Campanha do Sindtran continua sem definição
Texto: Patrícia Zamboni
Sindicato se reuniu com as três empresas de transporte coletivo mas não conseguiu, mais uma vez, definir rumos para a categoria
As negociações da campanha salarial que está sendo desenvolvida pelo Sindicato dos Condutores Rodoviários
(Sindtran) de Bauru continuam sem definições. Ontem, o Sindicato se reuniu com representantes das empresas de transporte coletivo TUA, Kuba e ECCB, porém, houve poucos avanços. Segundo o presidente do Sindtran, Elias Pinheiro da Silva, o índice de reajuste que está sendo reivindicado pela categoria
- de 7% a partir de maio e mais 3% a partir de dezembro -, continua sendo rejeitado pelas empresas.
De acordo com Silva, a TUA e a Kuba apresentaram contra-proposta de 4% de aumento, sendo 2% a partir de maio e 2% a contar de setembro. Além do reajuste, o Sindicato reivindica ticket alimentação no valor de R$ 80,00 e a manutenção das demais cláusulas do acordo que vigorou até 30 de abril deste ano, até que novas negociações sejam concluídas. O fator positivo das negociações de ontem, com a TUA e a Kuba, foi a decisão sobre a possibilidade de ser firmado um convênio para assistência médica aos trabalhadores.
"Isso é muito importante para nós porque é um anseio antigo da categoria. Estamos encontrando um pouco de dificuldade para definir esse convênio médico porque os preços apresentados pela Unimed estão inviáveis para serem assumidos, ainda que em parceria entre empresas e trabalhadores. Mas, a possibilidade está sendo estudada pelas duas empresas e isso já é um avanço", diz Silva.
A reunião feita com os representantes da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) não rendeu avanços nas negociações, segundo o presidente do Sindtran. De acordo com Elias da Silva, a empresa continua afirmando que não é possível oferecer reajuste de salário. Em relação ao ticket, foi apresentada a proposta de ficar em 50% do valor pedido pelo Sindicato, ou seja, R$ 40,00. A possibilidade de discutir o convênio médico também foi levantada, porém, ainda dependendo de análises por parte da ECCB.
"Nós voltaremos a conversar ainda. Aliás, o Sindicato está de portas abertas para receber os empresários com o objetivo de avançar nas negociações. Mas, se a ECCB não apresentar nenhuma proposta decente, nós faremos valer a manutenção das cláusulas do contrato que vigorou até 30 de abril, porque isso foi homologado no Ministério do Trabalho", diz Silva.
O presidente do Sindtran adianta que, a partir de setembro, o Sindicato vai se empenhar em solicitar ao MT a convocação de uma mesa-redonda, reunindo os empresários do setor, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru
(Emdurb) e o Conselho de Usuários, com o objetivo de tentar encontrar uma alternativa para a aplicação do terceiro turno de trabalho em todas as empresas de transporte coletivo da cidade. Para Elias da Silva, esse sistema é importante para que os trabalhadores do setor exerçam suas funções com mais qualidade, o que, na opinião dele, resultaria em serviços melhores para a população.
Enquanto não se chega ao final das negociações, o Sindtran não descarta a possibilidade de vir a deflagrar greve ou de promover paralisações relâmpago de ônibus do transporte coletivo da cidade. "Nós não descartamos isso porque temos que dispor de todos os recursos na defesa dos nossos representados. O Sindicato toma um certo cuidado com isso porque nós temos consciência de que uma paralisação no transporte coletivo traz transtornos generalizados para a população, porque trata-se de um serviço essencial. Porém, se for necessário, dependendo dos rumos das negociações, isso poderá acontecer", afirma Silva.
O diretor da TUA, Hélio Meneghin, confirma a possibilidade de ser firmado um convênio médico para dar assistência aos trabalhadores da empresa. "Existe essa possibilidade e nós estamos fazendo uma cotação com firmas de assistência médica. O nosso objetivo é fechar esse acordo coletivo o mais rápido possível", diz Meneghin. Segundo ele, a questão da porcentagem sobre o reajuste salarial da categoria ainda será discutida.
Os diretores da Kuba e da ECCB não foram encontrados pela reportagem até o fechamento desta edição.