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Embraer

Redação
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Fábrica da Embraer será definida hoje

É grande a expectativa em torno da localização da nova fábrica de aviões. Gavião Peixoto, a 100 km de Bauru é a mais cotada

Mesmo estando a poucas horas do anúncio oficial, marcado para ocorrer nesta quarta-feira, apresentando o município de Gavião Peixoto, a 100 km de Bauru, como escolhido para sediar a segunda fábrica da Embraer, a direção da empresa ainda nega que já tenha definido o destino de sua segunda unidade fabril. A direção da empresa informou ontem que inexiste qualquer conclusão sobre a localização do empreendimento de US$ 150 milhões e gerador de 3 mil empregos.

O anúncio oficial será feito hoje pelo Governo do Estado de São Paulo, em solenidade que deve acontecer no Palácio dos Bandeirantes. O governo pretende doar uma área de 600 alqueires para a construção da fábrica e de uma pista de testes, que terá cerca de 5 km.

Ontem, a empresa informou que continua negociando com diversos Estados, entre eles São Paulo, e nada está definido. O valor do investimento na fábrica e a data de início das operações ainda não foram confirmados. Mas, segundo o governo, a pista deve estar em operação até outubro do ano que vem.

O assessor especial da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, Rubens Gurgel, esteve anteontem em Araraquara para conversar com a indústria de suco de laranja Cutrale, uma das proprietárias da área que será doada.

Segundo informações extraoficiais, a empresa, que havia se manifestado contrariamente à desapropriação, não se opôs, facilitando as negociações entre o Governo do Estado e a empresa de aviões. Nenhum diretor da empresa foi encontrado para comentar o assunto anteontem. A reportagem tenta contato com a empresa desde a semana passada, sem sucesso.

A assessoria de imprensa da Secretaria informou que a Embraer se interessou pelo local porque tem um espaço aéreo propício para os testes dos aviões, é uma

área plana, tem acesso fácil a rodovias e é servido por fibra ótica.

Serão criados 3 mil empregos diretos pela Embraer e outros 1,5 mil por fornecedores que se instalarão na região e terão os mesmos benefícios da Embraer.

Segundo a Secretaria, 14 empresas que fornecem para a Embraer devem se instalar na região. O governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), deve investir cerca de US$ 10 milhões por ano, durante seis anos, no financiamento dos projetos de pesquisa da empresa.

No total, a Embraer deve investir US$ 120 milhões somente na pesquisa de projetos. A nova fábrica deve produzir aviões militares e parte da família do ERJ-170 e ERJ-190. Também não está descartada a produção dos ERJ-135 e ERJ-145.

Segundo a assessora da Secretaria, Mônica Chacon, será criado o curso de engenharia aeronáutica no campus de São Carlos da USP (Universidade de São Carlos) para formar mão-de-obra especializada para a empresa.

Mônica disse que a Embraer terá isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS) no âmbito municipal. O prefeito de Gavião Peixoto, Alexandre Marucci Bastos (PV), não foi encontrado ontem para falar sobre o assunto.

Disputa

A direção da Empresa Brasileira de Aeronáutica

(Embraer) começa a contornar o clima de desconfiança surgido com o anúncio da descentralização da companhia. Um grupo de empresários, liderados pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos, Paulo Saes, se reuniu com o vice-presidente de desenvolvimento da ex-estatal, Horácio Forjaz, para discutir a saída de parte das linhas de produção. O Sindicato dos Metalúrgicos marcou um protesto contra a Embraer para esta quarta-feira. Apesar de o governo paulista dar as negociações como praticamente concluídas, a direção da Embraer mantém-se em silêncio a esse respeito e apenas confirmou que a matriz continuará no Vale do Paraíba. A ex-estatal ainda informou que nos próximos cinco anos pretende investir mais US$ 850 milhões em sua unidade principal e gerar mais dois mil novos postos de trabalho neste período. Os empresários voltam a se reunir com os dirigentes da companhia na próxima sexta-feira.

A única fabricante de aviões do hemisfério sul tem propostas dos governos da Bahia, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Os partidos de esquerda e os metalúrgicos lançam o "Comitê em Defesa do Emprego e Contra a Guerra Fiscal", numa forma de protesto contra a perda da segunda fábrica da Embraer. Uma passeata e a entrega de um manifesto à população está sendo programada para explicar as conseqüências de uma possível transferência da Embraer para outra localidade. Um dos motivos do encontro entre Forjaz e os representantes do empresariado de São José dos Campos foi a busca de soluções para segurar a cadeia de fornecedores da Embraer dentro do Vale do Paraíba. A intenção é criar programas de qualificação e sistemas de gerenciamento voltados

à melhoria do desempenho das empresas ligadas às

áreas de produção e serviços da ex-estatal. A debandada de parte do pólo aeroespacial e da mão-de-obra qualificada para o Site Aeroespacial de Gavião Peixoto traria conseqüências drásticas à economia daquela região.

Pontal ainda tem "esperanças" na Embraer

A Prefeitura de Pontal, localizada a cerca de 41 quilômetros de Ribeirão Preto, garante que ainda está no páreo para disputar a sede da nova unidade da Embraer. Mesmo diante da confirmação da Secretaria de Desenvolvimento, Ciências e Tecnologias do Estado sobre a ida da empresa para Gavião Peixoto, próximo a Araraquara, o prefeito de Pontal, Nedir Colombo (PSDB) releva: "Não recebemos nenhum comunicado oficial da empresa."

A Embraer realmente não confirma o que foi divulgado pela Secretaria, mas fontes ligadas à empresa dizem que uma circular interna comunicando a escolha de Gaviao Peixoto já foi emitida para os funcionários.

O prefeito de Pontal disse que se manteve em sigilo até agora a pedido da empresa. Segundo ele, foi realizado na cidade o mesmo estudo feito em Gavião Peixoto.

A área escolhida pela empresa, de 600 alqueires, e que estava sob análise técnica e logística nos

últimos 90 dias, está ocupada por um canavial pertencente ao Grupo Biagi, da Companhia Energética Santa Elisa. "Sabíamos desde o começo que concorríamos com Gavião Peixoto e que as duas estariam no páreo até que a empresa se manifestasse a respeito. Se a notícia vazou antes, deve ter sido por algum interesse político", disse o prefeito.

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