Genérico é bom negócio para drogarias
Texto: Adriana Rota
Contrariamente ao que se possa imaginar, a comercialização de medicamentos genéricos tem sido um bom negócio para as drogarias, sejam aquelas pertencentes a grandes redes ou "de bairro". Isso porque os preços menores propiciam o início e, especialmente, a continuidade do tratamento, além de permitir ao consumidor que, eventualmente, consuma outros produtos com o dinheiro que restou.
A lista de medicamentos genéricos liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) já soma 57. Ontem, mais cinco medicamentos foram inclusos: o Diclofenaco Sódico, que tem como referência o anti-inflamatório e anti-reumático Voltaren; a Oxacicilina Sódica, cuja referência é o antibiótico Staficilin-N; a Dipirona Sódica, analgésico e antitérmico semelhante à Novalgina; o Albendazol, produzido a partir do princípio do Zentel; e o Mebendazol, comercialmente conhecido como Pantelmin (os dois últimos são anti-helmínticos).
O proprietário da Droga Rio, Álvaro de Lima, alerta, no entanto, que a liberação da ANVS não significa que os medicamentos estarão imediatamente à disposição dos pacientes. "O laboratório tem de começar o processo de produção, colocar o medicamento em quarentena, fazer o controle de qualidade, distribuição e varejo. Cada produto tem sua peculiaridade e pode demorar, pelo menos, de 15 a 60 dias para chegar ao mercado", explicou.
Esse trâmite tem feito com que nem todos os medicamentos genéricos estejam disponíveis em todas as drogarias da cidade. Na opinião do sócio-proprietário da FarmaCentro, Antonio Augusto Gomes, esse quadro deve modificar-se
à medida que o mercado vá se ajustando à novidade. "Acho que a empresa submete o medicamento à avaliação e recebe o selo de genérico, mas ainda não tem a produção suficiente ", opinou.
Todos os entrevistados foram unânimes em afirmar que a venda dos genéricos tem propiciado margens de lucro semelhantes ao período em que eles não existiam, uma vez que, agora, pode-se iniciar e dar prosseguimento aos tratamentos, contrariamente ao que ocorria antes. Outro fator positivo é que a economia feita na compra de medicamentos pode ser gasta em outros produtos, como de perfumaria.
"É um bom negócio, porque as pessoas com menor poder aquisitivo muitas vezes nem começavam o tratamento, não o seguiam corretamente ou acabavam abandonando-o", disse a proprietária da Drogaria Beija-Flor, Simone Fernandes Franco Cavalheri.
Ela destacou, ainda, a melhora no relacionamento com os clientes, que resulta num "boca-a-boca" positivo para o estabelecimento.
"A gente comenta que existe o genérico, mesmo que não perguntem, porque se o cliente entra em outra drogaria e fica sabendo da diferença de preço, vai sentir-se enganado", afirmou. Nas grandes redes, a prática costuma ser diferente: o farmacêutico só faz substituições quando o paciente pede.
Outro ponto citado pelos entrevistados é que as pessoas estão cada vez mais informadas sobre o assunto, cobrando mais de seus médicos, interessando-se pelas novidades e procurando os genéricos. "Geralmente, quando o remédio está acima de R$ 30,00 eles já começam a pedir genéricos", exemplificou a farmacêutica responsável pela Drogasil da rua Batista de Carvalho, Viviane Araújo.
Na opinião dos profissionais ouvidos pelo JC, os genéricos têm futuro garantido no País, por tratar-se de uma opção barata e eficiente. A tendência seria, então, que eles ocupem um mercado cada vez maior, acirrando a concorrência.
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Viviane alerta o consumidor para que não confunda os medicamentos genéricos - possuidores de características farmacológicas idênticas ao remédio referencial e que passam exatamente pelos mesmos testes - com os similares - que podem ter o mesmo princípio ativo mas não um medicamento referencial. Portanto, seus efeitos não serão, necessariamente, os mesmos do genérico ou do referencial.
Ela salientou que a embalagem do medicamento genérico traz essa informação impressa, bem como a Lei que rege o assunto (9.787). Disse, ainda, que em comum genéricos e similares têm a vantagem de serem mais acessíveis economicamente. Embora os farmacêuticos (não os balconistas) possam substituir os medicamentos convencionais pelos genéricos, segundo Viviane, o ideal é que os próprios médicos deixem opções para os pacientes, registrando-as na receita.