Geral

Paralisação

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

60% dos funcionários do Judiciário páram por um dia

Texto: Patrícia Zamboni

Aproximadamente 60% dos funcionários do Poder Judiciário de Bauru não trabalharam ontem. Na Capital, cerca de 2 mil pessoas participaram de manifestação

Ontem, cerca de 60% dos funcionários do Poder Judiciário de Bauru não trabalharam. A manifestação fazia parte do dia de paralisação promovido por entidades representativas de classe. A categoria, que está em campanha salarial, reivindica índice de 42,9% de reposição de salário, auxílio-creche para os funcionários do Interior do Estado de São Paulo (já que os da Capital recebem esse benefício), aumento do vale-refeição dos R$ 3,50 atuais para R$ 8,50 e auxílio-saúde de R$ 80,00 (até o momento é de R$ 35,00). Funcionários fizeram uma breve manifestação pela manhã, em frente ao prédio do Fórum, e não entraram para trabalhar.

De acordo com Luciana Dias Duarte, diretora da Associação dos Funcionários do Poder Judiciário, dos 390 trabalhadores da categoria em Bauru, somente 55 exerceram suas funções, ontem. Luciana Duarte está em São Paulo participando das manifestações que estão sendo realizadas na Capital. Segundo ela, o presidente do Tribunal de Justiça

(TJ), Márcio Martins Bonilha, havia se prontificado, anteriormente, a receber as entidades representativas de classe para uma reunião de negociações. Porém, ontem, em São Paulo, no momento de ser efetivado esse encontro, Bonilha teria se recusado a conversar com os representantes da comissão de negociação.

"Ele já tinha dito que receberia a comissão, mas quando nós chegamos lá, ele se recusou a conversar. O que ele quer é receber as entidades separadamente, mas nós não vamos aceitar porque isso é uma estratégia do TJ para dividir o movimento. Ou entram todos, ou nada feito", diz Luciana Duarte. Segundo ela, a comissão que representa os funcionários do Judiciário pediu para ser realizada uma reunião, no TJ, nessa sexta-feira. Se as negociações não avançarem, no dia 28 os trabalhadores se reunirão em assembléia estadual para decidir pela deflagração, ou não, de greve por tempo indeterminado.

De acordo com o presidente da Associação dos Oficiais de Justiça de Bauru, Roberval César Soares, cerca de 2 mil pessoas devem ter participado da manifestação de ontem, em São Paulo. Segundo ele, o Interior do Estado teve uma representação de peso durante o movimento.

Para economista, greves são melhores para servidores

Para o economista e professor da Universidade Paulista (Unip), Carlos Sette, as greves funcionam como instrumento de luta mais para os servidores públicos do que para os funcionários do setor privado.

"Na esfera privada, as sanções à greve são mais fáceis de serem aplicadas. No Estado, o risco de ocorrer demissão, por exemplo, é menor", avalia.

A ameaça de demissão, aliás, é vista por Carlos Sette como a principal causa do esvaziamento dos movimentos grevistas. "Em função do alto índice de desemprego, as paralisações têm dado pouco resultado ultimamente. Antes, as greves eram instrumentos mais fortes de luta", diz.

Sette analisa que o crescimento do número de movimentos grevistas deve-se a dois fatores: insatisfação com as perdas salariais e o fato de 2000 ser um ano eleitoral.

"O ano eleitoral ajuda a fomentar as greves, mas a insatisfação também é grande. No caso dos servidores, é pior, já que eles, em muitos casos, não tiveram reposição salarial e não contam com ganhos de produtividade, como acontece no setor privado", argumenta.

Sette lembra ainda que as propostas salariais calcadas na reposição da inflação resultam, quase sempre, em insatisfação.

"A inflação é sentida de maneira diferente entre as classes sociais", justifica. (Daniela Bochembuzo)

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