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Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 3 min

Vila Tecnológica: reclamações continuam

Texto: Andréia Alevato

Periodicamente, o Jornal da Cidade recebe reclamações de moradores da Vila Tecnológica. Eles não se identificam, com medo de represálias, como a demora ainda maior na regularização do contrato permanente das casas, que está sendo emitido pela Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). As principais reclamações são trincas nas paredes e tetos cedendo.

O morador José (nome fictício) mostrou diversas trincas em sua casa e o defeito no teto, que está "baixando". Ele também reclamou que em dias de chuvas fortes a água passa pelas telhas. Ele já pediu uma vistoria à Cohab, foi atendido, porém nada foi resolvido.

"Pedi para que a Cohab viesse ver os problemas de minha casa, fui atendido, mas nada foi resolvido. O técnico da Cohab que veio vistoriar minha casa disse que as trincas são normais, porque as placas usadas na construção se movimentam e por isso as trincas aparecem. E ele mesmo disse que chove dentro de casa porque as telhas usadas na construção são de má qualidade", disse José.

Outra moradora, que também preferiu não ser identificada, reclamou dos mesmos problemas. Ela se sente lesada em pagar prestações no valor de casas de outros núcleos e não ter uma casa com a mesma estrutura.

"O valor das prestações

é praticamente o mesmo de outros núcleos. Me sinto lesada porque nos outros núcleos o teto não está cedendo e nem a parede trincando desse jeito", afirmou a moradora.

Apesar das reclamações, os moradores gostam de morar na Vila Tecnológica e do espaço das casas. "A casa e a vila é boa para se morar, mas por ser uma construção experimental, precisava de acompanhamento, para não dar problema. Se isso tivesse sido feito, acho que os problemas não teriam surgido", completou a moradora.

A Vila Tecnológica deveria ser um exemplo de construção civil barata para núcleos habitacionais do País. O projeto era estratégico e tinha como objetivo transformar Bauru em um pólo tecnológico da construção civil, atraindo assim tecnologias e verbas federais e estaduais, que seriam aplicadas em outros projetos.

Segundo o professor de Urbanismo na Faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru, José Xaides de Sampaio Alves, o projeto tinha algumas metas que se perderam no decorrer do tempo. A primeira delas era a possibilidade de rediscutir e rever a qualidade dos conjuntos habitacionais executados pela Cohab. A segunda era avaliar o desempenho dos diversos materiais e técnicas construtivas usados na Vila Tecnológica, que iam desde casas feitas de isopor, madeira, cerâmica e concreto, até sobrados e prédios.

"Uma parceria estava sendo montada com as universidades para debater a questão da moradia, melhorando a sua qualidade. Foram empregadas e analisadas características básicas de uma residência, como calor, qualidade de uso, e de materiais e som, em 15 tipos de moradias de materiais diferentes, para depois serem escolhidas três tecnologias que seriam empregadas em conjuntos habitacionais da Cohab", disse Xaides.

Esse projeto também possibilitaria o movimento turístico em torno do desenvolvimento tecnológico na cidade. Só para se ter uma idéia, 11 vilas tecnológicas foram aprovadas em todo o Brasil e duas no Estado de São Paulo, uma delas em Bauru.

"O projeto queria mostrar que é possível recuperar áreas como aquela para a construção de conjuntos habitacionais", completou Xaides. O arquiteto disse ainda que o projeto da Vila Tecnológica de Bauru visava gerar um centro de difusão tecnológico na cidade e na região a partir dessa pesquisa.

"Erros técnicos, que se repetem nos conjuntos habitacionais, como no Bauru 2000, poderiam ser evitados, se o projeto da Vila Tecnológica tivesse tido continuidade. A Vila Tecnológica tinha a intenção de discutir esses problemas, como a falta de infra-estrutura nos bairros, mas essa possibilidade de melhorar se perdeu", concluiu o arquiteto.

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