Jaú tem primeiro caso de adoção irregular confirmado
Texto: Andréia Alevato
A Polícia Civil de Jaú já tem o primeiro caso do inquérito que investiga casos de "adoção
à brasileira" na cidade. Seis pessoas que participaram da suposta adoção irregular serão indiciadas em inquérito. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela Polícia.
O delegado Antônio Carlos Piccini Filho, de Jaú, afirmou que a denúncia do caso foi feita pela mãe biológica da criança, depois de saber, através da imprensa, que casos de adoção irregular estavam sendo investigados. A mãe biológica mora em Potunduva, distrito de Jaú, e tem 23 anos.
O delegado disse que todos os indiciados confirmaram que a maternidade da Santa Casa não tem nenhuma ligação com o caso.
De acordo com o depoimento da mãe adotiva, a criança foi doada por ela na porta da maternidade, em março deste ano, depois de combinar com os pais adotivos da criança. Ela disse que resolveu dar a criança por já ter outros três filhos e não ter condições financeiras para cuidar de outro. Consta no inquérito que aproximadamente um mês antes do parto, a mãe adotiva foi procurada por uma mulher que disse conhecer um casal interessado em adotar a criança. A mãe biológica se internou no hospital com o nome da mãe adotiva. Além dos pais adotivos e da mãe biológica, participaram da possível adoção os avós adotivos e uma tia adotiva. As seis pessoas serão indiciadas.
"A tia adotiva contou que a mãe biológica fez o exame Pré Natal no Posto de Atendimento Infatil (PAI) usando o nome da mãe adotiva. No dia do parto, a mãe biológica deu entrada na maternidade da Santa Casa, acompanhada pela tia adotiva. Essa tia contou que os funcionários do hospital pediram apenas um "cartãozinho verde" preenchido por um policial mirim no PAI e nenhum documento a mais", contou o delegado.
A criança foi registrada como filha biológica dos pais adotivos.
Todos os indiciados foram ouvidos e a versão da "adoção
à brasileira" é a mesma em todos os depoimentos.
"Todos os indicados confirmaram saber que a atitude não era correta e se demonstraram aliviados em poder contar a verdade", completou Piccini.
A mãe adotiva tem 17 anos e o pai 20 anos e atualmente moram em uma cidade próxima à Capital. O delegado contou ainda que durante o depoimento, a mãe adotiva disse que só fez a adoção de forma ilegal porque já havia tentado, há pouco mais de um, adotar uma criança, mas não conseguiu por ser menor de idade.
Os suspeitos de adoção ilegal serão indiciados pelo artigo 242 do Código Penal. A pena para esse crime varia entre 2 a 6 anos de reclusão
O delegado Puccini também descartou qualquer possibilidade de participação de médicos, enfermeiros e funcionários do hospital no caso. Mas, disse que a Santa Casa poderá ser responsabilizada por não fazer a identificação correta da mãe biológica.
"Todos os indiciados confirmaram que ninguém do hospital sabia da rama, mas a Santa Casa poderá ser responsabilizada por não identificar corretamente a mãe biológica".