Campanhas paralelas prejudicam distribuição de agasalhos
Texto: Erika de Lima
As campanhas de arrecadação de agasalhos paralelas
à oficial, embora sejam louváveis, acabam prejudicando a distribuição de agasalhos nos bairros carentes do município. A campanha oficial é realizada pelos
órgãos ligados à Prefeitura, Comissão de Defesa Civil (Comdec) e Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).
O problema é levantado pelo coordenador da Comdec, José
Álvaro de Brito. Ele reclama da pouca quantidade de roupa recebida pelo órgão e, a má distribuição entre as famílias necessitadas. "É bom que as pessoas se mobilizem por uma causa solidária, entretanto,
é importante saber como trabalhar com esse tipo de campanha, para que uns recebam e muitos não", destaca.
Há 176 postos oficiais de arrecadação espalhados pela cidade. Até a última segunda-feira a Comdec havia arrecadado apenas seis mil peças de roupas. Toda a arrecadação será destinada aos bolsões de miséria e entidades que têm pessoas abrigadas.
Os organizadores da campanha oficial, realizada anualmente, adotaram critérios para recolher e distribuir os agasalhos de modo uniforme, não deixando as famílias sem as roupas que precisam.
Há várias equipes que se dividem nessa campanha. Uma equipe é formada para levar as senhas para as famílias carentes, outra separa as peças e a mesma quantidade, e assim acontece consecutivamente, até chegar no momento da distribuição dos agasalhos. "Dessa forma evitamos que uma família receba em dobro e outra não receba nada", frisa Brito.
Uma alternativa para resolver esse problema, que ocorre com as campanhas paralelas, por exemplo, seria a união entre o
órgão e grupos paralelos. "A cidade toda participando da arrecadação conseguiria arrecadar entre 200 e 250 mil peças de roupas. A Prefeitura quer somar com as campanhas paralelas e não dividir, porque não há necessidade de fazer trabalhos isoladamente", salienta o coordenador.
Aqueles que estão fazendo campanhas paralelas e desejam entregar as peças no local, também podem participar, sem prejudicar a campanha oficial. Mas Brito explica que, é preciso que cada grupo entre em contato com a Sebes e a Comdec, para mostrar quais locais deseja distribuir as roupas. "Assim não haverá distribuição a mais num ponto ou noutro e, além disso, os grupos também podem colaborar conosco tanto na entrega quanto na seleção das roupas. Basta que as pessoas entrem em contato conosco", ressalta.
A diretora pedagógica do Colégio Objetivo Preve, Mara Adriana Zuin Garcia, vê que a falta de comunicação entre a Prefeitura e a população pode ser um dos motivos pelos quais atrapalham a campanha oficial. "O vínculo do órgão com os grupos solidários é importante para um melhor resultado da coleta. Nossa escola arrecadou cerca de 20 mil peças para o Lions Clube Bela Vista distribuir", relata.
Já o presidente do Lions Clube Bela Vista, Altair Moraes Monteiro, não julga que a solidariedade praticada por eles possa atrapalhar a coleta. Ele disse que a arrecadação
é uma tradição do clube. "Nós temos responsabilidades com algumas famílias que esperam pela doação todos os anos. Quando recolhemos a mais doamos para a Sebes", acrescenta.
Para reforçar a campanha oficial, a Comdec em conjunto com o Tiro de Guerra e os escoteiros fará a arrecadação domiciliar de roupas no próximo sábado e domingo. Mais de 40 bairros e cerca de 15 mil residências serão visitadas pelo grupo oficial, para recolher nas casas os agasalhos. Em toda a campanha oficial, a coordenadoria pretende arrecadar mais de 70 mil peças de roupas.