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Intervenção

Daniela Bochembuzo
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PTB estadual planejava ação há 3 meses

Texto: Daniela Bochembuzo

Executiva estadual diz que diluição do diretório municipal teve como objetivo assegurar democracia partidária; mal estar interno continua

A executiva estadual do PTB confirmou, ontem, que planejava atuar nas discussões do diretório bauruense do partido há três meses. A informação foi dada por Carlos Tadeu, chefe de gabinete do deputado estadual Campos Machado, secretário geral do PTB paulista, por telefone.

"Tentamos conversar diversas vezes com Roberto Bueno e José Valter Lelo Rodrigues, mas eles continuavam a se identificar com a dissidência. Demos oportunidade para resolver a composição, mas diante da proximidade da convenção, tivemos que agir", conta Carlos Tadeu, que é também primeiro suplente da executiva estadual do PTB.

O último contato de Campos Machado com Bueno e Lelo foi feito no dia 16. Por compromissos pessoais, eles declinaram do convite. A informação foi confirmada pelos dois

à reportagem. Também contactado, Rogério Medina foi o único a aceitar participar da reunião, que teve início na última segunda-feira, na Assembléia Legislativa.

Em São Paulo, Medina comunicou Lelo sobre o perfil decisivo do encontro, que terminou anteontem com o comunicado de que a executiva municipal do PTB seria destituída e, em seu lugar, passaria a atuar uma comissão provisória, a qual teria o papel de oficializar a coligação do partido com o PDT.

O grupo, presidido por Medina, tem como integrantes Ricardo Carrijo, Osvaldo Sbeghen, Paulo Agustinho, João Assab, James Rufino e Caio Coube. Entre eles, Carrijo é apontado nos bastidores como o petebista que ocupará a vaga de vice de Pedro Tobias. Seu perfil de administrador e o fato de ser ex-tucano teriam sido decisivos na escolha.

Até o momento, a ação estadual não foi bem absorvida pelos membros do diretório municipal do PTB. Políticos de outros partidos também entendem a atuação como truculenta e antidemocrática. Carlos Tadeu rebate as acusações.

"Nossa ação, pelo contrário, teve como objetivo assegurar a democracia partidária. O partido é uma instituição e tem certas regras, as quais não estavam sendo seguidas. Isso não foi uma intervenção, mas uma diluição, um acordo para traçar o que consideramos ser o melhor para o PTB e para Bauru", afirma.

Acusado de golpista, Rogério Medina também se defende.

"Essa ação já estava traçada. Se não tivesse comparecido à reunião, a executiva estadual teria tomado a mesma atitude. Apenas fui comunicado pessoalmente, assim como seriam Lelo e Bueno", garante.

Carlos Tadeu confirma que a presença de Lelo, ex-presidente do diretório municipal, e de Bueno, membro da executiva municipal, poderiam ter mudado os rumos da reunião. "Hoje, talvez, teríamos os dois participando da comissão provisória", alega.

A executiva estadual do PTB avalia que, até o final de semana, o mal estar já esteja diluído, favorecendo a continuidade das negociações. A perspectiva é garantida com base em alguns telefonemas feitos a membros do diretório municipal, entre eles Lelo e Bueno, ontem.

Diante desse futuro quadro, Rogério Medina já planeja realizar uma reunião com os pré-candidatos a vereador na próxima semana.

Medina deve procurar PSDB

e PFL no início da semana

Se depender de Rogério Medina, presidente da comissão provisória do PTB de Bauru, os tucanos deverão ser procurados na próxima segunda-feira. Ele já estuda enviar ofício à executiva municipal para agendar uma reunião para discutir a coligação.

Também faz parte dos planos de Medina sentar à mesa com Dudu Ranieri, presidente da executiva municipal do PFL. O comunicado, assim como no caso dos tucanos, seria feito por ofício.

"Acho que podemos ter uma conversa tranqüila. Assim como o PTB, percebo que o PSDB e o PFL buscam o melhor para a cidade. Nesse sentido, acredito que podemos caminhar juntos e fortalecer a aliança rumo à vitória, que será do Município e não das legendas", afirma.

Se contatado, Dudu Ranieri afirma que aceitará o convite do PTB. "Não vejo problema em conversar. Já conversei com Nilson Costa e devo fazer o mesmo com Tidei de Lima amanhã (hoje)", diz.

Fundador do PTB, Ranieri, no entanto, não esconde o choque com que encarou a diluição do diretório municipal petebista. "Estou sensibilizado porque penso que essa não

é a melhor maneira de se conseguir apoio partidário. Cada um faz política a seu modo, mas é difícil concordar com atos ditatoriais", avalia.

No PSDB, a postura é semelhante. "A democracia não se faz dessa forma. Qualquer pessoa que faz política séria tem que lamentar esse ato", diz Edmundo Albuquerque, referindo-se

à diluição da executiva municipal do PTB.

Albuquerque, que foi eleito candidato a vice-prefeito pelo PSDB, diz que o partido não irá avaliar a coligação PTB-PDT enquanto não for comunicado oficialmente sobre o assunto.

"Até o momento, só soubemos dos fatos pela Imprensa. Ninguém do PDT nos procurou para oficializar a situação, então, o PSDB continua a postular sua candidatura a vice", garante.

Sobre o convite de Rogério Medina, Albuquerque é taxativo. "Não temos nada a conversar com o PTB ou com o Rogério Medina. Nossa conversa é com o PDT", afirma.

Tanto Rubens Spíndola quanto Natan Chaves, respectivamente presidente e vice-presidente do diretório municipal do PSDB, foram encontrados para comentar a situação dos tucanos na aliança com o PDT. É bom lembrar que o partido veiculava a indicação do vice como prerrogativa para oficializar na convenção o apoio a Pedro Tobias. (DB)

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