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Reforma agrária

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Val de Palmas: proprietários vão processar o Estado

Texto: Adriana Rota

Decorrido quase um ano da ocupação pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que culminou com a destruição quase completa da histórica fazenda Val de Palmas, os proprietários juntam documentos e fazem os cálculos para o pedido de indenização por danos financeiros (e emocionais) contra o Estado.

O advogado foi constituído ainda na época da ocupação, que durou de 19 de junho a 14 de julho do ano passado. De acordo com uma de suas proprietárias, Selma Nassralla Kassis, no entanto, as preocupações da família voltaram-se a problemas de saúde da matriarca e ao abalo emocional dos demais.

Só mais tarde começou-se a pensar na obtenção de ressarcimento e na reconstrução, que está sendo viabilizada pela comercialização de eucaliptos e toras produzidos no local. Nas reformas, parte do investimento está empenhado em segurança: grades e cães podem ser vistos por todos os lados.

Selma não soube dizer quando a propriedade estará pronta, nem quanto já foi empenhado na reconstrução. Mas não hesitou em afirmar que os danos no aspecto histórico e, especialmente, emocional, jamais serão reparados.

"O que eu mais sinto de tudo isso foi a polícia ter ficado impassível dizendo que a saída foi gloriosa, pacífica. Ela demorou 20 dias para agir e, quando agiu, permitiu que aquilo acontecesse. Eles são pagos para defender a gente, não os bandidos. A PM não foi feita para negociar, mas para agir. Isso eu não vou aceitar nunca. Eles poderiam ter evitado...", desabafou.

As informações que teriam levado o MST à fazenda eram seus 13 mil alqueires, dívidas dos proprietários com o Estado e improdutividade. A família esclarece que, em primeiro lugar, a extensão mencionada era essa no início do século, quando a propriedade chegava até Duartina. Com o desmembramento feito pela Companhia Cafeeira de São Paulo, ela passou a ter os 370 alqueires atuais. As dívidas e a improdutividade seriam inexistentes.

Durante a estada dos membros do movimento, 81 cabeças de gado teriam sido abatidas e, por ocasião da desocupação, 25 antigas casas de colonos teriam sido queimadas, além das pastagens em torno do casarão. Fotos, discos, documentos e outros pertences também teriam sido consumidos pelo fogo, que obrigou a venda de metade do rebanho de mil cabeças existentes no local por falta de condições para sua manutenção.

"Tudo o que não levaram, eles destruíram", lamenta Selma, afirmando que muitos móveis ainda podem ser encontrados no acampamento montado na rodovia Bauru/Jaú, nas proximidades da antiga fábrica da Coca-Cola. "Alguma coisa ficou no porão", conta, aliviada. Agora, os planos são arrendar a fazenda quando as obras estiverem concluídas.

Força política

Na opinião de Selma, o MST é impulsionado por uma força política tão grande que lhe garante a impunidade. "Estão dando asas para eles voarem cada vez mais alto e mais longe", avalia. Ela lamenta, ainda, o fato de o episódio em que houve invasão nas terras goianas do presidente Fernando Henrique Cardoso o tratamento dado

à sua pessoa tenha sido diferente do dispensado à sua família e outras que passaram por situações semelhantes.

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