Zoológico ativa esquema de aquecimento para o inverno
Texto: Sabrina Magalhães
O Zoológico Municipal de Bauru já ativou seu tradicional esquema de aquecimento artificial dos cativeiros para animais vindos de regiões mais quentes. O objetivo é protegê-los das baixas temperaturas no inverno bauruense.
Segundo o diretor do Zôo, Luiz Pires, quando estão em seus habitats, todos os animais já têm mecanismos naturais para se proteger dos dias mais frios. Mas em cativeiro, tais mecanismos nem sempre são suficientes. "É o caso dos macacos que vêm da Amazônia, onde a temperatura dificilmente desce dos 20 graus. Para eles, a gente tem que preparar tocas aquecidas, então, acendemos luzes que ficam embaixo da toca. Isso mantém o ambiente com 23 a 25 graus."
Pires salienta que, de todos os animais, os répteis são os que mais sofrem nesta época do ano, porque a temperatura corporal deles depende da do ambiente. "Cada réptil precisa de uma temperatura mínima para realizar seu metabolismo. Se esta temperatura cai, o metabolismo fica lento, até quase entrar em hibernação. No entanto, o réptil adquire calor rapidamente por contato. Então, nós colocamos lâmpadas, resistências ou aquecedores em um ponto do cativeiro. Quando ele precisa aumentar sua temperatura, ele deita em cima desta superfície."
O mesmo é feito nos aquários de peixes tropicais, que morrem se a água estiver com menos de 23 graus Celsius. Para manter a água entre os 25 e 28 graus são utilizados aquecedores e termostados.
"Para os animais maiores, os felinos (leões, tigres), o frio não é problema, porque eles são originários da linha dos trópicos, como nós. Só que à noite, por uma questão de segurança, eles ficam presos em quartinhos de cambeamento, onde o piso é de concreto. Nessa época, nós forramos o piso com capim seco, de modo que eles não tenham contato direto com a superfície gelada."
Em contrapartida, outros animais estão muito "felizes".
É o caso dos que vêm dos Andes (lhama, alpacas, guanacos), cuja cobertura de pêlos é suficiente para proporcionar conforto térmico, e dos pingüins - no inverno, o sistema de refrigeração praticamente não precisa ser ligado.
Segundo Pires, esses cuidados de adaptação são indispensáveis. Sem isso, os animais poderiam adquirir doenças respiratórias, que resultariam em morte.
Camelo chega em junho
Há cerca de dois meses o JC anunciou que o Zoológico Municipal de Bauru receberia uma fêmea de camelo. De acordo com Luiz Pires, diretor do Zôo, a falta de chuva adiou a vinda do animal, mas sua chegada está prevista para até a segunda semana deste mês. Pires explicou que o local reservado para o camelo precisaria ser gramado e a direção estava esperando chover para umidecer o solo.
Como a chuva não veio, está sendo estudada uma forma de regar a grama, já que o terreno é muito íngreme.
"Temos que nos apressar. A fêmea (de 3 anos) vem do zoológico de Curitiba e eles têm pressa em tira-la de lá, porque ela já está separada do grupo. Na próxima semana deveremos terminar o talude e em alguns dias ela estará aqui."
A fêmea nasceu no Brasil, mas pertence a um grupo de camelos vindos da Rússia. O Zôo agora está em busca de um macho, para tentar a reprodução em cativeiro aqui em Bauru. (SM)