PSDB rompe em definitivo com o PDT
Texto: Daniela Bochembuzo
Tucanos consideraram que o PDT, ao garantir o vice de Pedro Tobias ao PTB, descumpriu acordo; partido pode ter candidatura própria
O PSDB anunciou, ontem, o rompimento definitivo de sua aliança com o PDT. O comunicado foi feito após a oficialização da coligação entre os pedetistas e o PTB. Por meio de ofício, Marcelo Borges, presidente do diretório municipal do PDT, esclareceu que o vice de Pedro Tobias sairá dos quadros petebistas.
A garantia da vice era a prerrogativa para o PSDB aprovar o apoio a Pedro Tobias durante sua convenção municipal. De acordo com lideranças do partido, o PDT já havia prometido a vaga aos tucanos no início das negociações entre as duas legendas.
A promessa, afirmam os tucanos, foi feita em uma reunião em São Paulo, do qual participaram membros da executiva estadual e diretório municipal do PSDB, o pré-candidato
à Prefeitura e o empresário Moussa Tobias.
Sem a vice e repugnando a intervenção da executiva estadual do PTB no diretório municipal, o PSDB decidiu romper definitivamente com o PDT.
"Ficamos preocupados. Se o PDT não cumpre acordos anteriores à eleição, imagine depois", diz Edmundo Albuquerque, que havia sido escolhido pré-candidato a vice-prefeito pelo PSDB.
Para Rubens Spíndola, presidente do diretório municipal tucano, o descumprimento do acordo foi feito de maneira desrespeitosa.
"Fomos surpreendidos com o desenlace da questão. Apesar da surpresa, garantimos que o partido tem força para superar qualquer golpe", afirma.
A superação, no entanto, não é tão simples. A legenda tem apenas até o dia 30 para realizar sua convenção e referendar uma nova coligação ou mesmo a candidatura própria.
Os tucanos, no entanto, garantem que conseguirão cumprir todos os prazos. "Voltamos à estaca zero e vamos reavaliar a situação. O partido tem uma responsabilidade muito forte na cidade e vai cumpri-la", garante Natan Chaves, vice-presidente do diretório municipal.
O diretório municipal sustenta que tem autonomia para decidir sobre a sucessão eleitoral e que, ao contrário do que comenta-se nos bastidores políticos, não irá sofrer intervenção estadual.
"O PSDB é um partido legalizado, instituído e tem estatuto. Se houvesse realmente a possibilidade de intervenção, ainda teríamos direito à defesa oral e escrita. Não seria um rito sumário", explica o vereador Toninho Garmes.
Sem a possibilidade de intervenção, o diretório municipal deve realizar na próxima segunda-feira uma reunião com seus filiados. No encontro, os tucanos avaliarão as propostas de coligação e candidatura própria.
Um dos tucanos a defender candidatura própria é Rubens Spíndola. Mas, com o rompimento com o PDT, cresce entre os filiados a possibilidade do partido apoiar Tuga Angerami
(PSB).
Esse apoio, aliás, já havia sido colocado em votação no mês passado, mas o diretório municipal acabou optando pela coligação com o PDT. Diante do rompimento com os pedetistas, os tuguistas resgataram sua proposta e já trabalham para que o PSDB homologue uma aliança com o PSB.
Para executiva estadual, PSDB deve continuar a apoiar Tobias
No modo de ver da executiva estadual do PSDB, o melhor candidato
à Prefeitura de Bauru continua a ser Pedro Tobias. A afirmação
é do deputado estadual Edson Aparecido, presidente do diretório estadual tucano.
Entre os predicados de Tobias, o parlamentar enumera o fato do pedetista ser fiel ao governo Mário Covas (PSDB) e de ter idéias próximas do projeto de governo dos tucanos.
"Pedro Tobias tem candidatura ampla, idéias novas e, nos últimos tempos, estávamos tendo conversações muito extensas. Por essa razão, nós da executiva estadual imaginamos e esperamos que o partido continue com ele", afirma.
Edson Aparecido acha muito difícil fazer, em um curto espaço de tempo, o mesmo tipo de discussão sobre as questões da cidade como as que fez com Tobias. Além disso, ele não enxerga outro candidato com o mesmo potencial do pedetista.
O presidente do diretório estadual também considera improvável que o PSDB local feche com o PSB e apoie Tuga Angerami.
"O PSB tem uma ação muito clara de oposição contra o governo estadual e o federal. Sob o ponto de vista do projeto que o PSDB tem, é uma aliança descabida", avalia.
Defensor do apoio a Pedro Tobias, Edson Aparecido afirma que o PSDB não deve encerrar as negociações com o PDT, mesmo se isso implicar na não indicação de vice tucano.
"A questão da vice é um problema de composição e, às vezes, você sabe, é necessário compor para garantir outros partidos. Além disso, apresentamos uma proposta de governo que pode ser implementada com a vitória do Pedro e com o PSDB participando da administração", completa.
Qualquer que seja a composição, Edson Aparecido garante que a proposta deverá passar pela executiva estadual.
"Eles não poderão apoiar qualquer outro candidato sem passar por nós, isso se o PSDB não lançar candidatura própria", conclui.
O presidente do diretório estadual espera que a executiva municipal do partido oficialize o rompimento com o PDT para marcar uma nova reunião. "Se eles não nos procurarem, nós os procuraremos oficialmente na segunda-feira", avisa. (DB)
Presidente do PDT nega ter garantido vice a tucanos
O presidente do diretório municipal do PDT, Marcelo Borges, nega que seu partido havia garantido o vice de Pedro Tobias ao PSDB.
"Desde que iniciamos a discussão sobre as propostas de governo para a cidade, defendemos que o vice fosse escolhido em conjunto para garantir a ampliação da frente", afirma Borges.
Hoje, o pedetista aponta Ricardo Carrijo (PTB) como o melhor nome para ser vice de Pedro Tobias. A escolha recai no fato do petebista ter saído dos quadros tucanos, pelo qual foi duas vezes candidato à Prefeitura, e por idéias parecidas com o PDT. "Ele tende a somar", diz.
Em razão dessa qualidade de Carrijo, Borges acredita ser possível trazer o PSDB de volta para a coligação.
"Vamos trabalhar para isso. Além do quê, as eleições reservam ainda muitas surpresas. Muitas questões não estão fechadas", analisa.
(DB)
Tobias lamenta decisão tucana e diz que vai insistir na coligação
O pré-candidato a prefeito, Pedro Tobias (PDT), demonstrou, ontem, que ficou bastante chateado com o episódio que culminou com a destituição do comando do PTB na cidade, o que, por sua vez, resolveu o impasse sobre o apoio a sua candidatura com a indicação de Ricardo Carrijo para vice na chapa. Como consequência do fato, Pedro Tobias lamentou que o PSDB tenha decidido romper a possível aliança. Tobias argumentou que tinha que manter a liberdade na escolha do vice e que vai continuar insistindo para que os tucanos estejam juntos com ele na campanha.
Pedro Tobias comentou que "o PSDB de Bauru tem um excelente quadro. Lamento esta decisão, mas acredito que ela não
é definitiva. Vou trabalhar para que esse impasse seja resolvido, até o fim. Entendo que nós temos que estar juntos, até porque eu não quero e nem é possível governar a cidade sozinho".
Para o pedetista, os tucanos não aceitaram que o vice-prefeito em sua chapa já estava acertado com Ricardo Carrijo. "Nunca teve acordo com o vice para o PSDB. A cúpula do PSDB em São Paulo também tentou explicar isso a eles, mas muita gente pressionou para que eles tivessem o vice na chapa e isso dificultou", falou Tobias.
Em relação às consequências políticas do episódio que destituiu o comando local do PTB, Pedro Tobias falou que "o problema é do PTB, eu não posso interferir. Minha posição foi a de defender a aliança e de escolher o vice, com preferência para o Ricardo Carrijo. Outro ponto é que a destituição também levou em conta raiva do Campos Machado com o Roberto Bueno e isso também é problema deles".
Para Pedro Tobias, Ricardo Carrijo é "o melhor candidato a vice-prefeito e me complementa. Outro ponto que também pesa é que o Carrijo traz junto com ele ajuda financeira na campanha. Eu não tenho nada contra o Edmundo Albuquerque, pelo contrário, ele é um excelente nome, até para prefeito, mas, neste momento, o Carrijo reúne as melhores condições e tem como ajudar na campanha. Eles estavam colocando uma faca na minha garganta por causa dessa indefinição do vice", completou Pedro Tobias. (NG)