Empresas de Transporte Coletivo tentam acordo com Sindicato
As empresas de transporte coletivo de Bauru, informaram, ontem, que estão, desde abril deste ano, negociando com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários em Geral de Bauru e Região (Sindtran), numa tentativa de chegar a um denominador comum em relação às reivindicações da categoria.
De acordo com as empresas, o Sindicato propôs um reajuste salarial de 29% nas primeiras mesas-redondas realizada na Subdelegacia do Ministério do Trabalho, "embora o índice inflacionário do ano passado tenha ficado bem abaixo deste valor". "Porém, numa tentativa de composição amigável com os trabalhadores, as empresas vêm estudando as possibilidades de conceder algum reajuste, embora enfrentem sérios obstáculos que as impossibilitam de atender os pedidos do Sindicato", informou nota das empresas.
As concessionárias alegam que, primeiramente, há três anos, as empresas de ônibus atendiam a uma média de 4,5 milhões de passageiros/mês. Segundo elas, outras opções de transporte, como mototáxis, colaboraram com a diminuição de passageiros. Apesar disso, informam, a empresas contam com a mesma frota, para atender o número reduzido a 3,2 milhões de passageiros/mês,
"visto que a Emdurb não autorizou a redução da frota para a adequação do sistema de transportes".
As concessionárias afirmam que, assim, em três anos, suas despesas continuam aumentando e com uma considerável redução no número de passageiros transportados.
"A tarifa congelada somada ao fato de que a Emdurb deve às empresas de ônibus algo em torno de R$ 2 milhões do repasse feito pela Câmara de Compensação Tarifária, prejudicam a operação das empresas, impossibilitando, desta forma, o atendimento às reivindicações sindicais".
De acordo com as empresas, "mesmo diante de todas essas dificuldades, os motoristas e cobradores da cidade de Bauru têm o maior salário da região, em virtude dos bons acordos feitos pelo Sindicato em anos anteriores, sempre favorecendo os empregados, onerando as empresas".
As concessionárias afirmam que, atualmente, Bauru tem uma das tarifas mais baixas do Estado de São Paulo, conforme tabela comparativa abaixo em termos de salários e tarifas
(veja quadro).
cidade motorista cobrador tarifa
Araçatuba R$ 412,59 R$ 247,55 R$ 1,00
Araraquara R$ 470,00 R$ 294,00 R$ 0,90
Bauru R$ 631,51 R$ 405,24 R$ 0,90
Bebedouro R$ 485,23 R$ 291,14 R$ 0,95
Botucatu R$ 412,00 R$ 220,00 R$ 0,90
Franca R$ 609,00 R$ 403,20 R$ 0,95
Limeira R$ 520,00 R$ 320,00 R$ 1,00
Marília R$ 455,00 R$ 290,00 R$ 1,00
Olímpia R$ 490,00 R$ 293,00 R$ 1,00
Pindamonhangaba R$ 530,00 R$ 320,00 R$ 1,00
Presidente Prudente R$ 445,00 R$ 296,50 R$ 1,10
Registro R$ 507,00 R$ 302,00 R$ 1,00
Ribeirão Preto R$ 627,00 R$ 440,00 R$ 0,95
Fonte: Concessionárias do serviço de transporte coletivo de Bauru
Negociações entre Sindicato dos Condutores e empresas têm avanço
Texto: Andréia Alevato
Um "pequeno avanço" por parte de duas das três empresas de transporte coletivo urbano. Esse foi o resultado da mesa redonda realizada na última sexta-feira, no Ministério do Trabalho, segundo o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários, Elias Pinheiro da Silva.
Ele afirmou que as empresas TUA e Kuba, que estavam oferecendo 0% de reajuste, ofereceram 3% de abono. Depois de uma discussão, as empresas ofereceram os 3% como reposição salarial. A proposta foi negada novamente pelo Sindicato. Por esse motivo, uma nova reunião será realizada, no início desta semana, para discutir a proposta. A categoria reivindica um reajuste salarial de 10%, ticket alimentação no valor de R$ 80,00 e na igualdade dos salários dos cobradores em todas as empresas. Atualmente, de acordo com Silva, os salários dos cobradores da TUA e Kuba são R$ 37,00 mais baixo do que os dos profissionais da ECCB.
"Essa foi a melhor proposta das empresas até agora. Nós não aceitamos e estamos insistindo no reajuste salarial de 10%, ticket no valor de R$ 80,00 e na igualdade dos salários dos cobradores", disse Silva.
Sobre a ECCB, o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários afirmou que a empresa manteve sua proposta em não dar nenhum aumento de reposição salarial, retirar o ticket alimentação no valor de R$ 80,00 e diminuir de três para dois turnos da jornada de trabalho.
Silva disse que as empresas alegam que têm dificuldade em implantar o terceiro turno na jornada de trabalho e conceder o ticket alimentação por não serem remunerados pela Emdurb.
"Todas as empresas têm alegado como dificuldade maior, principalmente para aplicar o terceiro turno e dar o ticket alimentação, a falta de remuneração por parte da Emdurb. O presidente da autarquia se manifestou favorável a implantação do terceiro turno. Mas, na reunião no Ministério do Trabalho, representantes da própria Emdurb foram claros que se as empresas concederem o ticket ou o terceiro turno, elas terão que arcar com isso sem receber", completou Silva.
Para ele, a atitude da Emdurb prejudica os trabalhadores.
"Temos tido muita dificuldade em negociar nossos acordos coletivos porque, como pudemos avaliar, a Emdurb trabalha fora do custo operacional das empresas e isso recai sobre os cobradores e motoristas. Se a empresa não recebe por u benefício, ela não vai querer repassar para o trabalhador", afirmou.
Manifestações e paralisações não estão descartadas, caso empresas e Sindicato não cheguem a um acordo comum.
"Não descartamos a possibilidade de realizar qualquer tipo de protesto, caso os empresários não se sensibilizem a favor das nossas reivindicações. Poderemos paralisar as atividades e ocupar as dependências da Emdurb e a região do Palácio das Cerejeiras. Estamos tentando negociar da melhor maneira possível para evitar transtornos para a população", concluiu Silva.