SindSaúde espera a adesão de 100% do Lauro de Souza Lima à greve
Texto: Erika de Lima
Uma adesão de 100% dos funcionários do hospital Lauro de Souza Lima à greve. É isso que o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde) que esteve presente ontem, na instituição, espera para hoje.
Até ontem, 30% dos funcionários haviam aderido ao movimento. "Nossa expectativa é que aumente significativamente a porcentagem dessa adesão", menciona a representante do SindSaúde Mariuze Inês Pereira Miranda.
Representantes do sindicato afirmam que a visita ao hospital bem como em outras instituições estão sendo realizadas afim de dar resposta ao Governo, quando disse que cortaria os vales-transporte e descontaria os dias em que houve greve. "Nós estamos fortalecendo a greve para mostrar ao governo que ameaças não vão desestimular o movimento", afirma Iraci Borges Pereira Luz, uma representante do comando de greve da regional de Bauru.
O SindSaúde irá exigir dos profissionais que não aderiram à greve, que trabalhem normalmente cumprindo sua jornada de trabalho. "Estamos exigindo que os funcionários contrários à recusa (que estão contra nós) continuem prestando serviços à comunidade normalmente. Denunciaremos quem não estiver trabalhando, porque quem for grevista está em serviço", relata Iraci.
Uma das causas dessa exigência é o descumprimento contratual dos profissionais de saúde. Conforme Iraci, alguns não aderiram à greve e estão trabalhando menos horas por dia ou mesmo faltando ao trabalho. Por isso, o SindSaúde estará passando uma listagem nos hospitais públicos para que todos os funcionários assinem o horário de entrada e saída do serviço.
Segundo Iraci, as diretorias administrativas bem como a do hospital Lauro de Souza Lima estão punindo aqueles que estão no movimento. Um exemplo das punições aos funcionários
é a carta que a diretoria técnica do hospital fez. Nela consta que serão cortadas as férias, os passes, licenças de saúde, faltas abonadas e doação de sangue, para aqueles que aderiram à greve. "Estamos revoltados com essa situação, porque há funcionários que não aderem e, acabam fazendo mal à população. Quem não estiver trabalhando deve ser denunciado, e também não há como "cortar" nossos direitos", disse Iraci incisivamente.
O movimento está em assembléia permanente em todo o Estado de São Paulo, enquanto houver greve. No hospital Lauro de Souza Lima começou ontem.
A assembléia faz parte de um planejamento estratégico, onde todos os grevistas se reunirão para levantar problemas ocorridos nas unidades, procurando uma solução para eles. Um exemplo do que será debatido é o refeitório que há no hospital Lauro de Souza Lima, que é terceirizado e acaba custando mais caro ao Estado.
De acordo com Iraci, os funcionários do Lauro de Souza Lima, recebem como alimentação pão com mortadela, que custa R$ 3,50, ao contrário de uma refeição que custa R$ 2,00 ao Governo. "Essa e outras questões serão levantadas através de seminários realizados na assembléia permanente, para após as discussões apresentarmos à diretoria novas idéias", argumenta Mariuze.
Hoje está tendo uma negociação em São Paulo com o secretário da Saúde, José da Silva Guedes, sobre o corte de ponto dos funcionários, porque houve um comprometimento dele de que não haveria repressão, mas o governador Mário Covas disse em reportagens o contrário. "Queremos saber quem está falando a verdade", frisa Iraci.
O movimento continua forte. Amanhã, às 11 horas, haverá uma reunião de todo o funcionalismo público em frente a Assembléia Legislativa ou Masp (ainda será decidido em quais desses locais será o encontro), para depois seguir em passeata para a avenida Paulista.