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Museu do rio

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

Tietê ganha memorial em Barra Bonita

Texto: Fábio Grellet

Espaço recém-inaugurado mostra curiosidades sobre o rio, cuja história se confunde com a do próprio Estado de São Paulo

Descobrir um pouco da história do rio através do qual o interior do Estado de São Paulo foi desbravado, conhecer os peixes que habitam suas águas, algumas relíquias - como uma âncora usada por um dos primeiros barcos a vapor que navegaram pelo rio -, comparar a água colhida em diversos pontos do rio - desde sua nascente até lugares tão poluídos como São Paulo e outros onde o rio ainda mantém a qualidade de sua água, como Barra Bonita: tudo isso agora é possível fazer num lugar só: o Memorial do Rio Tietê, que a Organização Não-Governamental (ONG) Mãe Natureza, criada em Barra Bonita, inaugurou no dia 8 de junho, numa área do Shopping de Barra Bonita. O ambientalista Hélio Palmesan - que há 30 anos explora o turismo fluvial no rio Tietê e durante o ano passado criou a ONG Mãe Natureza - foi responsável pela idealização do projeto, que ele atribui a uma "inspiração vinda do próprio rio e de tantos que o utilizaram, no decorrer de sua história". Segundo explica Palmesan, "certo dia acordei com a idéia de reunir um pouco da história do Tietê, que é um rio tão importante mas não tinha um lugar que pudesse ser visitado por quem se interessa pela sua história". O ambientalista explica que o único espaço dedicado ao rio Tietê fica na cidade de São Paulo e tem diferenças em relação ao projeto que agora ele implantou em Barra Bonita: "O Tietê não dispunha ainda de um museu como este, onde está exposta a história do rio. Portanto, ele é único", vangloria-se Palmesan. O acervo do Memorial já dispõe de material bastante interessante, embora ainda não esteja encerrada, sequer, a primeira etapa da montagem da exposição. Quem visitar o espaço, porém, já pode conhecer a história do rio, através de ploters (cartazes de plástico), que reproduzem, em tamanho grande (aproximadamente um metro de largura por 70 centímetros de altura), as páginas de um livro chamado "O Rio Tietê", produzido com apoio do governo estadual, no início da década de 90. Esses painéis retratam, através de textos e fotos, a história do Tietê, desde os tempos mais remotos. É possível descobrir, por exemplo, que o nome do rio foi adotado em referência a uma ave, chamada Tietê, que vivia às margens de suas águas e tinha um canto bastante peculiar - canto, aliás, que pode ser ouvido no museu, onde existe uma gravação dele, reproduzida sempre que solicitada. Os painéis mostram, ainda, outras curiosidades, como a primeira usina de geração de eletricidade construída no rio - obra muito diferente das gigantescas usinas hidrelétricas que ocupam diversos pontos do Tietê, atualmente. Outro painel exposto no Memorial mostra fotos da construção da usina hidrelétrica de Barra Bonita. Outra atração do museu é a água colhida em vários pontos do rio e exposta em recipientes de vidro. É notável a diferença entre a límpida água colhida em Salesópolis - onde fica a nascente do Tietê - e a água poluída retirada do Tietê em São Paulo. Depois, conforme se distancia da capital, a água vai gradualmente ganhando vida, até ficar novamente tão límpida quanto é antes de receber o esgoto paulistano. A água recolhida em Barra Bonita não é tão límpida quanto a de Salesópolis, mas já está bem mais pura que a água de São Paulo, apesar de conter considerável quantia de aguapés - aquele vegetal que se prolifera mais rapidamente em águas mais poluídas. Em breve, uma nova série de painéis vai ser incorporada ao acervo do Memorial - esta, mostrando a história recente do rio e detalhes sobre as usinas hidrelétricas e a hidrovia Tietê-Paraná. Também será organizada uma exposição com reproduções de todas as 54 espécies de peixes que vivem ou já viveram no rio. Palmesan espera firmar patrocínios que permitam ampliar ainda mais o acervo do Memorial, e dá um recado a quem tiver fotos, documentos ou qualquer outro material relativo à história do rio Tietê: o ambientalista solicita que entrem em contato com ele, para que o documento (ou uma cópia, se necessário) seja integrado ao museu. O Memorial do Rio Tietê fica aberto à visitação pública, no horário comercial, e a entrada é gratuita. O espaço tem sido bastante visitado por crianças, em geral alunos das escolas de toda a região, que são recebidas por Régis Coimbra Sanghim Ele é um funcionário da ONG, que mostra as atrações contidas no acervo do Memorial e conta um pouco da história do Tietê. Adaptando a bela canção de Assis Valente, "chegou a hora desse rio tão explorado mostrar seu valor"! Portanto, visitar o Memorial do rio Tietê é tarefa obrigatória para todos que querem conhecer um pouco da história do rio - que se confunde, aliás, com a história do próprio Estado de São Paulo.

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