AHB ameaça suspender PA a Gestantes
Texto: Ieda Rodrigues
As gestantes de Bauru podem ficar, novamente, sem pronto-atendimento na Maternidade Santa Isabel. A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) protocolou carta na Prefeitura, anteontem, informando que vai suspender o serviço partir do próximo dia 1. O motivo é o não-pagamento, por parte da Prefeitura, de R$ 123 mil devidos à AHB para a manutenção do Pronto-Atendimento (PA) a Gestantes e a não-renovação do contrato, vencido no último dia 8 de abril.
O PA a Gestantes foi retomado, numa parceria da AHB com a Prefeitura, em julho do ano passado. Pelo contrato, a Prefeitura repassaria R$ 15 mil à AHB, por mês, para pagamento dos salários dos médicos contratados para o PA. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o contrato está sendo analisado pelas secretaria de Saúde e Finanças e que na próxima semana deverá ser renovado, assim como a dívida quitada.
Se o serviço for suspenso outra vez, os casos de urgência e emergência envolvendo gestantes, como trabalho de parto, sangramento e dores, voltarão a ser atendidos no Pronto-Socorro Central para, depois, serem encaminhados à Maternidade. Além das condições inadequadas no PS, algumas vezes não há tempo suficiente para que a gestante seja encaminhada para a Maternidade e o bebê pode nascer no próprio PS.
Até junho do ano passado, o PS atendia, por mês, cerca de 150 gestantes, sendo que de duas a três delas acabavam tendo seus bebês no próprio PS. Depois de muita discussão sobre as condições do atendimento, a Promotoria Pública vistoriou o local improvisado no PS onde as gestantes eram atendidas e concluiu que as condições eram inadequadas.
Na mesma época, o corpo clínico do PS ameaçou suspender o pronto-atendimento, alegando falta de condições físicas e humanas para esse tipo de serviço. O presidente da AHB, Joseph Saab, salientou que todas as tentativas pata renovação do contrato, até então, foram infrutíferas.
Ele disse que em 17 de março a AHB enviou à Prefeitura a primeira carta avisando do vencimento do contrato. Os médicos que atendem no PA a Gestantes vão completar, no próximo dia 8, dois meses sem receber seus salários e estariam reclamando do atraso à AHB. Saab afirmou, no entanto, que se os R$ 123 mil atrasados forem pagos e o contrato renovado nos próximos dias, a AHB não desativará o PA a Gestantes.
Conselho de Saúde diz que atendimento no PS é inadmissível
A vereadora Maria José Majô Jandreice, que é presidente do Conselho Municipal da Saúde, procurada pelo JC, disse que é inadmissível as gestantes voltarem a ser atendidas no PS. Ela entrou em contato com a Prefeitura, onde recebeu a informação de que o contrato está sendo renovado. Para Majô, a AHB tem o direito de receber os valores atrasados, mas está sendo intransigente ao afirmar que vai suspender o atendimento do PA a Gestantes.
Ela disse esperar que a situação se resolva logo. Majô lembrou que um dos assuntos em pauta na reunião do Conselho de Saúde do mês de janeiro era a renovação do contrato para funcionamento do PA a Gestante. Na ocasião, a secretária de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, teria dito que não era preciso se preocupar porque não haveria problema na renovação do contrato.
Prefeitura quer PA a Gestante próprio
Desde junho do ano passado, quando a Prefeitura assinou contrato com a AHB para o funcionamento do PA a Gestantes na Maternidade Santa Isabel, a Secretaria Municipal de Saúde, com o apoio do Conselho Municipal de Saúde, vem projetando a instalação de um PA próprio. Maria José Majô Jandreice disse que o Ministério da Saúde já aprovou o projeto para o PA a Gestantes, mas o dinheiro ainda não foi liberado e não há previsão.