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Cirertran

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Carro é leiloado como sucata

Texto: Márcia Buzalaf

Um veículo GM Caravan foi leiloado como sucata pela 5.ª Circunscrição de Trânsito de Bauru (Ciretran) no ano passado mas, segundo seu dono, seu estado era ótimo. Francisco Emílio Azevedo Salgado, dono do veículo, ficou com seu nome constando no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), já que seu carro foi leiloado sem ter sido quitado junto à financiadora.

O veículo foi a leilão no ano passado, quando sua dívida com o Pátio-Bauru somava mais de R$ 3 mil. Salgado reclama que, além do carro estar em ótimas condições para ir a desmanche, ele não recebeu nenhuma quantia em resposta à venda do veículo, que tem seu valor de mercado estimado em R$ 5,5 mil.

A Caravan é ano 86 e havia sido vendida para um ex-sócio de Salgado, apesar de não ter sido transferido oficialmente para seu nome. Ele teria sido encarregado de arcar com as três parcelas restantes do financiamento com a empresa BBA Finaustrea.

O ex-sócio do denunciante não pagou a dívida com a financeira e Salgado, por este motivo, registrou um Boletim de Ocorrência de preservação de direitos.

"O carro foi apreendido dia 22 de abril de 98, mas eu só fui ficar sabendo que o carro tinha sido apreendido em outubro", explica.

Salgado conta que o Pátio-Bauru enviou um ofício, de número 66/99, em outubro de 98, comunicando que o veículo iria a leilão. Segundo conta o denunciante, quem estava com o carro não teria pago o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Salgado foi até o pátio, mas, nesta época, a dívida do veículo já estava alta demais.

O nome de Salgado, que é português e vive há nove anos no Brasil, teria sido então cadastrado no SPC. Ao entrar em contato com a financeira, ele descobriu que o ex-sócio não pagou nenhuma das parcelas remanescentes. A financeira teria oferecido, então, um desconto para que a dívida fosse paga, o que diminuiria o débito de quase R$ 5 mil para R$ 1,5 mil.

Ciretran

Salgado deve ir até a Ciretran para oficializar sua reclamação, que, segundo Edson Cardia, corregedor que coordena as investigações, fará parte da sindicância interna da delegacia de trânsito. A apuração dentro do órgão está voltada à descoberta de possíveis irregularidades nos processos de licitação para leilões de veículos apreendidos no Pátio-Bauru, além do sumiço de 29 páginas de uma licitação de dentro da própria delegacia.

Cardia explica que os dados deste veículo na Ciretran informam que ele foi leiloado, mas que tinha uma pendência financeira. O corregedor da Ciretran ainda diz que, dependendo do valor que o carro adquiriu no leilão, o débito com a financeira também deveria ter sido quitado pelo próprio Pátio-Bauru, já que o veículo virou sucata.

Ele ainda informa que não há nada demais em um carro que estava em condições normais de tráfego ter ido a desmanche, já que muitas vezes o valor para tirar o veículo do pátio é maior do que o preço do próprio carro. No caso do veículo de Salgado, não consta nenhuma pendência de multas ou impostos dentro da Ciretran.

Na opinião de Salgado, o leilão não deveria ter sido feito nesta situação: "Eu acho que não deveriam ter feito isso sem me consultar, ou seja, um carro que está alienado, que eu vendi para alguém, que não pagou", lembra. Salgado diz que, até hoje, recebe cartas do sistema de cobrança da financeira exigindo a quitação do débito. "E o carro já foi até para desmanche", comenta.

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