Geral

Comentário esportivo

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

Em Confiança Leonardo de Brito UM PÁLIDO EMPATE Não houve superstição uruguaia que resolvesse, muito menos o otimismo brasileiro. Brasil e Uruguai passaram longe do bom futebol e ficaram no empate em 1 a 1. A promessa de uma grande exibição, quarta-feira no Maracanã

- esperança da massa torcedora após as declarações otimistas de Wanderley Luxemburgo, durante a semana - não demorou a ruir. Aos 5 minutos de jogo, Montero lançou Darío Silva, Aldair falhou bisonhamente e o atacante uruguaio entrou livre para tocar no canto direito de Dida. Uruguai 1 a 0. Foi o suficiente para os jogadores brasileiros se perderem em campo. Apesar da vontade, as deficiências eram as de sempre: a fragilidade da defesa - com o péssimo Antônio Carlos e Aldair, que já não é nem sombra do jogador da Copa de 94 - e a falta de criatividade do meio-campo, com Vampeta e Émerson devagar, além da insistência de Rivaldo em prender a bola. Com um excelente sistema de marcação, sempre com dois jogadores em cima de um brasileiro, mas sem perder espaços, o Uruguai tocou a bola com consciência e administrou a partida com tranqüilidade. Se a torcida brasileira já havia demonstrado impaciência ao vaiar Aldair a cada toque que o zagueiro dava na bola, a ironia e o deboche passaram a ser o tom da insatisfação. No final do primeiro tempo, com as vaias voltadas a Cafu, o nome da vez foi o de Maurinho, lateral-direito do Flamengo. Com Alex e Guilherme nos lugares de Ronaldinho e Sávio, que não jogaram bem, a Seleção Brasileira voltou melhor para a segunda etapa. Ainda sem apresentar um grande futebol, o Brasil pressionava

à base de muita disposição, enquanto a Seleção Uruguaia se defendia e não conseguia nem ao menos sair em contra-ataque. E quando a torcida já se conformava com a derrota - que seria a segunda em toda a História das Eliminatórias, a primeira no Maracanã - o esforço brasileiro no segundo tempo acabou recompensado. A seis minutos do fim, Coelho puxou Guilherme na área e Oscar Ruiz marcou acertadamente o pênalti. Rivaldo cobrou com categoria, empatando a partida. E a Seleção Brasileira, que saiu de campo vaiada, continua devendo uma boa atuação, mas mesmo assim merecia vencer. Afinal, a Celeste Olímpica fez o gol em sua única investida perigosa durante todo o jogo

- e contando com a "colaboração" de Aldair. E sem patriotada: o Brasil foi prejudicado pela arbitragem. Montero derrubou Guilherme na área e Oscar Ruiz ignorou pênalti claro. Depois, outro uruguaio salvou com a mão em cima da linha, e o colombiano mais uma vez ignorou. FAÇANHA A Venezuela deve ter comemorado muito a vitória sobre a Bolívia quarta-feira. Afinal, foi sua primeira vitória na história das Eliminatórias para Copas do Mundo.

"Me sinto nas nuvens. Venho de uma lesão e não esperava que esta seria a melhor partida da minha vida", afirmou o venezuelano Urdaneta, o melhor em campo. A Seleção Venezuelana ficou 666 minutos sem marcar um gol em Eliminatórias. O último gol tinha sido no empate em 1 a 1 com o Equador, em julho de 1997.

O TÉCNICO VÍTOR HUGO Depois de brilhar 14 anos como jogador, o gaúcho-bauruense Vítor Hugo está iniciando nova carreira no futebol: a de técnico. O zagueirão, titular em todas as equipes por onde passou, foi campeão da Segunda Divisão paulista duas vezes: em 86 pelo Noroeste e em 89 pelo Bragantino. Outros títulos: da Copa do Brasil pelo Flamengo; do Pará pelo Paysandu, e bicampeão cearense pelo Ceará Sporting. No Norusca, além de ajudar o clube a voltar para a Primeira Divisão em 86, integrou os timaços de 87 e 88, que ficaram em décimo lugar no Paulistão daqueles dois anos. Líder nato entre os colegas, Vitão tem tudo para se consagrar como treinador. CABRA MACHO Além de adotar regras próprias de arbitragem, Luís Vieira Vilanova, o mais velho e conhecido juiz de futebol do Ceará, tem se notabilizado em brigar com os jogadores dentro de campo. Terça-feira passada, no clássico entre Fortaleza e Ceará, que terminou empatado em 1 a 1, Vilanova foi protagonista de mais um fato inusitado no esporte mais popular do planeta. Ele não marcou um pênalti contra o Ceará e foi cercado pelos jogadores. Juari (ex-Santos) deu um tapa em Vila que, incontinente, revidou e expulsou o centroavante do Ceará. Já saiu na porrada com atletas em outras oportunidades. Aos 56 anos de idade, o juiz brigão diz que só vai parar de apitar quando as pernas não permitirem. Sobre as brigas, ele é enfático: "Não levo desaforo para casa". OS PÊNALTIS O goleiro Toldo foi o grande herói da classificação da Itália para a final da Copa Européia de Nações, ao defender dois pênaltis no tempo regulamentar e outros dois após a prorrogação. Itália e França farão domingo uma final latina da Eurocopa. Já a Holanda, parece uma Seleção perseguida pela cobrança de pênaltis. Na disputa da vaga na final, não só perdeu três, mas também deixou de marcar gols em outras duas cobranças, com Frank de Boer e Kluivert. Um duro golpe para uma Seleção que vinha sendo a mais ofensiva da Eurocopa e acabou sendo despachada em casa através da "loteria". A eliminação de ontem concluiu a série que começou na Eurocopa de 1996, contra a França, com um erro de Seedorf, e nas semifinais da Copa do Mundo de 1998, quando os holandeses massacravam o Brasil, mas foram alijados pelas penalidades perdidas por Cocu e Ronald de Boer. Com a queda de ontem, a Holanda substitui sua algoz Itália no posto de sofredora da maldição, já que a Azzurra perdeu disputas de pênaltis nas três últimas Copas: Itália-90, nas semifinais contra a Argentina; EUA/ 94, na final contra o Brasil; e França/98, nas quartas-de-final contra os donos da casa. ANIVERSÁRIO Apesar do atraso, cumprimentamos o dr. Sérgio Henrique Antônio, que fez aniversário, terça-feira. O amigo Sérgio é torcedor roxo do Noroeste, e grande médico ginecologista. Seu pai, o inesquecível Valdemar Ferreira Antônio, foi dirigente do Norusca nos anos 60.

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