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Alergia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Asma é a 5.ª causa de internações no SUS

Texto: Sabrina Magalhães

Os médicos têm registrado, nos últimos anos, alergias pouco comuns. É o caso da alergia feminina ao sêmem ou da alergia ao látex, que impede o uso de luvas e preservativos

De acordo com o Ministério da Saúde, a asma é a quinta maior causa de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), atingindo aproximadamente 16 milhões de brasileiros. Entre as crianças, é a segunda doença crônica mais comum, só perdendo para a desnutrição. Nos ambulatórios, é responsável por 5% das consultas pediátricas. Nos serviços de urgência pediátrica, atinge 16% dos atendimentos e, entre adultos, cerca de 12%.

"A asma é uma doença dos pulmões que se caracteriza por inflamação dos brônquios, que ficam estreitados e dificultam a passagem do ar", explica a alergista Elaine Gagete da Silva. Com isso, o paciente sente falta de ar, pode apresentar chiado no peito, catarro, febre e tosse, sendo que a tosse é uma forma que o organismo tem de tentar abrir os brônquios, permitindo a passagem do ar.

A doença pode aparecer em qualquer fase da vida e, por ser genética, é crônica. Então, precisa ser tratada adequadamente, pois mesmo depois de passar anos sob controle, pode reaparecer. Geralmente isso ocorre por interrupção indevida dos medicamentos, por contato prolongado com substâncias alérgenas, por uma mudança muito brusca de temperatura, por uma gripe forte ou mesmo por uma instabilidade emocional de grande repercussão.

Por isso, além de tentar evitar os elementos que desencadeiam crises, o asmático precisa ser medicado. O produto mais conhecido é o bronquiodilatador - as "bombinhas". Mas atenção: são produtos que apresentam efeitos colaterais e podem viciar. Alguns chegam a causar, inclusive, uma piora da obstrução nasal. Então, eles só devem ser usados sob orientação médica, como qualquer outro medicamento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Sbai), ao contrário do que muitos pensam, o asmático não deve deixar de praticar esportes. A atividade física é fundamental para melhorar a capacidade respiratória do indivíduo, principalmente a natação. Evidentemente,

é preciso que o indivíduo goste e queira praticar o esporte. E este deve sempre ser adequado à faixa etária do asmático. Se durante a atividade houver uma crise, o médico deve ser comunicado, para adotar as medidas indicadas ao caso, que pode simplesmente exigir o uso de um bronquiodilatador antes do exercício.

Eczema

A alergia pode também se manifestar na pele. É o caso da dermatite atópica, ou eczema - uma doença caracterizada pelo ressecamento da pele, com vermelhidão e descamação. Algumas vezes, chega a apresentar rachaduras e até sangramento. Essas alterações provocam coceira intensa e quanto mais a pessoa se coça, pior fica a eczema.

Este tipo de reação pode aparecer pelo contato direto com alérgenos, como sabonete, produtos de limpeza e poeira, como pode manifestar-se também por alterações emocionais, principalmente pela ansiedade e pelo estresse. Além de tentar evitar todos esses elementos, a pessoa que tem tendência a sofrer de eczema deve evitar o uso de água muito quente, adotar produtos neutros (sabonete e xampu), roupas de algodão

(também lavadas com sabão de coco e sem amaciante ou alvejante). Também não devem coçar a região lesada e só usar cremes e pomadas indicadas pelo médico.

Urticária

A urticária é outro tipo de alergia que aparece na pele, só que com a formação de manchas vermelhas ou vergões e com coceira ainda mais intensa que nas eczemas. Ela pode vir acompanhada de angioedema (inchaço nas pálpebras, lábios, orelhas ou outras partes do corpo). Neste caso, é preciso redobrar a atenção, pois pode haver edema de glote, uma "válvula" na garganta que regula a passagem do ar. Inchada, ela pode resultar em asfixia do alérgico.

A urticária também pode ser causada por qualquer substância alérgena, sendo mais comum por alergia a medicamentos, principalmente os analgésicos, antibióticos

(penicilina e derivados) e antiinflamatórios. Alimentos, picadas de insetos, doenças infecciosas e fatores emocionais também podem resultar em urticária.

Quando é aguda (dura menos de seis semanas), é facilmente tratável. Mas pode tornar-se crônica, virando um desafio tanto descobrir sua causa, como sanar o problema.

Alergias diferentes

Pesquisas internacionais e casos clínicos no Brasil mostram que algumas pessoas têm reações alérgicas pouco comuns. Um desses casos é a alergia a sêmem, que leva mulheres a desencadear reações quando têm contato com esperma. Elas podem sentir dores e apresentar erupções cutâneas (feridas). Algumas chegam a ter irritação na pele, vômitos, diarréia, asma e até choque anafilático depois de uma relação sexual. Nesse caso, o tratamento é conduzido com processos de dessensibilização.

Há também a alergia ao látex, um dos componentes da borracha, presente em luvas e preservativos. É um grande problema, principalmente para profissionais da saúde e pessoas que mantêm múltiplos parceiros sexuais. O que a maioria não sabe, no entanto, é que pacientes com alergia ao látex não podem ingerir banana, kiwi ou maracujá, pois pode haver uma reação cruzada, resultando em complicações bastante graves.

Também pode ocorrer alergia a determinados alimentos, principalmente em função dos corantes, conservantes, acidulantes e outras substâncias químicas que são comumente adicionadas aos produtos industrializados. Neste caso, basta seguir uma dieta com produtos mais naturais, como frutas, verduras e legumes. Agora, há registros de pessoas que são alérgicas à proteína (carne, leite, ovos e seus derivados). Neste caso, é indispensável um acompanhamento nutricional, pois a proteína é um elemento essencial para o organismo, sendo responsável, principalmente, pelo desenvolvimento da massa muscular.

Fonte: Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia

(Sbai)

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