Geral

Homicídio

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Comerciante confessa que matou namorada porque era traído

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Uma semana depois de a estudante Ludmila Ferreira da Silva, 17 anos, ter sido assassinada, o comerciante Jeter Freitas, 23 anos, se apresentou na Delegacia de Piratininga, cidade onde o crime aconteceu, e confessou que foi o autor dos tiros que a matou. Ele alegou que estava sendo traído e que pretendia matar a namorada e, em seguida se suicidar, mas faltou-lhe a coragem.

O comerciante foi ouvido preliminarmente na noite de quarta-feira, quando se apresentou na companhia de seu advogado e familiares. Sob efeito de calmantes, Freitas não teve condições de responder todos os questionamentos da polícia. O delegado de Piratininga, Eduardo Sganzela, pretende ouvi-lo nos próximos dias, na presença do promotor de Justiça.

Nas declarações preliminares, Jeter Freitas não conseguiu explicar muita coisa. Em suas declarações, a polícia já detectou várias contradições que serão investigadas. Uma delas é que as balas encontradas são de calibre 38 e o rapaz alega ter usado um revólver calibre 32. A arma usada no crime não foi apresentada. Freitas disse ter jogado o revólver no rio Tietê, próximo da cidade de Ibitinga.

A alegação do comerciante tem uma explicação lógica, que pode ter sido instruída por seu advogado. Se ficar provado que ele usou um revólver calibre 38, de cinco tiros, ele teria descarregado a arma na vítima. Vale lembrar que há no mercado, armas especiais de calibre 38 com seis tiros.

Sua versão de que se suicidaria posteriormente estaria derrubada caso o revólver fosse dos modelos tradicionais de cinco tiros. No caso dele ter usado um revólver calibre 32, de seis tiros, sua versão seria verdadeira e o crime passional. Em suas declarações, o comerciante tentou se livrar dos indícios de crime premeditado. A arma pertenceria

à padaria de propriedade da família e estaria com ele porque haveria uma pessoa ameaçando-o de morte.

Versão do acusado

A aparência do comerciante Jeter Freitas, 23 anos, segundo informações extra-oficiais, eram de quem não passava bem. Ele estaria sob efeito de calmantes. Ele confessou o crime e apontou o ciúme e a traição como os fatores que culminaram com o assassinato. Na versão de Jeter, ele continuava namorando a vítima, embora a família dela desconhecesse o fato. Ele cita, inclusive, que foi noivo de Ludmila por um ano. Ele alega que a estudante e ele se encontravam

às escondidas porque o pai dela não aprovaria o namoro.

Jeter disse que notou uma mudança no comportamento de Ludmila, o que teria motivado-o a pedir que uma pessoa fizesse escuta telefônica na casa da vítima. Nas fitas gravadas ele teria descoberto que ela estaria traindo. Enfurecido, Freitas teria ido procurá-la na loja que ela trabalhava, na Vila Nova Esperança, mas ela já tinha saído e embarcado no circular.

A vítima teria desembarcado do ônibus e embarcado no carro do comerciante. Os dois teriam discutido no interior do carro ao mesmo tempo em que ele se dirigiu para a rodovia Bauru/Marília. As discussões se acirraram e ele procurou um local mais calmo, a vicinal Piratininga/Marília.

No local, onde ocorreu o crime, os dois teriam desembarcado do carro e durante o calor das discussões, ele teria atirado na vítima. Freitas descarta a possibilidade de ter mantido relações sexuais com a vítima antes de matá-la. Após cometer o crime, ele teria ido em direção

à cidade de Ibitinga, onde dispensou a arma no rio Tietê. Ele não contou onde teria ficado escondido. Ele disse, em depoimento, que pretendia usar o último tiro do revólver para se suicidar, porém não teve coragem suficiente.

Próximos passos

O delegado titular da Delegacia de Piratininga, Eduardo Sganzela, pretende ouvir o comerciante Jeter de Freitas em depoimento, de preferência na companhia do promotor da cidade e do advogado do acusado.

O delegado pretende pedir a prorrogação da prisão temporária - que vence domingo -, até que sejam colhidos depoimentos e provas para pedir a prisão preventiva.

"Há testemunhas e laudos a serem juntados ao inquérito. Não estamos convictos da história apresentada por ele. Há contradições. Vamos continuar investigando o crime", disse.

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