Aposentados querem trabalhar
Texto: Fabiana Teófilo
Eles alegam que o valor recebido pela aposentadoria não
é suficiente para manter o mesmo nível de vida
De acordo com pesquisas realizadas pelo Centro de Pesquisa e Encaminhamento ao Trabalho (Cepet), Centro de Orientação ao Trabalho
(COT) e Associação de Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, o números de aposentados que procuram por trabalho aumenta a cada mês.
A procura, de acordo com as pesquisas, é maior por aposentados do sexo masculino e o objetivo é complementar a renda familiar. O valor que recebem pela aposentadoria é baixo, diminuindo o nível de vida que levavam anteriormente e, portanto, para manter o mesmo padrão, eles são obrigados a trabalhar.
De acordo com o presidente da Associação de Aposentados, Mário da Paz Pereira, muitos aposentados procuram emprego na própria associação. "Eles me perguntam e querem trabalhar, mas não tenho condições de contratá-los", explicou.
Pereira disse que o problema que os aposentados enfrentam por baixos salários se deve ao fato de que o Governo não possui um compromisso com a área social. "A condição implantada pelo modelo econômico que vivemos não visa nada na área social", afirmou.
Ele disse, ainda, que com a contribuição feita pelos aposentados durante toda sua vida ativa, eles mereciam ter uma vida, no mínimo, igual. "Não é justo cair o nível de vida dos idosos, eles deviam receber o mesmo para continuar tendo as mesmas coisas", afirmou.
Para Pereira, muitas das doenças sofridas pelos idosos aposentados se deve ao estresse que vivem e a angústia em querer oferecer o mesmo padrão de vida à família e sentir-se impossibilitado. "Essa situação agrava o estado de saúde dessas pessoas", disse.
Para a psicóloga coordenadora do departamento de recursos humanos do COT, Élcia Terezinha Rodrigues, os aposentados encontram dificuldades em conseguir trabalho. Ela disse que a procura por emprego tem aumentado de uma maneira geral. No período de janeiro a maio de 1999, foram atendidos 1.022 pessoas procurando emprego. No mesmo período deste ano, o número foi de 1.149. O aumento da procura não é grande, mas o fato é que mesmo sendo um número pequeno, ele sempre cresce.
No Cepet, de janeiro a maio de 1999, foram cadastrados 4.052 desempregados e este ano, 5.339, um aumento de mais de mil pessoas procurando por um emprego.
O mercado, atualmente, exige mais dos profissionais, que precisam se reciclar e se aperfeiçoar cada vez mais para acompanharem o desenvolvimento. Um porteiro, por exemplo, deve ter conhecimentos de informática para manipular os portões eletrônicos e câmeras de vídeo.
Os aposentados estão tentando criar um sindicato para defender a categoria. No mês passado, eles estiveram reunidos na Praia Grande discutindo sobre a criação desse sindicato.
"O objetivo é amparar e lutar pela defasagem no salário do aposentado", disse Pereira.