma relação sexual", comenta Salgueiro. Já os pênis muito grandes, são os que apresentam mais problemas. "Isso por causa das dificuldades na sustentação da estrutura do órgão. O volume do sangue não é suficiente para sua irrigação, prejudicando o funcionamento ideal."

Palma lembra um estudo realizado recentemente na Unicamp (SP) que analisou a qualidade de vida de 14 homens submetidos à amputação parcial do pênis por problemas decorrentes de câncer ou acidente. "Nove deles (64%) continuavam com uma vida sexual absolutamente normal. O que deixa claro que o tamanho do pênis não é o principal fator para se ter uma vida sexualmente ativa." (AE)

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