PT e PSTU discutem bases do programa de governo
Texto: Patrícia Zamboni
Durante encontro realizado ontem, militantes dos dois partidos discutiram as bases do programa e se dizem otimistas em relação
à coligação
Uma reunião realizada ontem com militantes do PT e do PSTU serviu para a discussão das bases do programa de governo de ambos os partidos. A coligação dessas duas legendas para a formação da Frente de Esquerda, para as próximas eleições proporcionais e majoritárias, foi anunciada, na semana passada, pela executiva dos dois partidos. Segundo nota oficial, a aliança foi decidida por unanimidade. A reunião deste domingo foi avaliada como positiva pelos presidentes municipais do PT, Roque Ferreira, e do PSTU, Laércio Pereira.
Para Roque Ferreira, Bauru precisa de uma aliança que tenha uma plataforma "anti-imperialista". "Nós precisamos ter, aqui em Bauru, uma aliança que tenha como base central do seu governo uma plataforma anti-imperialista. Ou seja, que tenha o compromisso de não aplicar no município nenhuma das políticas que são orientadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que o governo implementa, como as terceirizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal", diz Roque Ferreira. Segundo ele, a aliança entre PT e PSTU defende a reversão do processo de terceirização do serviço público via privatização e a luta contra o sufocamento político imposto pelo governo de Fernando Henrique Cardoso aos orçamentos municipais.
Outra forte discussão para o programa de governo desses partidos, segundo Ferreira, é a questão do transporte urbano em Bauru. "O transporte urbano é poder do Estado. Aqui em Bauru, sucessivos prefeitos se recusaram a tratar isso como um direito do cidadão e um dever do Estado. A nossa posição é colocar isso sob o controle do Executivo e, no curso do governo do PT, criar as condições para que, de fato, o município opere e tenha gestão. O debate de hoje (ontem) está tratando de métodos sobre como e o que fazer e não fazer", observa Ferreira.
A questão sobre a função e a atual "sistemática" do Sistema Único de Saúde (SUS) gerou algumas divergências entre os membros dos dois partidos. Porém, "nada que não se resolva logo. Nas questões de princípios, todos estamos de acordo", avalia Roque Ferreira.
Laércio Pereira, do PSTU, também acredita no sucesso da coligação PT-PSTU. O principal ponto de acordo entre as duas legendas é o princípio de que quem deve administrar a cidade é a população organizada em conselhos populares. "Fundamentalmente, estamos fazendo um debate sobre princípios, ou seja, sobre o que nos une para fazer ou não a coligação. Os dois partidos concordam, por exemplo, que quem tem que administrar as cidades
é a própria população organizada em conselhos populares. Ou seja, não são o Executivo ou a Câmara que mandam na cidade, é a população. Então, achamos que é importante que a maioria da população participe não só na hora do voto", afirma Pereira. A questão colocada como sufocamento político sobre os municípios é a outra premissa básica citada por Laércio Pereira a constar do programa de governo do PT e PSTU.
"Nossa idéia é fazer com que saia daqui um acordo principista, e a partir disso, nós elaboramos um programa para participar das eleições municipais. Se nós estamos de acordo que é preciso combater a atual política de governo e os seus representantes na eleição municipal, temos que entrar num acordo. A reunião de hoje (ontem) se mostrou muito produtiva e, a partir dela, vamos elaborar um calendário para debater os tópicos do programa. Com base nisso, achamos que a coligação
é possível", observa Laércio Pereira.