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Esclerose

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Tratamento visa a controlar surtos

Texto: Sabrina Magalhães

Única associação de apoio do País faz campanha em busca de doações. Sem dinheiro, ameaça deixar de atender mais de 3.000 pacientes

Com tudo o que foi comentado a respeito da esclerose múltipla, conclui-se que tratar a doença é muito difícil. Afinal, sem saber qual é a sua causa, fica impossível combatê-la na origem. Assim, o tratamento se resume ao alívio dos sintomas e ao desafio de tentar tornar os surtos menos freqüentes e mais curtos.

Segundo os especialistas, muitos sistemas terapêuticos já foram tentados e mostraram-se ineficazes. Até hoje, não há nada capaz de deter a evolução natural da esclerose múltipla e a reversão da incapacidade física, exceto nos episódios de surtos agudos, também

é impossível.

Segundo Laertel Fassoni, a doença pode se manifestar de diferentes formas: "Tem a esclerose múltipla remissiva, que se repete, que dá um surto, o paciente melhora, fica um tempo bem, depois tem outro surto, melhora. E tem a esclerose progressiva, em que a doença só evolui, sem haver cura daquele surto, sem haver melhoras parciais. E nós só dispomos de tratamento medicamentoso, que é muito insuficiente".

No caso da esclerose remissiva, a terapêutica atual visa a reduzir as repetições dos surtos, aumentando o intervalo entre um e outro e retardando o aparecimento dos sintomas. Quando vem um surto ou durante crises agudas, o médico opta por drogas capazes de abreviar as alterações.

"Assim, tentamos dar melhores condições de vida para o paciente. Então, não é um tratamento curativo, mas um tratamento de sustentação."

Alternativas

Para minimizar os efeitos negativos que a doença tem sobre os aspectos emocionais do paciente, os especialistas recomendam acompanhamento e apoio psicológico. Assim, ele é incentivado a não abandonar suas atividades normais (na medida do possível) ou a adaptar-se às novas limitações. Esse cuidado evita que o paciente tenha crises depressivas ou se deixe cair num leito, o que certamente acabaria acelerando uma condições de invalidez.

Outra alternativa muito utilizada no tratamento das complicações da esclerose múltipla é a fisioterapia, que ajuda a manter a mobilidade dos membros e reduz os riscos de contraturas ou lesões.

E uma experiência que tem apontado para um futuro promissor

é o uso de drogas cujo princípio ativo é o mesmo da maconha. As pesquisas têm conseguido reduzir a dor dos pacientes com tais medicamentos. No entanto, por enquanto os médicos não estão autorizados a receitar tais produtos, a não ser para os casos credenciados para a pesquisa. Os estudiosos precisam encontrar uma via alternativa de administração da droga, que não a forma inalatória.

Recomendações

* O paciente e sua família devem ser informados sobre o diagnóstico, citando o nome específico da doença assim que o diagnóstico estiver confirmado; desta maneira, eles estarão em condições de se valerem de todos os serviços e instituições disponíveis e será menor a probabilidade de recorrerem inutilmente a tratamentos não consagrados;

* Convém explicar-lhes a doença de maneira clara e inteligível, apresentando um prognóstico realista, sem, contudo, desanimá-los;

* O paciente deve ser reavaliado a intervalos regulares para fins de aconselhamento, descoberta de complicações incipientes e avaliação dos progressos.

Fonte: Tratado de Neurologia, de Lewis P. Rowland, 1986.

Abem pede socorro

A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla

(Abem), enviou recentemente um e-mail ao JC Saúde informando que iniciou uma campanha de emergência para arrecadação de fundos. A diretoria informa que a única associação de apoio aos portadores de esclerose múltipla do Brasil está ameaçada de ter que fechar suas portas por falta de dinheiro.

Atualmente, a Abem está atendendo 320 pacientes por mês, fornecendo tratamento gratuito àqueles que não têm condições de mantê-lo. Além desse apoio, a Associação também faz um trabalho de esclarecimento nacional junto aos médicos, para tornar o diagnóstico da doença cada vez mais precoce e preciso.

Segundo a presidente da entidade, Colette Levy, além dos 320 pacientes atendidos, a entidade tem hoje uma lista de espera com mais de 3.100 pessoas: "Você imagine o que é ver uma pessoa em estado lamentável, precisando de providências urgentes, me estendendo a mão... Não é fácil dizer para a pessoa aguardar uma vaga, ou um donativo extra para poder absorvê-la. Ela está sofrendo naquele momento e a cada minuto sem tratamento aumenta seu sacrifício".

Serviço

Pessoas interessadas em saber mais sobre o trabalho da Abem ou em participar da campanha podem entrar em contato pelo telefone

(11) 531-1928, ou pelo fax (11) 533-3542.

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