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Dinheiro falso

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 5 min

Nota falsa continua enganando bauruense

Texto: Márcia Buzalaf

A falsidade de moeda é um dos crimes mais graves do Código Penal, mas continua correndo solto em Bauru. Segundo o Ministério Público Federal, quem for pego falsificando cédulas pode pegar de 3 a 12 anos de detenção. Quem receber uma nota falsa sem saber, mas mesmo assim "passar para frente", também pode receber a pena de 6 meses a 2 anos.

O procurador da República, Rodrigo Valdez de Oliveira, e o chefe da Polícia Federal, Antônio Vaz de Oliveira, 39 anos, afirmam que a grande maioria dos ludibriados com notas falsificadas são os comerciantes, principalmente os de pequeno porte. Segundo Vaz de Oliveira, quem quer usar nota falsa geralmente compra um produto de pequeno valor com uma nota alta, já que seu objetivo não é gastar, mas sim passar a nota para frente.

O delegado diz que hoje em dia tem muito caso de gente que saca dinheiro falso nos caixas eletrônicos de bancos. No Banco do Brasil, a gerência garante que reembolsa a quantia falsa quando a nota foi retirada da instituição bancária. Nos últimos 15 dias, a agência do Bauru Shopping recebeu quatro notas falsas de R$ 50,00.

De acordo com o chefe da Polícia Federal de Bauru, apesar de não ter dados sobre o assunto, a falsificação de notas está se diversificando e, atualmente, muitos componentes que ajudavam a identificar as cédulas verdadeiras estão sendo falsificados também.

Um destes componentes é o tato. Muita gente costuma identificar a nota falsa pelo tipo do papel, ou seja, ao roçar os dedos na cédula poderia perceber a diferença de textura. Hoje em dia, esta segurança não é mais garantia de dinheiro verdadeiro.

Segundo o delegado, alguns falsificadores lavam quimicamente uma nota de R$ 1,00 para poderem, depois, imprimir uma de R$ 50,00 no mesmo papel. Neste caso, a marca d'água e a fio protetor são mantidos, também não servindo de identificação.

Para conferir as notas falsas, a orientação é que o comerciante tenha uma nota verdadeira de cada valor para poder fazer a comparação. De acordo com os especialistas, quando uma nota falsa é colocada ao lado de uma verdadeira, as diferenças ficam mais evidentes.

Para identificar nota falsa

O delegado da Polícia Federal, Antônio Vaz de Oliveira, orienta alguns itens a serem vistoriados para identificar a falsificação de cédulas:

Armas nacionais - Segundo Oliveira, a melhor forma de reconhecer esta nota falsificada é comparando a uma verdadeira (a coloração costuma ser diferente), as fibras ao longo da nota e o espaço ocupado pelo símbolo das armas nacionais, que deve estar posicionado exatamente no mesmo espaço nos dois lados de uma nota.

Este símbolo é impresso nos dois lados da nota e fica localizado em cima da assinatura do Ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central do Brasil.

Para esta identificação, basta o cidadão olhar a nota contra a luz. Se as armas nacionais tiverem uma auréola demonstrando que um não está sobreposto ao outro símbolo de armas nacionais impresso do outro lado da nota, a pessoa já pode desconfiar.

Marca d'água - A marca d'água da efígie atualmente só existe na cédula de R$ 100,00 e de R$ 50,00. Nas notas de R$ 10,00, de R$ 5,00 e de R$ 1,00, a marca d'água usada é a bandeira nacional. Isso porque se um falsificador pegar uma nota de R$ 1,00 para transformá-la em R$ 50,00, na conferência da marca d'água a pessoa pode detectar a falsificação.

Algumas notas falsas impressas dão a impressão de que existe a marca d'água, mas vale a pena lembrar que esta característica só pode ser visualizada contra a luz.

Fio de segurança - Além disso, as cédulas de R$ 1,00 e de R$ 5,00 não têm mais o fio de segurança. Algumas falsificações, entretanto, imprimem a marca do fio para tentar enganar o cidadão.

Outro item para identificação é a seqüência de letras BC (de Banco Central) impressa sobre os valores das cédulas. Apenas na impressão feita em off-set é possível reproduzir estas microletras, mas o papel onde

é impressa a cédula não é o mesmo do papel do dinheiro.

Consumidor tem problemas com nota falsa

O auxiliar administrativo Roberto Cláudio Campos, 26 anos, afirma que teria recebido uma nota falsa de R$ 50,00, parte do seu salário, do Unibanco de Bauru. A empresa para qual ele trabalha paga os funcionários em dinheiro e Campos foi o próprio responsável pelo saque do pagamento.

O auxiliar administrativo só soube que tinha uma nota falsa quando depositou R$ 200,00 em quatro notas de R$ 50,00 no caixa eletrônico do Banco do Brasil. No mesmo dia, o gerente de expediente da agência do Bauru Shopping, Márcio dos Santos Reverte, 30 anos, ligou para visar que uma das notas era falsa. Ao ir até o banco, Campos notou que a falsificação era grosseira, mas mesmo assim perdeu a quantia. "Minha única fonte de renda é meu trabalho. Este dinheiro fazia parte do meu pagamento", explica.

O Banco do Brasil deu um "recibo de retenção" ao cliente e enviou a nota para o Banco Central para a avaliação, procedimento que deve demorar de três a seis meses. De acordo com o procurador da República, Rodrigo Valdez de Oliveira, o banco deveria, primeiramente, encaminhar a nota para uma delegacia de polícia ou, no caso de Bauru, para a Polícia Federal, para a instauração de inquérito.

Campos diz o Unibanco pediu uma prova de que havia retirado a nota do caixa eletrônico daquele local. Ailton Alves de Caldas, 38 anos, diretor regional do banco, nega a informação dada pelo cliente e afirma que a gerente responsável pela agência onde ocorreu o incidente orientou o cliente a levar

"recibo de retenção" para poder ressarcir os R$ 50,00 da nota falsa.

Caldas garante que todas as notas falsas são reembolsadas imediatamente, apenas após a retenção da cédula. Depois da intermediação da reportagem no assunto, a gerente responsável pela agência procurou o cliente e pagou a ele os R$ 50,00 relativos à nota falsa.

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