Geral

Homicídio

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Ex-namorado executa adolescente por ciúme

Texto: Rita de Cássia Cornélio

A estudante Ludmila Ferreira da Silva, 17 anos, foi morta, na quarta-feira, supostamente por seu ex-namorado, Jeter de Freitas, 23 anos. O corpo da adolescente foi encontrado, no início da noite do mesmo dia, na estrada vicinal que liga a cidade de Piratininga a Marília. O acusado está foragido e a família da vítima, transtornada com a tragédia.

Os pais da adolescente não se conformam com a morte da

única filha. O casal tem mais um filho de 11 anos. Os dois não tiveram condições emocionais para falar com a reportagem - ambos estavam sob efeito de medicamentos.

O tio, Adilson José Ferreira, não se conforma e classifica a situação como uma tragédia irreversível.

"Esperamos que a polícia prenda o criminoso. O que ele fez não está certo", disse. Ontem, no velório da adolescente, a emoção e a revolta tomaram conta dos amigos e parentes da família.

A família do acusado, proprietária de uma padaria na Vila Ipiranga, fechou o estabelecimento e ninguém soube informar onde eles estavam. Informações extra-oficiais dão conta de que o acusado está escondido na cidade de São José do Rio Preto, na casa de parentes. Moradores da região dizem que a mãe deixou o local na noite do crime carregando travesseiros e cobertores.

Crime

De acordo com o tio da vítima, o crime deve ter acontecido depois das 17 horas. "Ela trabalhou na loja da minha irmã, na Vila Nova Esperança, até as 16 horas. Embarcou em um ônibus em direção à casa dela. Ia ajudar o seu irmão a fazer tarefa", contou.

O ex-namorado, segundo a família, teria acompanhado todo o trajeto do ônibus. "Soubemos que ele seguiu o ônibus até ela descer. Quando ela desceu, ele parou o carro e, não sei como, colocou ela dentro do carro. Depois disso, ela não foi vista por mais ninguém", afirmou o tio da vítima.

No início da noite, a mãe do acusado, segundo a família da vítima, teria ligado para a casa da adolescente dizendo que seu filho teria cometido uma besteira. "Ela ligou e disse que o filho dela teria matado minha sobrinha", disse Ferreira. Segundo ele, a mãe de Jeter teria recebido um telefonema dele. "Ela (a mãe) disse que ele (Jeter) havia ligado e pedido socorro", ressaltou. De acordo com a polícia, o corpo da adolescente foi encontrado por um agricultor que transitava pela estrada vicinal.

Casal havia terminado namoro há dois meses

O tio da adolescente, Adilson José Ferreira, disse que Ludmila e Jeter foram namorados durante dois ou três anos.

"Eles namoraram, mas a mãe dele não gostava da minha sobrinha. Em função disso, minha irmã, mãe da Ludmila, passou a não concordar com o namoro dos dois", disse o tio.

O casal teria se separado há dois meses. "Eles terminaram o namoro. Sabemos que ele colocou um rapaz, talvez um detetive, para vigiá-la. Essa pessoa teria fotografado Ludmila conversando com um amigo de escola. A foto foi parar nas mãos do Jeter e ele ficou enfurecido", contou Ferreira.

De acordo com o tio, Jeter vivia "dando em cima" de Ludmila. "Ele dizia que gostava dela e vivia pressionando-a a voltar a namorar com ele. Eu não acredito que ele gostava dela. Uma pessoa que gosta não faz o que ele fez", acredita o tio.

A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) de Bauru e a Delegacia de Polícia de Piratininga estão trabalhando para localizar o acusado, mas até ontem à tarde não havia pistas concretas do paradeiro dele.

Em tese, Jeter de Freitas poderá responder pelo crime de homicídio doloso, em liberdade, porém, a decisão será tomada, posteriormente pelo delegado que presidir o inquérito. O estado de flagrante, em tese, não poderá ser considerado, uma vez que não houve perseguição.

Um dos possíveis caminhos que o delegado poderá seguir é prendê-lo e pedir a prisão temporária, até que o crime seja esclarecido totalmente. Em seguida, dependendo do caso, poderá ser pedida a prisão preventiva.

O homicídio prevê uma pena que varia de seis a 20 anos de reclusão. Como o crime foi cometido com dolo, a pena deve ser aumentada, dependendo das qualificadoras. Se ficar comprovado que a vítima foi estuprada antes de morrer, o crime se torna mais grave e a pena também. Ambos os crimes são hediondos.

Instituto Médico Legal

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru revela que a adolescente Ludmila Ferreira da Silva foi atingida por cinco tiros, calibre 38. O primeiro deles atingiu o peito da vítima, mas não penetrou. O segundo tiro atingiu o lado esquerdo do rosto, o que revela que o autor encostou a arma no rosto da adolescente.

O terceiro tiro foi disparado atrás da orelha; o quarto acima da orelha e o último, no meio da cabeça. A vítima não tinha sinas de agressão e possivelmente tenha sido morta fora do carro, no local onde o corpo foi encontrado.

De acordo com o laudo IML, há suspeitas de que o acusado tenha mantido relações sexuais com a vítima, antes de matá-la. Uma amostra de uma substância encontrada na vagina da adolescente está sendo analisada.

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