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Projetos sociais

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Por um milênio melhor

Texto: Gustavo Cândido

As datas que marcam os finais de ano, décadas e séculos são sempre tidas como períodos de reflexão, onde se olha tudo o que passou, a situação presente e o que se deseja para o futuro. É sempre um momento de planejar e investir em novos projetos para melhorar a vida. Neste fim de milênio, este tipo de reflexão tem sido maior do que nunca e dentro deste clima a Travelnet, provedor de acesso

à Internet, criou, no início do ano, a promoção

"Milênio Melhor", cujo objetivo era acolher idéias da comunidade que pudessem colaborar para um início de milênio mais promissor na comunidade bauruense. "Entendemos que não adiantava nada termos uma idéia e tentarmos colocá-la em prática sozinhos, então procuramos mobilizar a comunidade para que todos enviassem sugestões, passíveis de realização, para podermos encaminhá-las ou procurar pessoas e entidades interessadas em tocar os projetos de melhoria para a comunidade", explica a gerente de marketing e comunicação da Travelnet, Luciane Miranda de Faria Cruz. Os três melhores projetos apresentados foram escolhidos.

O concurso, sem fim comercial, uma parceria da Travelnet com o Jornal da Cidade, Alpha Turismo, Rádio 96FM, Varig Bauru e Sofia Olbrich, foi aberto à todos internautas, que deveriam mandar suas sugestões, via e-mail. Na primeira fase da promoção foram sorteados oito pessoas, que receberam acessos ilimitados à Internet por seis meses, depois foram escolhidos os melhores trabalhos entre o total de 95 sugestões. Os principais critérios na hora da avaliação foram a viabilidade do projeto para ser colocado em prática e a importância dele para a comunidade bauruense, para quem era voltado concurso.

As propostas vencedoras foram as da professora Maria Salete Fábio Aranha, sobre acessibilidade para deficientes físicos na cidade; da médica Maria Claudina Cury, um projeto de voluntariado visando levar informações e entretenimento a grupos carentes da cidade; e do diretor José Eugênio Chibebe, sobre coleta de lixo reciclável. Dos três projetos que foram escolhidos, a Travelnet vai ainda escolher um, para tentar colocar em prática com a ajuda de parcerias.

Apesar de ter classificado os trabalhos e ter feito uma premiação, o grande mérito do concurso foi justamente não valorizar o aspecto competitivo, mas sim, funcionar como um estímulo

à cidadania e provar que existem pessoas (muitas) em Bauru, que se importam com a cidade e querem o bem da comunidade.

Direitos iguais a todos

O projeto classificado em 1º lugar, da professora Maria Salete Fábio Aranha, sobre a acessibilidade na cidade para deficientes físicos surgiu de um trabalho que ela já vinha realizando. Consultora da Unicef e da Unesco, orgãos da ONU para a infância e educação, a professora acredita que a cidade está

precisando de repensar a maneira como trata os deficientes físicos, permitindo que eles tenham os mesmos direitos que todas as pessoas têm, de se locomover livremente. "A pessoa com deficiência

é como outra qualquer, com direito às mesmas oportunidades que todos os demais. Entretanto, não basta garantir esse direito na legislação. Há que se garantir também as condições de acesso das pessoas com deficiência e a essas oportunidades, caso queiramos viver verdadeiramente em uma sociedade democrática", diz Maria Salete Aranha na apresentação do seu projeto.

Apesar disso, a professora reconhece que Bauru é uma cidade privilegiada porque possui muitos centros de excelência na atenção à pessoa com deficiência, como o Centrinho, a Sorri, o Instituto Lauro de Souza Lima, entre outros. "O problema é o equipamento urbano da cidade não favorece que uma pessoa com alguma necessidade especial possa acessar esse espaço comum da sociedade o tempo todo. E não precisa ser só o deficiente, isso serve para uma mulher grávida, uma pessoa que de repente quebra a perna e passa um período de necessidade especial vai enfrentar o mesmo problema, vai ter dificuldade de se locomover", explica.

A idéia de Maria Salete Aranha inclui a construção de rampas em todas as calçadas, adaptações em sinaleiros para surdos e cegos e outras mudanças como a altura dos orelhões e bebedouros que não podem ser usados por pessoas em cadeiras de rodas porque são muito altos. "Essas características no equipamento urbano impedem as pessoas com necessidades especiais de transitarem livremente pela cidade", diz.

Semeando compaixão

Em 2º lugar no concurso "Milênio Melhor", ficou a proposta da médica Maria Claudina Cury, o "Projeto Alegria", que já está sendo aplicado em algumas instituições de Bauru. É um projeto inédito, com o objetivo de desenvolver um "grupo voluntário", formado por jovens, a partir de 15 anos, de classe média, futuros formadores de opinião, coordenados por orientadores adultos, para entrar em contato e trabalhar com o "grupo assistido", que é a pediatria do SUS do Hospital de Base de Bauru, um lugar onde, segundo a médica, existe uma pobreza e uma dor muito grande. "A idéia é fazer com que esses jovens doem uma hora do seu dia, sempre das 19 às 20 horas, para ficar com a crianças da pediatria, brincando com elas, divertindo-as e garantindo um momento de tranqüilidade a elas que estão sofrendo e são vistas apenas como

'mais um'", explica. Além de garantir essa diversão, os jovens mais velhos devem passar noções de higiene para as mães também. "Nosso principal objetivo

é fazer com esse jovem, ao entrar em contato com a dor, com a miséria, que ele não no seu cotidiano, possa desenvolver a compaixão. Ele que tem um plano de saúde, um lar, um pai e uma mãe, em contato com aquela realidade tão diferente da sua, começa a ficar mais responsável, perder preconceitos e 'frescuras' e a afirmar a sua personalidade", diz Maria Claudina Cury. Segundo a médica essas mudanças já estão sendo sentidas nos primeiros jovens que têm participado do projeto, "é emocionante, eles já estão indo até às suas comunidades e fazendo campanhas, mostrando o que aprenderam", afirma,

"é uma forma de mobilizar este grupo para a realidade nacional".

Não existe lixo

Classificado em 3º lugar, o projeto do diretor da escola

"EE Henrique Bertolucci", José Eugênio Chibebe, fala sobre o lixo reciclável com duas vertentes: a ambientalista e outra de promoção social. "Ambientalista, porque quando você trabalha com materiais recicláveis e resíduos sólidos, você está fazendo um trabalho de recuperação e preservação do ambiente. Por outro, lado quando se trabalha com esse material você está diminuindo o desperdício e fazendo com que haja uma melhoria das condições de vida daquelas pessoas mais necessitadas, sem qualificação profissional que estão vivendo do recolhimento dele", diz Chibebe.

Os objetivos básicos da proposta do professor são: dar tratamento adequado aos diversos tipos de resíduos na região urbana de Bauru; articular movimentos isolados já existentes no sentido de tornar a cidade ecologicamente equilibrada; preservar e recuperar o ambiente oferecendo melhores condições de vida à comunidade em geral e especialmente àquela que sobrevive do material reciclável; e reverter as estimativas atuais que indicam a diminuição da vida útil do aterro sanitário de Bauru.

Para o idealizador do projeto, as várias iniciativas semelhantes que surgiram e existem na cidade já demostram o quanto a preocupação com o lixo reciclável tem aumentado na cidade, "hoje existem muitas empresas que utilizam materiais que são coletados nas ruas, é preciso fazer um cadastramento dessas empresas e das pessoas que estão recolhendo esse material, para melhorar as condições de vida dessas pessoas", afirma o diretor, que têm propostas de parcerias idealizadas com algumas instituições de Bauru para a colocação em prática do seu projeto. "Meu sonho é ver Bauru como Curitiba, do Interior do Estado de São Paulo, uma cidade de primeiro mundo no sul do Brasil", diz José Eugênio Chibebe.

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