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Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Pedidos de auxílio doença crescem 11%

Texto: Patrícia Zamboni

Na comparação entre os primeiros seis meses de 99 e deste ano, foram requeridos 123 auxílios-doença a mais em 2000. A tendência é de crescimento

Os requerimentos de auxílios-doença registrados na agência de Bauru do Instituto Nacional do Seguro Social

(INSS) aumentaram 11,9% na comparação entre o primeiro semestre de 99 e o deste ano. De 1 de janeiro até 28 de junho do ano passado, o total de auxílios requeridos foi de 1.027 mil, contra os 1.150 mil deste ano, nesse mesmo período

(veja quadro em anexo). A diferença, em quantidade, é de 123 benefícios. Durante todo o ano de 99, o INSS recebeu 2,08 mil requerimentos. Diante destes números, a chefe da agência da Previdência Social de Bauru, Rosane Maria Lima Araújo, diz que é nítida a tendência de aumento no número de requerimentos para este ano, em relação ao ano passado. O auxílio-doença substitui o salário recebido por segurados incapacitados para o trabalho.

De acordo com Rosane Araújo, o benefício que vem sendo mais solicitado no INSS é o auxílio-doença.

"Na nossa região, pelo fato do desemprego estar crescendo bastante no País, desde 98 nós percebemos um grande aumento na entrada de auxílios-doença aqui no INSS em relação a outros auxílios. Este tem sido, sem dúvida, o auxílio mais solicitado, em virtude do desemprego", afirma.

Na análise da chefe da agência da Previdência de Bauru, o aumento no número de requerimentos acontece no momento em que o seguro-desemprego acaba e, então, fica ao segurado a opção de recorrer ao auxílio-doença.

"A população procura, de imediato, o seguro-desemprego. Quando ele termina, as pessoas vêm ao INSS em busca de algum benefício e acabam pedindo o auxílio-doença. Mas isso também é o reflexo da atual situação da população brasileira. As pessoas não têm condições de manter uma alimentação correta, por exemplo. E não tendo acesso a condições básicas de saúde, acabam precisando, realmente, requerer o auxílio-doença. As pessoas vão em busca deste auxílio porque ficam doentes, mesmo, devido

às dificuldades que enfrentam na vida. Então, os segurados vêm procurar o benefício ao qual têm direito", observa.

Fazendo uma análise dos números de requerimentos feitos durante o primeiro semestre de 99 e no mesmo período deste ano, Rosane Araújo afirma que é nítida a existência de uma tendência de aumento até o final de 2000. Segundo ela, entre os segurados do sexo feminino, na maioria dos casos os problemas de saúde apresentados são em função da menopausa.

"O atestado médico de mulheres que mais aparece, diagnostica problemas ginecológicos, decorrentes, geralmente, do processo de menopausa. Entre os homens, os problemas mais comuns são de pressão e cardiopatia. O que nós percebemos é que as pessoas vão procurar o INSS para aposentadoria, só que ainda não têm idade para isso ou não completaram o tempo para se aposentar. Então, elas voltam a trabalhar insatisfeitas e essa insatisfação, esse cansaço, essa situação toda pela qual atravessa o Brasil, tudo é agravante para alterações na pressão e para a cardiopatia", diz Rosane Araújo.

Em nível nacional, a concessão de auxílios-doença pelo INSS aumentou 40,6% nos últimos três anos, período em que a massa de segurados não cresceu.

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