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Setor cafeeiro

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Café: setor está suspenso até reunião em Londres

Texto: Márcia Buzalaf

O setor cafeeiro está de braços cruzados. A incerteza do mercado está apoiada no adiamento da reunião da Associação dos Países Produtores de Café

(APPC), na Inglaterra, e da determinação do governo brasileiro de reter café para a exportação.

A reunião da APPC é responsável por estabelecer as diretrizes da política cafeeira internacional, e seria iniciada hoje, dia 6. O adiamento da reunião, para o dia 16, foi motivado oficialmente pela impossibilidade de comparecimento do Ministro da Agricultura e Abastecimento, Pratini de Moraes, segundo informa Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo.

A previsão era que o encontro deste ano estabelecesse a retenção de 5 a 7 milhões de sacas de café para a exportação no mundo todo, sendo que só o Brasil exporta cerca de 18 milhões de sacas.

Mesmo antes do encontro oficial, o Governo Federal determinou a suspensão da exportação do café em junho. Para isso, toda a emissão dos registros de venda está cancelada, já que o documento tem que ser emitido com um mês de antecedência. Há aproximadamente 15 anos o Brasil não suspende a venda do produto e, segundo Guimarães, nenhum outro país produtor tomou a mesma decisão.

A APPC funciona como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ou seja, é a união de todos os representantes de países produtores e exportadores de café para determinar a política de preços e de volume comercializado.

Esta incerteza fez com que os cafeicultores ficassem impedidos de vender seus produtos. "E o mercado cafeeiro é um dos mais suscetíveis", diz Guimarães. Com isso, o preço da saca do café foi cotada a US$ 95 no final da última quinta-feira.

O grande problema que o País vai enfrentar durante a reunião

é a falta de credibilidade junto aos países que compõem a APPC. Segundo Guimarães, que faz parte da delegação brasileira na associação, o Brasil vêm constantemente descumprindo os acordos que firma internacionalmente.

Isso ocorre pela própria situação econômica dos produtores rurais. Nos próximos meses, por exemplo, o país pode viver dias de frio intenso, o que deve elevar e muito o preço do café. Nestas condições, o produtor não segura o produto, conta o representante dos produtores. "Se vier o frio e o preço do café passar de US$ 100 para US$ 200, não tem acordo que resista. Vai vender e vender o que tiver", diz Guimarães.

Jeitinho

Para driblar a venda do café, o Brasil pretende estipular um imposto a ser cobrado na exportação do produto. Atualmente, não há nenhum encargo que incida sobre a comercialização do café no mercado internacional.

O problema é que os cafeicultores podem, inclusive, encontrar brechas na legislação para entrarem com medidas judiciais visando a isenção da restrição

à exportação. Na opinião de Guimarães, a palavra final da discussão deve ser do Brasil, já que o País é o maior produtor, consumidor e exportador de café do mundo todo.

Outro agravante dentro do setor é a indicação do mineiro Carlos Melles (PFL) ao Ministério do Esporte e Turismo. Segundo Guimarães, o político fazia parte da ala de articulação dos cafeicultores, tendo sido inclusive um dos criadores do Conselho de Desenvolvimento de Política Cafeeira (CDPC).

A orientação do Sindicato Rural de Bauru para os cafeicultores da região é de esperar até mais ou menos dia 20, quando a delegação brasileira volta da Inglaterra. Guimarães orienta: "Primeiro, a pessoa nunca deve vender o café no começo do inverno, porque se der uma geada forte, vai valorizar. Fique no aguardo e não venda nada agora. Em segundo lugar, tudo indica que a gente vai ter um inverno bravo, com esta seca dos últimos meses. Além disso, tem a indefinição do mundo cafeeiro, que só vai ser resolvido depois do final da reunião em Londres".

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