Correios contrata oito portadores de deficiências
Texto: Adriana Rota
Ainda existem 24 vagas nas áreas administrativa e operacional. Empresários ainda resistem em contratar mão-de-obra
Oito portadores de deficiências cadastrados no Balcão de Empregos, uma parceria entre a Subdelegacia Regional do Ministério do Trabalho e entidades ligadas a esse público, estão prestando serviços para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que ainda tem 24 vagas abertas para Bauru e 44 no Estado (exceto Capital e Baixada Santista).
Seis dos novos funcionários dos Correios iniciaram suas atividades ontem, em funções administrativas ou operacionais. De acordo com o chefe da Seção de Treinamento e Desenvolvimento, Dinival Rodrigues, outras pessoas estão passando por uma seleção para preenchimento das vagas restantes.
A iniciativa faz parte de um programa de contratação de mão-de-obra alternativa, com cunho social. Os portadores de deficiências contratados recebem uma bolsa-auxílio no valor de R$ 218,55 (há variações de acordo com o tamanho da cidade), por 40 horas de trabalho semanais, atendimento médico-ambulatorial e vale-transporte.
Os Correios já tinham 21 portadores de deficiência trabalhando em Bauru. Quando a sede local transformou-se em Diretoria Regional de São Paulo - Interior, ou seja, responsável por grande parte do Estado, outras 32 vagas foram abertas.
O assessor de imprensa dos Correios, Moacir do Valle Júnior, explicou que, empresarialmente, empregar portadores de deficiências também propicia um retorno positivo. "O que eles têm são apenas limitações, mas o mercado os rejeita. Quando têm acesso, querem mostrar o potencial. A capacidade dos portadores de deficiências - seja física, auditiva ou visual - é grande. A vontade de aprender, também", salientou.
Além disso, a imagem da empresa perante à sociedade também melhora, além da própria vantagem financeira. De acordo com os entrevistados, os portadores de deficiências vão exercer funções específicas, ou seja, não receberão menos para executar a mesma tarefa de outros funcionários.
Terão, ainda, a possibilidade de prestar concursos para pleitear outras vagas, caso queiram atuar em áreas diferenciadas. Nesse caso, devem passar pelo processo seletivo comum a todos os candidatos, valendo-se da cota de 5% garantida por lei quando existem mais de dez vagas.
Por enquanto, quem media as contratações em todo o Estado é a Associação de Deficientes Físicos e Visuais de Mogi Mirim (Adefivi). Na carteira de trabalho dos contratados, é ela quem aparece como contratante.
Balcão
Atualmente, existem cerca de 25 portadores de deficiências cadastrados no Balcão de Empregos. Empresas, por enquanto, somente os Correios. A vice-presidente do Centro de Apoio ao D/Eficiente e voluntária do Balcão, Ariani Queiroz de Sá, acredita que as empresas ainda estão "muito fechadas", embora algumas tenham acenado com alguma intenção de se inserir no programa. "Deficiência não
é sinônimo de incapacidade ou incompetência. O que a gente espera é que os empresários se conscientizem", disse.
O chefe de fiscalização da Subdelegacia do Ministério do Trabalho de Bauru, Silvano Motta Pereira, disse que o órgão tem sido "flexível" com o empresariado, procurando conscientizar de forma que sigam o exemplo dos Correios. Mas avisou que as punições serão aplicadas com rigor, caso a lei que regulamenta o assunto, do ano passado, não seja respeitada.
Ela obriga a contratação de 2% de portadores de deficiências em empresas com cem a 200 funcionários; 3% para 201 a 500; 4% para 501 a mil; 5% para mais de mil. Pelo menos 92 empresas da cidade teriam condições de contratar o número mínimo de portadores de deficiências.
Serviço
Mais informações sobre o Balcão de Empregos para portadores de deficiências podem ser obtidas pelo telefone 232-3063, ramal 217, das 14 às 18 horas. Quem tiver interesse, pode comparecer pessoalmente ao Ministério do Trabalho, munido com os documentos pessoais e, se tiver, currículo.
Chance de um novo emprego
O técnico em Contabilidade Augusto Cesar Lazari, 27 anos, começou a trabalhar ontem na agência central dos Correios como auxiliar de escritório. Ele estava desempregado havia cerca de uma ano e meio. Na sua opinião, as dificuldades que qualquer pessoa enfrenta para conseguir um emprego hoje em dia, por maiores que pareçam, ainda são inferiores
àquelas pelas quais passam os portadores de deficiências.
"Mesmo que tenha capacidade, cursos, currículo, a sociedade ainda discrimina. Pela tonalidade da voz, você já percebe. O portador de deficiência, quando vai fazer alguma coisa, tem de fazer o dobro. Porque, além de superar seus limites, tem de mostrar para o outro que é capaz. Acho que o verdadeiro deficiente é aquele que coloca barreiras para si mesmo. E o maior deficiente é aquele que insiste em discriminar", finalizou.