Geral

Dinheiro falso

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 3 min

Preso suspeito de fabricar notas falsas

Texto: Fábio Grellet

Dupla foi detida em Macatuba quando passava um cheque falso; um deles teria admitido que fabricava notas de real

Rogério Pereira Souza, 22 anos, e Valdomiro de Souza Medeiros, 29 anos, moradores de Lençóis Paulista, foram presos anteontem, em Macatuba, depois de pagarem R$ 20,40 em compras num açougue de Macatuba com um cheque fabricado por Rogério, a partir de uma folha verdadeira. Ele inventou o nome do correntista, além dos dados seus e da agência bancária. Rogério teria admitido à polícia que, com o equipamento usado para "fabricar" o cheque, já produziu notas falsas de real, sob encomenda, para moradores de vários municípios da região. Para atender um único cliente, ele já teria feito R$ 6 mil, em notas de R$ 10 e R$ 50. O delegado de Macatuba, Francisco Brumati Filho, disse que Valdemar aparentemente não participava da falsificação de moeda e vai ser investigado apenas pelo estelionato. O equipamento usado para fabricar o cheque foi apreendido e vai ser submetido à perícia.

Segundo as declarações que Rogério teria dado ao delegado, o cheque entregue como pagamento da compra no açougue de Macatuba foi feito a partir de uma folha emprestada por um amigo dele. Com um scanner (aparelho que copia imagens para o computador), o cheque foi copiado e depois impresso. Rogério teria inventado o nome do correntista e os números da conta corrente e da agência bancária, que seriam de Lençóis Paulista. Embora o valor fosse pequeno e a falsificação, de alta qualidade - conforme avaliou o delegado -, a funcionária do açougue, após receber o cheque, ligou para a agência do Bradesco em Lençóis, para conferir os dados. Quando ela descobriu que os números e o nome do correntista eram falsos, avisou a polícia. Rogério e Valdomiro já haviam saído do estabelecimento comercial, mas foram localizados enquanto caminhavam por Macatuba.

Presa, a dupla teria admitido a falsificação do cheque e, diante da instigação realizada pelo delegado, Rogério teria explicado que era a primeira vez que tentava passar um cheque falso, mas já falsificava e vendia, sob encomenda, notas de R$ 10 e R$ 50.

Segundo o delegado, Rogério disse que fabricava notas falsas de real desde janeiro último, auxiliado por um micro-computador, um scanner e uma impressora. O papel utilizado era adquirido em São Paulo, mas o detido não informou outros detalhes sobre seu fornecedor. Ele também não disse quantas encomendas atendeu ou quanto dinheiro falso já produziu, mas lembrou que, para atender apenas uma das encomendas, foram produzidos R$ 6 mil em notas falsas. Esse material era comprado por clientes de diversas cidades da região, como Botucatu e Agudos.

O equipamento usado para a falsificação estava na casa de Rogério, situada na Vila Éden, em Lençóis Paulista. Após obter um mandado de busca e apreensão, a polícia localizou e apreendeu os equipamentos, que seriam enviados a Macatuba anteontem mesmo. O delegado Brumati disse que eles serão submetidos à perícia, para a busca de indícios - como um programa de computador, por exemplo - que caracterizem a suspeita de uso do equipamento para a produção de moeda falsa. Caso sejam detectados esses indícios, a competência sobre o restante das investigações é transferida à Polícia Federal, já que a falsificação de moeda é crime federal.

Por enquanto, Rogério e Valdomiro estão presos na Cadeia Pública de Pederneiras, para onde foram transferidos anteontem. O delegado Brumati avalia que a acusação de estelionato vai ser respondida em liberdade pelos detidos. Rogério, porém, deve ser mantido na Cadeia, caso sejam encontrados indícios do crime de falsificação de moeda.

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