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Taxa de juros

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 2 min

Copom deve manter taxa de juros em 18,5%, prevêem economistas

Texto: Paulo Toledo

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter inalterada a taxa de juros básica (TR) em 18,5% com viés neutro, na busca de tentar demonstrar que o País não está tão vulnerável o nervosismo do mercado internacional, como o fato da Argentina não estar conseguindo cumprir suas metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a possibilidade de novo aumento dos juros nos Estados Unidos.

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia, Reinaldo

(Corecon) César Cafeo acredita na manutenção da taxa de juros em 18,5%, em razão do nervosismo do mercado, principalmente nas áreas de câmbio e Bolsas de Valores, já que as outras variáveis internas estão controladas - como a inflação e a expansão da economia no primeiro trimestre, que é indicativo de que foi trilhado um caminho de sucesso.

Por outro lado, o delegado do Corecon diz que o quadro internacional provoca insegurança da conservadora equipe econômica. Ele lembra que a Argentina não está conseguindo cumprir as metas junto ao Fundo Monetário Internacional

(FMI), o que deve provocar problemas, em breve, para que consiga saldar seus compromissos. "Começa uma pressão do FMI para uma desvalorização do peso. Os argentinos vem mantendo essa paridade desde a época do Plano cruzado", afirmou.

Essa insegurança provoca uma contaminação dos investidores estrangeiros, que começam a se retirar da Argentina, com medo do que pode ocorrer. Há um temor que isso possa afetar o mercado brasileiro.

Além disso, as Bolsas brasileiras estão sofrendo os efeitos da Nasdaq, a bolsa de alta tecnologia dos Estados Unidos, e pelo índice Dow Jones. O mercado está operando muito estreitamente na Bolsa. O mercado do câmbio também vem operando sob pressão.

Cafeo diz que essas variáveis acabam sendo um indicativo para o Banco Central brasileiro, pois criam a possibilidade de estar afugentando os investidores internacionais se houver uma redução. Na visão dele, uma redução de 0,5% seria uma boa resposta para o mercado. Porém, o conservadorismo do Copom e da equipe econômica devem provocar a manutenção da taxa de juros básica de 18,5%, com viés neutro. "Essa posição conservadora foi a tônica desse período todo, mesmo antes de Armínio Fraga. Se aumentar é uma demonstração de fraqueza. Se diminuir afugenta mais rapidamente os investidores, neste momento que o mercado tenta avaliar a dimensão da crise da Argentina", afirmou.

O delegado do Corecon lembrou, ainda, que o Banco Central norte-americano

(FED) já sinalizou que se a inflação dos Estados Unidos subir haverá novo aumento da taxa de juros. Isso é mais um motivador para a manutenção da taxa.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE) Wagner Ismanhoto é outro que acredita na manutenção da taxa de 18,5% em viés neutro, para dar uma mostra de segurança da economia do País, tentando passar a imagem de que o Brasil não está tão vulnerável a essas mudanças internacionais.

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