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Patrícia Zamboni
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Trabalhadores da Saúde mantêm greve

Texto: Patrícia Zamboni

Os trabalhadores da rede pública de Saúde do Estado de São Paulo continuam em greve. Na avaliação do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde), sede de Bauru, a paralisação deve estar atingindo, no momento, 45% do setor de Saúde em todo o Estado. Depois da última reunião de negociações com o Governo, realizada nesta quarta-feira, a decisão pela continuidade da paralisação foi tomada pelo fato de não terem sido aceitas as reivindicações da categoria, sendo que a principal delas é um aumento salarial de 67,8%. De acordo com Ademar Aleixo Camilo, diretor de base do SindSaúde, o Governo não aceitou o pedido de reajuste e ainda sugeriu a apresentação de uma contraproposta. "Além de não ter aceitado a nossa proposta, o Governo fez, sutilmente, uma contraproposta, dizendo que nós deveríamos reavaliar o índice e apresentar um menor. O Sindicato se recusou. Quem tem que fazer uma contraproposta é o Governo, não os trabalhadores. Nosso índice é 67,8% e não cederemos. O Governo tinha uma verba de R$ 807 milhões para gastar com pessoal e recursos humanos na área de Saúde durante o ano 2000, e o gasto previsto é de R$ 510 milhões. Ou seja, estão sobrando R$ 297 milhões, e foi baseado nesse valor que o Sindicato apresentou o seu índice de aumento", diz Camilo.

Em relação às outras reivindicações, o Governo não se manifestou, segundo Ademar Camilo. Porém, a direção do SindSaúde está otimista, porque a greve vem conquistando mais adesões. "Estamos otimistas, porque a greve está ganhando corpo e mais hospitais aderiram à paralisação. No momento, em nível estadual a nossa greve está em torno de 40% a 45% de abrangência", afirma o diretor do Sindicato. Segundo Camilo, em Bauru a participação do Instituto Lauro de Souza Lima é parcial, girando em torno de 30%, inclusive abrangendo o seviço ambulatorial

(que administra os prontuários médicos); as unidades básicas de Saúde do Geisel, Parque Vista Alegre e Vila Falcão têm 100% de paralisação dos funcionários estaduais municipalizados; o Ambulatório de Saúde Mental também está de portas fechadas; o Instituto Adolfo Lutz e o Ambulatório de Especialidades participam parcialmente.

O hospital psiquiátrico Cantídio, de Botucatu, também aderiu à greve, desde ontem. A adesão de trabalhadores de Jaú também está sendo aguardada para a partir de hoje, quando será realizada uma assembléia na cidade.

De acordo com Ademar Camilo, a greve dos trabalhadores da rede pública de Saúde deve continuar até o próximo dia 25. Neste dia, está marcada uma nova assembléia, a ser realizada em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na Capital. Esta assembléia será unificada, com a participação também de trabalhadores de outros segmentos, como professores. "Se no dia 25 for apresentada alguma proposta que vá de encontro às nossas reivindicações, iremos parar o movimento. Caso contrário, a greve continuará", adianta Camilo. Segundo ele, o Sindicato dos Médicos está apoiando a greve dos trabalhadores da Saúde e pode, até mesmo, vir a aderir à greve atual.

Além do aumento salarial, os trabalhadores da Saúde também reivindicam piso de três salários mínimos, regulamentação da jornada semanal de 30 horas para os administrativos e carreira de apoio à pesquisa, distribuição igualitária do prêmio de incentivo para todos os trabalhadores e vale-refeição de R$ 8,40.

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