Hospital também é lugar de brincar
Texto: Sabrina Magalhães
Entre um exame e outro, um remédio e outro, as crianças brincam, ouvem histórias e participam de oficinas artísticas
"Aqui no Boldrini, a criança tem condição de fazer quase as mesmas coisas que faria lá fora. Só não dá para ir à casa do vizinho!", brinca a presidente, Sílvia Regina Brandalise. "Obviamente que há restrições, mas nós fazemos o possível para trazer o que há de vida saudável para dentro do hospital."
Neste sentido, a Brinquedoteca é o "point" da garotada. Ali elas passam horas do dia, brincando, cantando, montando quebra-cabeças, participando de jogos lúdicos. Uma sala tão disputada, que a direção já fala em ampliar o espaço.
Tem também a Contadora de Histórias, Suzana Monteuriol, que reúne a molecadinha para descrever os mais estranhos contos. Ali, vale tudo: o lobo mau pode ser substituído pelo leão da montanha; a música dos Sete Anões pode invadir a história de Chapeuzinho Vermelho; e na hora de abrir a barriga do leão para tirar a Vovozinha, não se pode esquecer de aplicar anestesia, que é para ele não sentir dor, coitado.
Tem a artista Nina Mazzon, que incentiva as crianças a desenhar, pintar, moldar bichinhos e personagens com massinha. Tudo sendo acompanhado bem de perto por dezenas de voluntários, que se revezam na tarefa de fazer sorrir os pacientinhos.
Mas a brincadeira não pára por aí. Duas vezes por semana, o hospital recebe a visita dos Doutores da Alegria, os palhaços que percorrem todos os leitos aplicando uma dose de alegria nos pequenos pacientes. E, de vez em quando, o Centro recebe visitantes, como o grupo norte-americano Força da Amizade, que ajudou a pintar um colorido e enorme mural no espaço da cantina.
"Às vezes é preciso até chamar a atenção deles. Lembrá-los de que aqui é um hospital, porque chega a parecer uma escola. Em alguns momentos, vira festa. A música está muito alta, tem gritaria, coisas que precisam ser dosadas, afinal, nem todos estão no momento de participar da folia", observa Brandalise.