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Dia da Indústria

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Empresas devem ter participação social

Texto: Patrícia Zamboni

Para comemorar o Dia da Indústria, celebrado ontem, o Serviço Social da Indústria (Sesi) promoveu o seminário

"A responsabilidade social das empresas", que contou com a participação de funcionários de diversas companhias de Bauru e palestrantes que falaram sobre a importância de se adotar políticas e práticas sociais que beneficiam a sociedade.

Uma representante da equipe de capacitação e palestras do Centro de Voluntariado de São Paulo, Anisia Cravo Villas-Boas Sukadolnik, destacou a importância do trabalho voluntário, que pode e deve ser estimulado e desenvolvido pelas empresas brasileiras. Durante o seminário, ela enfatizou o trabalho do Conselho da Comunidade Solidária, fundado por Ruth Cardoso (esposa do presidente Fernando Henrique Cardoso), que administra quatro programas: Universidade Solidária; Capacitação Solidária, com o objetivo de capacitar crianças e adolescentes que vivem em famílias de baixa renda; Alfabetização Solidária e o programa Voluntários, que procura mostrar a nova face do voluntariado, unindo solidariedade, cidadania e desenvolvimento pessoal. "Isso já existe em países de primeiro mundo, mas era preciso trazer isso para o Brasil, porque os brasileiros são muito solidários. É claro que o governo tem que cumprir a sua parte, mas não custa nada às pessoas dar a sua colaboração com talento, tempo e trabalho, para ajudar a formar cidadãos melhores e fazer a própria sociedade brasileira ser melhor", disse Sukadolnik.

Ao citar o trabalho realizado na AACD, em São Paulo, que segundo Anisia conta com 800 voluntários, ela diz que essa colaboração da sociedade resulta, além de benefícios para os assistidos, na geração de empregos. "A partir do momento que mais crianças podem ser atendidas pela Associação devido ao número de voluntários, são abertas vagas para fisioterapeutas, médicos e fonoaudiólogos, por exemplo. Os voluntários têm muito carinho para dar", observa Anisia Sukadolnik.

A multinacional Visteon Sistemas Automotivos também participou do seminário mostrando os projetos que a empresa desenvolve na área social, como reciclagem de alumínio, parceria com entidades que cuidam de crianças de rua, o incentivo aos funcionários para que façam trabalhos voluntários, entre diversos outros projetos. "O objetivo da nossa participação neste evento foi tentar compartilhar com empresários e estudantes de Bauru a nossa vivência na área do social, mostrar o que nós fazemos em projetos e ações como empresa. Há muito tempo a Visteon desenvolve ações sociais e nós quisemos compartilhar isso deixando claro, a todos, que nós não tentamos fazer com que o modelo Visteon seja imposto, e sim, trazer um pouco da nossa experiência e tentar motivar os empresários daqui a investir nisso também", disse Leonardo Bissoli, diretor de Recursos Humanos da Visteon, com sede em Guarulhos (SP).

De acordo com ele, existem inúmeros projetos sociais que são totalmente viáveis e fáceis de colocar em prática, que podem ser adotados por empresas de qualquer porte. Porém, a característica principal de uma ação social, citada por Bissoli, é a continuidade.

"Não adianta nada você tomar uma atitude isolada, de uma única vez. O que funciona é desenvolver um trabalho contínuo, que vai beneficiar diversas pessoas durante muito tempo", disse Bissoli.

De acordo com ele, as companhias que não se prepararem para assumir a sua responsabilidade social, não serão competitivas e não sobreviverão à nova geração de empresas. "Uma empresa mexe com o meio ambiente e com a comunidade em que ela está inserida. Então, é muito importante, e até estratégico, que elas exerçam sua função social. Isso é possível para organizações de qualquer tamanho. Não

é preciso mega investimentos para atuar no social. Há projetos viáveis para cada tipo de empresa", afirmou Leonardo Bissoli, que participou do seminário juntamente com Eliane Rossini Spolaor, coordenadora de assuntos comunitários e sociais da Visteon.

GEA

Mila Fabris, representante do Grupo Empresarial de Apoio (GEA), participou do seminário promovido pelo Sesi divulgando o trabalho que o Grupo vem desenvolvendo há quatro anos em Bauru. A campanha mais conhecida coordenada pelo GEA é a de doação de parte do Imposto de Renda para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

"A partir deste ano o GEA assume uma postura mais ampla do seu trabalho. Nós já estamos trabalhando na criação de uma Fundação GEA, que vai possibilitar conseguir verbas governamentais e de outras instituições nacionais e internacionais. Ou seja, nós vamos buscar verbas de outras fontes para investir nos projetos voltados às crianças e adolescentes de Bauru", disse Mila Fabris.

Outro projeto, que segundo ela será implementado também este ano, é o Parceiros do Futuro. "Este projeto é completamente inserido neste contexto que está sendo discutido no seminário, de que as empresas deixem de doar apenas recursos financeiros e passem a se unir às entidades para transferir a elas o seu conhecimento e a sua competência utilizando o talento dos funcionários que se dispõem a trabalhar como voluntários, de forma que essas entidades tenham condições de se auto gerir num futuro bem próximo", destacou Mila Fabris.

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