Interventores assumem P1 em Avaré
Grupo foi nomeado pelo secretário da Administração Penitenciária, após megaoperação que apreendeu droga e armas
A Tropa de Choque da Polícia Militar fez uma megaoperação na Penitenciária 1 de Avaré para desarticular a segunda maior facção criminosa do sistema prisional paulista, o Conselho Democrático da Liberdade (CDL). Os policiais acharam quatro pistolas, cocaína, 30 telefones celulares e centenas de estiletes. Foram autuados em flagrante um funcionário e três presos. O diretor-geral, o diretor de disciplina mais 15 funcionários foram afastados. O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, nomeou um grupo de interventores formados por três diretores.
Ao todo 50 detentos, entre eles os líderes do CDL, foram enviados a outras prisões na maior transferência punitiva de presos do governo Covas, sem a ocorrência de rebelião. A operação feita na terça-feira foi a segunda realizada pela Secretaria da Administração Penitenciária, desde que foi revelada a existência de três facções criminosas que estaraim atuando nos presídios paulistas.
Na primeira, a PM invadiu a Penitenciária 1 de Guarulhos, na Grande São Paulo, para acabar com a influência de outra quadrilha, uma dissidência do Primeiro Comando da Capital (PCC), o maior dos três grupos.
Operação
Participaram da ação em Avaré 300 homens da Tropa de Choque da PM. Os policiais chegaram às 6h30 e cercaram as duas penitenciárias da cidade. Estavam acompanhados por oito corregedores da Secretaria e pelo secretário-adjunto, Mário Jordão Toledo Leme, que solicitara o apoio dos policiais para a operação. "Na Penitenciária 2, não achamos nada, mas a 1 estava um caos", disse Leme.
Em dois televisores havia pistolas semi-automáticas calibre 380 escondidas. Mais duas pistolas, uma 9 milímetros e outra 380, foram atiradas pelos presos num dos pátios. A polícia apreendeu ainda 40 papelotes de cocaína com um detento. A polícia autuou três presos em flagrante, sob a acusação de porte ilegal de armas e de tráfico de drogas. Um funcionário do presídio também foi detido em flagrante, acusado de porte ilegal de arma.
A secretaria transferiu todos os supostos líderes do CDL. Entre os presos remanejados estão Itamil Tavares Lopes, João Antônio Novaes e Leonil Dias de Oliveira. O penúltimo ficou famoso por ter assassinado Arlindo Betio, irmão do radialista Zé Betio. O último foi preso após ser o pivô de um dos maiores escândalos da Polícia Civil paulista. Ladrão de cargas, ele participou do seqüestro e assassinato do empresário Osório Bacchin. Em 1992, preso na Casa de Detenção de São Paulo, fugiu vestido de PM, com um italiano da máfia napolitana, a Camorra. A polícia recapturou Leonil seis meses depois.
No lugar do ex-diretor-geral da prisão Leonardo Bravo Mussel, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, nomeou um grupo de interventores formados por três diretores: Hélio José Bonsaglia, João Bastita Pascoal e Carlos Alberto Duarte. Foram abertos inquérito policial e sindicância para apurar a entrada na cadeia das armas, da droga e dos celulares.
A Penitenciária 1 de Avaré tem capacidade para 852 presos e abrigava 885. No começo do ano, 640 detentos, sob a influência dos líderes do CDL, fizeram um abaixo-assinado contra a investigação feita pela Delegacia Seccional sobre o CDL. Presos e funcionários acusavam os líderes da facção de chefiarem o tráfico de drogas na penitenciária, de achacarem os detentos ricos e obrigarem os pobres a trabalhar para eles nas oficinas. Em depoimento, os líderes do CDL e o diretor-geral da negaram as acusações.