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Operações especiais

Ieda Rodrigues
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Equipe para operações especiais em Bauru tem 30 policiais

Texto: Ieda Rodrigues

Se em Bauru ocorrer uma situação semelhante ao seqüestro do ônibus no Rio de Janeiro, anteontem, que acabou com o ladrão e uma refém mortos, a Polícia Militar conta com uma equipe de 30 policiais do Tático 4, sendo quatro deles atiradores de elite, treinados para atuar nesses casos. Mas o comandante do Tático, o tenente Jorge Duarte Miguel, ressaltou que a principal arma numa ocorrência envolvendo reféns é o diálogo. Força e armas só são empregadas quando não houver mais nenhuma possibilidade de negociação.

A ocorrência de maior risco na qual atuou os policiais do Tático 4 nos ultimamente foi a prisão de um grupo fortemente armado que estava em uma casa, em Lençóis Paulista, no dia 21 do mês passado. Na ocasião, após horas de negociação, os homens que estavam na casa se entregaram, sem que nenhum tiro fosse disparado por parte da polícia.

O tenente Jorge Miguel explicou que a ocorrência em Lençóis Paulista foi considerada de vulto por envolver muitas pessoas e grande quantidade de armas. Outro caso ocorrido em Bauru, que precisou da ação de policiais especializados, foi de um rapaz que, após praticar assalto no centro da cidade, fugiu, sendo perseguido pela polícia. Entrou numa loja na Vila Nova Esperança e fez de reféns os proprietários. Após negociação, ele se rendeu sem que houvesse disparos.

Nesses casos, segundo Miguel, é colocada em prática a chamada doutrina de gerenciamento de crises, sistemática de atuação da polícia que evita o confronto armado. Seguindo a doutrina de gerenciamento de crise, os policiais evitam, ao máximo, efetuar disparos. Para isso, um policial assume o papel de negociador.

O tenente Jorge, responsável por essa função no Tático, explicou que o primeiro passo é transmitir confiança ao ladrão que está fazendo outra pessoa de refém, de que não será ferido se cumprir o que será combinado. O próximo passo é oferecer opções, sempre mostrando que não há condições dele fugir.

Em seguida, por essa sistemática de atuação, a polícia faz a chamada demonstração de forças. Ou seja, mostrar ao ladrão o efetivo e as armas que a polícia dispõe, inclusive os atiradores de elite, sempre dialogando e dando garantias de que, se ele se entregar, não será ferido. Com isso, espera-se que o ladrão sinta-se vencido e se entregue.

Conforme explicou o tenente Jorge, enquanto estiver em negociação, não pode ser feito nenhum ataque. No entanto, se o refém for ferido pelo ladrão ou houver a certeza que o refém será morto, os atiradores estarão posicionados para efetuar os disparos, mas só quando todas as probabilidades de negociação estiverem esgotadas.

Dos quatro atiradores de elite da equipe do Tático, dois são campeões Paulista, em toda a Polícia Militar, nas categorias revólver calibre 38 e espingarda Puma. Essas duas armas, segundo explicou, são as mais indicadas para serem usados em casos envolvendo reféns. O tenente Jorge, há nove anos comandando o Tático, fez cursos na polícia de Miami (EUA) e de gerenciamento de crise, em São Paulo.

Na Polícia Militar, cabe ao Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), de São Paulo, atuar em ocorrências de resgate de reféns e negociações com ladrões. No entanto, por causa do grande número de ocorrências na Capital e da dificuldade, em função da distância, de se deslocar os policiais do Gate pata o Interior, o Comando de Policiamento do Interior -4 (CPI-4) montou uma equipe com policiais do Tático 4 para atender as operações especiais.

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