Candidato denuncia coação por voto
Texto: Daniela Bochembuzo
Denunciante diz que líderes da Igreja do Evangelho Quadrangular estariam sendo obrigados a pedir votos para pastora
O candidato a vereador Alan Carlos Ursulino de Paula (PSB), o Alan Tapeceiro, denunciou ao Ministério Público
(MP), ontem, que líderes religiosos da 3.ª Região da Igreja do Evangelho Quadrangular estariam sendo coagidos a pedir votos para a pastora Celina Rosa do Nascimento Gobbi (PTB).
A prova da suposta coação está registrada em uma fita cassete, entregue ao MP, ontem. Nela, o pastor Fernando Pereira, apontado como coordenador político da igreja, diz que é preciso colocar uma liderança da Igreja do Evangelho Quadrangular na Câmara Municipal e que essa candidata é a pastora Celina.
Celina é irmã de Celso Nascimento, superintendente da 3.ª Região da Igreja do Evangelho Quadrangular e ex-secretário da Secretaria Municipal das Administrações Regionais durante a gestão de Antonio Izzo Filho. No mesmo governo, a pastora ocupou o cargo de assessora de imprensa da Prefeitura, para o qual foi indicada em 4 de abril de 1998.
A fita teria sido gravada em 15 de junho, durante uma reunião envolvendo a direção da igreja e pastores. De acordo com Alan Tapeceiro, a fita foi entregue por um jovem membro da igreja e que tem medo de sofrer represálias.
Para o denunciante, o teor da fita cassete demonstra que há discriminação por parte da direção da igreja em relação a outros candidatos a vereador e demonstra que há campanha eleitoral antecipada para a pastora Celina.
"As pessoas estão buscando a Igreja para benefícios próprios, não para elevar a parte espiritual. Elas estão exigindo que se vote nessa cidadã (Celina) e isso choca. Essa é uma nova tentativa de manipular o povo", diz, referindo-se a Celso Nascimento.
Na fita, ouvida pela reportagem, interlocutores (um deles apontado como sendo o pastor Fernando Pereira) se revezam pedindo o voto dos líderes religiosos. Eles dizem que 2000 é um ano diferente, por ter uma eleição, e que é necessário ter um representante da igreja para ampliar seu raio de atuação.
"Nós temos que envolver todas as igrejas do nosso bairro, chamadas igrejas menores (...), nós vamos estar conversando com os pastores dessas igrejas para nos ajudar nessa conscientização de uma vitória, ou seja, pastora Celina. Nós vamos estar envolvendo esse nome para ter uma vitória na Câmara", diz um trecho da fita.
Em outra parte da fita, o interlocutor diz que, no momento atual, está sendo travada uma "guerra santa" e que é necessário a igreja ter um representante no Legislativo. O interlocutor pede ainda aos presentes que levantem o número de fiéis por meio do preenchimento de fichas cadastrais.
A ficha, também apresentada ao MP por Alan Tapeceiro, inclui campos para preenchimento de dados pessoais, como números do documento de identidade e título de eleitor, além de endereço e telefone. Para o denunciante, o cadastro visa o controle de votos para a pastora Celina.
Na fita, o interlocutor afirma aos líderes presentes na reunião que é possível superar 3 mil votos. A cada frase de efeito, ele frisa ao final as palavras "aleluia" e "amém".
O teor da fita, afirma Alan Tapeceiro, demonstra que há coação. "Eles estão exigindo que se faça uma campanha para a pastora Celina. Na democracia, as coisas não funcionam assim. Dessa maneira, eles (direção da igreja) deixam a desejar para quem está se candidatando", comenta.
O denunciante espera que, a partir da apresentação da fita cassete e de outros documentos, o MP encaminhe à Justiça Federal representação pedindo a impugnação da candidatura da pastora Celina Rosa do Nascimento Gobbi.