Cidade continua sofrendo golpe da caridade
Texto: Andréia Alevato
Polícia civil alerta para que população não faça doações no primeiro contato. Golpistas de outras cidades são os que mais agem em Bauru
Um pedido de doação, via telefone ou pessoalmente. Na intenção de fazer caridade, o cidadão pode se tornar vítima de um golpe. Casos de pessoas que pedem doações ou vendem produtos dizendo que são para instituições assistenciais viraram profissão para muita gente.
São vários os tipos dos chamados "golpe da caridade". O primeiro é o surgimento de entidades assistenciais que não são regulamentadas, e têm como "funcionários" várias pessoas, principalmente adolescentes, que vendem sacos de lixo, mel, guardanapos de pano e outros produtos por preços bem mais altos do que o custo real da mercadoria.
Outro tipo de golpe são pessoas que utilizam o Posto de Serviços da Telefonica, para telefonar e pedir doações. A terceira forma de golpe são as pessoas que utilizam nomes parecidos com o de entidades assistenciais idôneas para pedir a doação, confundindo a população. Há ainda as pessoas que utilizam o nome de uma entidade séria para pedir doação via telefone. Outro tipo de golpe usado é o de pedidos em semáforos ou de casa em casa para entidades assistenciais de outras cidades, que não pertencem nem mesmo a região de Bauru.
"Em tempos de crise, aparecem espertalhões de todos os tipos, principalmente os que comovem a população, pedindo ajuda para instituições de caridade", afirmou o delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia.
O delegado afirmou que a população não deve fazer a doação logo no primeiro contato, principalmente por telefone. Ele orientou para que a pessoa que for procurada para fazer algum tipo de doação deve pegar o telefone e o endereço da entidade, confirmar se está havendo a campanha e só então fazer a doação.
"Depois de checar se a entidade realmente existe e se ela está fazendo algum tipo de campanha, peça para que algum funcionário mande buscar, pessoalmente, a doação. Certifique-se também qual será o funcionário que irá buscar a doação e nunca compre ou faça qualquer doação via telefone", orientou.
Outra dica do delegado é para que as doações sejam feitas para instituições conhecidas da cidade.
"Quando essas instituições enganadoras surgem, elas vendem um talão de recibos para uma pessoa. O que essa pessoa arrecadar além daquela quantia paga pelo talão
é o lucro. Ou seja, esses golpes viraram profissão. Temos diversas instituições idôneas na cidade. Já que é para ajudar, vamos ajudar o que está em nossa cidade ou pelo menos para entidades da nossa região, e não uma instituição completamente fora da nossa região", completou o delegado J.J. Cardia.
Esses tipos de golpe são crimes de estelionato. Só a DIG/Garra de Bauru está averiguando cerca de seis casos desse tipo, entre eles, o de um senhor que mendiga pelas ruas centrais da cidade. O delegado adiantou que esse homem é aposentado, tem casa própria e caderneta de poupança, e mesmo assim, mendiga pelas ruas.
"Estamos averiguando. Se ficar constatado que ele tem condições para viver e está aplicando este golpe nas pessoas, fingindo estar necessitado, ele está cometendo um crime e será punido por isso", disse Cardia.
A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) pode fornecer informações sobre entidades sociais que são cadastradas na cidade e se são idôneas ou não. A titular da Sebes, Sandra Scriptore, afirmou que as entidades da cidade são cadastradas no órgão municipal e no Conselho Municipal de Assistência Social. Ela disse que quem quiser, pode consultar a Secretaria antes de fazer qualquer doação para entidades. A Sebes também pode fornecer informações de entidades assistenciais de outras cidades.
Sobre pessoas que pedem doações de casa em casa ou sem semáforos para uma outra pessoa, a secretária municipal afirmou que a Sebes não pode fornecer nenhuma informação, já que essas pessoas não são cadastradas. Para Sandra, as pessoas que são abordadas e pretendem fazer alguma doação têm que se informar para quem é o pedido ou para qual entidade antes de realizar qualquer doação.
"Temos como fornecer informações de entidades sociais cadastradas, mesmo as que não são de Bauru, mas não temos como dar informações sobre pessoas que pedem ajuda para outra pessoa de casa em casa ou em semáforos. No caso desses pedidos para instituições, a pessoa deve tomar conhecimento se a entidade realmente existe antes de fazer qualquer doação. Deve perguntar para a pessoa para quem é, onde mora, qual é a situação da família, porque muitas vezes pode ser golpe", afirmou a secretária municipal do Bem-Estar Social.
No caso de desconfiar de algum pedido de doação, vale a pena entrar em contato com a Polícia Civil.
Serviço
O telefone da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social é 235 1225 e o da DIG/Garra é 224 3090.