Auto-exame de boca deve ser feito a cada 6 meses
Texto: Sabrina Magalhães
Sempre que houver uma lesão, mancha ou caroço estranhos dentro ou fora da boca, deve-se consultar um dentista ou médico
Estatísticas nacionais mostram que, lamentavelmente, cerca de 80% da população brasileira não tem acesso aos consultórios odontológicos. Preocupados com isso, muitos dentistas estão incentivando as pessoas a fazerem um auto-exame bucal periodicamente. Da mesma forma como as mulheres devem fazer o auto-exame nas mamas uma vez por mês, todas as pessoas deveriam fazer uma avaliação minuciosa da própria boca pelo menos duas vezes por ano.
Para isso, basta reservar alguns minutos e escolher um local bem iluminado. Depois de escovar os dentes e retirar aparelhos e próteses, com a ajuda de um espelho, deve-se olhar e apalpar toda a parte interna e externa da boca: lábios, língua, bochecha, céu da boca, gengivas, dentes e garganta. "Deve-se procurar qualquer alteração, qualquer coisa fora do normal", explica o cirurgião-dentista Haroldo José Mendes.
Neste sentido, deve-se observar se há alguma mancha escura ou esbranquiçada na mucosa (pele interna da boca), se há caroços, inchaços ou locais doloridos, se há
áreas dormentes, sinais de nascença que aumentam de tamanho (em adultos) e, principalmente, se há feridas que não cicatrizam. Em geral, a cicatrização de qualquer machucado deve acontecer entre 7 e10 dias. Se a lesão não fecha neste período, é sinal de que algo está errado. Não quer dizer que seja um câncer, mas pode ser sinal, por exemplo, de diabetes, que também requer um tratamento específico.
Segundo Mendes, o auto-exame é indicado para pessoas a partir dos 40 anos de idade, "mas fumantes, alcoolistas, trabalhadores do campo (expostos ao sol) e outras pessoas que convivem com fatores de risco devem começar a fazer mais cedo".
Precocidade
"Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que 60% dos pacientes admitidos no Hospital do Câncer (de São Paulo) com carcinoma bucal já chegam em estágios muito avançados da doença e sem chances de um tratamento curativo eficaz. Com o auto-exame, é possível identificar qualquer anormalidade logo no início. E é um método suficientemente simples e barato, que qualquer um pode fazer", alerta Mendes.
Ele afirma que a evolução das lesões bucais costuma ser assintomática e, por ser dentro da boca, as pessoas não se preocupam em tratar logo. Só que a lesão se agrava e, muitas vezes, o paciente acaba procurando ajuda quando já não há mais o que fazer.
"Quando a lesão já é cancerígena, temos que extrair o tumor com uma certa margem de segurança. Algumas pessoas chegam a perder a mandíbula inteira porque demoram a procurar o especialista. Nesse caso, você desabilita a pessoa, porque ela não vai mais comer normalmente, vai ter problemas de se relacionar socialmente, de falar, são repercussões muito grandes. Com o auto-exame, é possível identificar uma lesão pré-cancerígena, quer dizer, antes de virar um câncer. Aí, o tratamento
é muito menos invasivo", conclui.
Passo a passo
1. De frente para o espelho, num local bem iluminado, observe e toque a pele de todo o rosto. Verifique se há manchas ou caroços e se há regiões com menor ou maior sensibilidade que o normal (adormecidas ou doloridas).
2. Com a boca aberta, observe se há alguma alteração aparente na mucosa, como pontos esbranquiçados ou escuros, ou se existe alguma diferença entre um lado e outro da boca.
3. Puxe o lábio inferior para baixo e observe a parte interna. Apalpe, verificando se há alguma ferida ou alteração na cor da mucosa ou gengiva. Faça o mesmo com o lábio superior.
4. Com o dedo indicador dentro da boca, afaste a bochecha dos dentes e apalpe toda a mucosa. Depois, passe o dedo pela gengiva e perceba se há lesões, sangramentos ou regiões doloridas.
5. Deslize o dedo indicador por baixo da língua, apalpando todo o assoalho da boca. O polegar deve ficar sob o queixo para dar apoio.
6. Com a cabeça inclinada para trás, diga 'aaa' e observe se há alterações na garganta. Aproveite para olhar e apalpar também o céu da boca.
7. Ponha a língua para fora e deslize os dedos sobre ela. Observe a parte superior, olhe embaixo da língua e puxe-a para um lado, depois outro, observando toda ela em busca de lesões ou alterações de cor.
8. Por fim, usando os dedos polegar e indicador das duas mãos, toque o pescoço e o queixo, verificando se há alguma diferença (caroço, inchaço) entre um lado e outro. Em caso de dúvida, peça ajuda de um dentista ou médico.