DAE investe na reestruturação da ETA
Texto: Patrícia Zamboni
A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bauru está sendo totalmente avaliada para, numa próxima etapa, passar por uma grande reformulação. O objetivo
é otimizar o funcionamento da Estação, diminuir as perdas e oferecer água da melhor qualidade possível
à população. A afirmação é do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Sérgio Macedo, que contratou um especialista no assunto, o engenheiro civil e professor Luiz Di Bernardo (da USP - São Carlos), para desenvolver um estudo que irá mostrar todas as deficiências da Estação e o que deve ser feito para melhorar o sistema de tratamento de água da cidade. Este estudo deve estar pronto dentro de cinco meses.
De acordo com o professor Bernardo, estão previstas três etapas para a realização desse trabalho. "Nós fizemos alguns estudos relacionados à tratabilidade da
água, no sentido de otimizar os parâmetros de tratamento; sobre a possibilidade de substituir o cloro pelo dióxido de cloro, que é um oxidante muito mais poderoso e poderá melhorar ainda mais a qualidade da água produzida na Estação; e por último, nós vamos tratar os resíduos gerados na Estação visando recuperar parte da água. Com isso, vamos resolver duas questões. Uma, será a redução do desperdício de água, e a outra, a redução do grau de contaminação do curso da água", explica o professor. Segundo Sérgio Macedo, atualmente, a perda de água na ETA de Bauru é de 120 mil litros por hora.
Questionado sobre a situação atual da ETA, Bernardo diz que, à primeira vista, "é um pouco desoladora". Segundo ele, a Estação dispõe de uma tecnologia ultrapassada, já que não teve nenhuma reestruturação desde que foi inaugurada, há mais de 30 anos. "Há necessidade de otimizar e modernizar essa Estação com novas tecnologias para que possa produzir água com qualidade cada vez maior. Esse é o nosso objetivo principal", diz o professor. Porém, a alteração das unidades de tratamento levará algum tempo, já que precisam de reformas elétricas, estruturais e hidráulicas. O tempo que isso demandará vai depender, de acordo com Bernardo, da capacidade financeira do DAE. Entretanto, os possíveis gastos com essa reforma não são fornecidos, nem pelo professor, nem pelo presidente do DAE. "Só conheceremos esses valores depois que todo o estudo estiver pronto", diz Luiz Di Bernardo.
De acordo com ele, as adequações que serão projetadas irão possibilitar a automatização do funcionamento da ETA não somente no monitoramento, como também, no que diz respeito ao processo de tratamento otimizado.
"A confiabilidade no tratamento passará a ser muito maior do que é atualmente. A partir do momento que o monitoramento e o processo de tratamento estiverem automatizados, qualquer anomalia será detectada instantaneamente, o que não acontece até agora, porque o controle da Estação ainda
é manual. Então, no futuro, a ETA de Bauru tende a ter um funcionamento de alto nível, quase como os encontrados no primeiro mundo", afirma o professor da USP - São Carlos.
De acordo com o presidente do DAE, se com esse projeto de reestruturação da ETA for alcançada uma redução de 10%, pelo menos, no volume de 120 mil litros de água que atualmente são perdidos a cada hora, já será possível aumentar a capacidade da Estação em 100 mil litros por hora. "Isso será um fator importantíssimo", afirma Macedo. Segundo Bernardo, atualmente a perda do volume de água tratado na ETA significa 2,5%. Com a reestruturação será possível baixar para 0,8%. Macedo diz que, atualmente, não existe o risco de um colapso que deixe a população de Bauru sem água. Porém, existem desabastecimentos periódicos para determinadas regiões, que deverão ser resolvidos até o final desse ano.
De acordo com o prefeito Nilson Costa, a recuperação da ETA é uma preocupação antiga da Prefeitura Municipal, e na sua opinião, é possível recuperá-la.
"O município tem condições de enfrentar esse desafio, e no final desse processo, toda a população de Bauru será beneficiada", disse o prefeito.