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Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Ressentido, PL pode romper com PPS

Texto: Daniela Bochembuzo

Declaração feita por Nilson Costa contra Roberto Di Ruzze azeda de vez relações entre PL e PPS; partido busca maior liberdade de negociação

Antigo aliado de Nilson Costa (PPS), o PL distancia-se cada dia mais do prefeito. A culpa desse distanciamento, avalia a comissão provisória do PL, é o próprio prefeito, que tem criticado atos locais e estaduais do partido.

O mais recente conflito foi registrado no último sábado, quando Nilson Costa definiu a mudança de quatro dos cinco titulares da comissão provisória do PL como "truculenta". A declaração, feita em uma emissora de rádio local, causou mal-estar entre a militância do partido.

"A mudança não foi truculenta, pelo contrário, os titulares já haviam sido comunicados de que haveria alterações", afirma Roberto Di Ruzze, presidente da comissão provisória do PL, e destinatário do "recado" de Nilson Costa.

De acordo com Di Ruzze, a executiva estadual do PL já havia comunicado que poderia mudar a comissão provisória desde setembro do ano passado, data da saída de Nilson Costa do partido. Na ocasião, cerca de vinte pessoas acompanharam o prefeito rumo ao PPS.

Essa saída foi vista pelo diretório estadual como uma apunhalada, já que o partido havia apoiado Nilson Costa em dois momentos considerados críticos: as campanhas eleitorais de 1996 e de 1998, quando o então vice de Izzo Filho lançou candidatura a deputado estadual.

O PL esperava que a retribuição ao seu apoio viria durante a gestão de Nilson Costa, mas não foi o que aconteceu. O prefeito deixou o partido e ingressou no PPS. Diante disso, a executiva estadual considerou que era necessário tirar os nilsistas da comissão provisória local para que o PL pudesse ter mais liberdade para negociar com outros partidos durante a eleição de 2000.

No sábado, Roberto Di Ruzze recebeu a notificação do Tribunal Regional Eleitoral sobre a mudança da comissão. A alteração, embora comentada nos bastidores, pegou Nilson Costa de surpresa, culminando em sua declaração

à rádio.

"Nilson Costa merece todo nosso apreço, porque tem agido com dignidade frente à Prefeitura. Não gostaria de perder sua amizade, mas penso que ele deve encarar a saída dos nilsistas da comissão provisória com a mesma naturalidade com que encaramos sua saída do PL", declara Di Ruzze.

Mas o prefeito parece não dar sinais nesse sentido. Uma das provas foi a crítica de Nilson Costa a Roberto Di Ruzze. Para o pré-candidato a prefeito, o presidente da comissão provisória deveria ter entregue seu cargo à disposição antes de iniciar seu rompimento com o PPS.

Di Ruzze, que é diretor de desenvolvimento da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), garante que colocou o cargo à disposição assim que soube que as mudanças seriam efetuadas pelo diretório estadual do PL.

Por essa razão, Di Ruzze afirma que foi pego de surpresa ao ouvir na rádio que havia pedido demissão. "Coloquei meu cargo à disposição, mas a demissão

é uma decisão do prefeito", diz.

Próximo de um rompimento formal com o PPS, o PL acelera seus passos em direção a negociações com outros partidos, entre eles PMDB, PPB e PSB. As legendas teriam oferecido de oito a 11 vagas na coligação proporcional, número superior ao definido pelo PPS (cinco).

Dentre as negociações, a mais adiantada parece ser a com o PPB. Juntos, os dois partidos podem apoiar a Aliança XXI, que tem Tuga Angerami como pré-candidato à Prefeitura. O apoio dos pepebistas, no entanto, seria informal, mas já garantiria peso substancial na disputa eleitoral.

Diante dos efeitos da declaração de Nilson Costa, as negociações do PL com o PPS podem ter azedado de vez. "Hoje, temos 90% de chances de não nos coligarmos mais com o partido do prefeito", afirma Di Ruzze.

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